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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Poesia se aprende?



COMENTÁRIO DE ANIZÃO

Respondendo o post "Sextilha anônima", o poeta //Anizão, frequentador assíduo deste MundoCordel fez o seu comentário em verso. Vale a pena conferir. Boa, //Anizão, seja sempre bem vindo!


Versos não sei ensinar

Como eu aprendi eu não sei

Mas sem querer ensinei

A muitos temas glosar

É como ensinar amar

Que não existe uma escola

E nas provas não tem cola

Mas o coração aprende

E o amor nos supreende

As vezes até extrapola.


//Anizio, 27/02/2010

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Cordel e Internet

A imagem acima é a tela do site da Academina Brasileira de Literatura de Cordel - ABLC (www.ablc.com.br)

DO FOLHETO DE CORDEL PARA O CORDEL VIRTUAL

A união entre a Literatura de Cordel e Internet vem se consolidando, mostrando a grande versatilidade desse gênero literário. A cada dia surgem novos sites e blogs tratando do assunto, o que só tem feito aumentar o interesse e a divulgação do Cordel. O fenômeno já atrai a atenção de estudiosos do assunto, como se vê no artigo “DO FOLHETO DE CORDEL PARA O CORDEL VIRTUAL: INTERFACES HIPERTEXTUAIS DA CULTURA POPULAR”, de
Madson Góis Diniz, disponível no site do Núcleo de Estudos de Hipertexto e Tecnologia Educacional – NEHTE, da Universidade Federal de Pernambuco, cujo resumo diz o seguinte:

O famoso folheto de cordel tão comum nas feiras do nordeste brasileiro parece ter alcançado o terreno do cyberespaço. O fenômeno da globalização e a instauração dos paradigmas tecnocráticos e mediáticos acabam por imprimir uma nova dinâmica na cultura popular, fazendo re-leituras dessa em vários âmbitos das tradições, reinterpretando e às vezes modificando o fenômeno cultural em si. No caso do cordel, alguns poetas populares partiram em busca do hipertexto como forma de divulgar seus trabalhos, fazendo com que essa transição de espaços provoque intervenções complexas no gênero em questão. A hibridização da cultura popular acionada pelas novas práticas mediatizadas e hipertextuais estaria pondo em risco uma tradição ou simplesmente ampliando e agregando um novo conceito à poesia popular? - Refletir a esse respeito será portanto o objetivo desse artigo, que terá por base traçar a transição do folheto de cordel, da matriz impressa para o virtual, e como o elemento tecnológico tem influenciado o respectivo gênero literário.

Acesse o texto completo em
http://www.ufpe.br/nehte/revista/artigo11-madson-gois.pdf.

terça-feira, 10 de junho de 2008

A técnica de fazer cordel III

Figura obtida no Blog da Allan Campos:
(http://allancampos.wordpress.com/2008/04/08/governo-joga-mal-para-manter-professores-em-sala-de-aula/)

COMO FAZER CORDEL

A maioria das visitas a Mundo Cordel chega por meio de ferramentas de busca, tendo como argumento a expressão “como fazer cordel”. Não é para menos. Quando se digita essas três palavras no Google, e se clica “pesquisar”, a primeira URL da lista de resultados é o post “A técnica de fazer cordel”, de 02/07/2007. A segunda URL é “A técnica de fazer cordel II”, continuação da primeira.



Acredito que esses textos venham ajudando muita gente a elaborar os seus próprios cordéis, mas admito que eles me parecem mais úteis para mostrar as possibilidades de criação que para ajudar a criar.

Como fazer um cordel? Certamente, cada poeta tem o seu método de trabalho, mas deve haver pontos em comum. Falarei um pouco sobre o meu próprio método.
Quem nunca fez um cordel, pode tentar seguir esse caminho, e ver como se sai. À medida que for ganhando habilidade, pode ir adequando o método ao seu jeito próprio de fazer as coisas.

Penso que a primeira coisa a se fazer é escolher o tema. Não dá para desenvolver bem qualquer atividade escrita sem saber sobre o que se vai escrever; é claro que às vezes acontece de surgir uma idéia espontaneamente. Os fatos dos dia a dia são uma ótima fonte de inspiração, como destaco em “Uma visita inesperada”:

Para fazer os meus versos
Não falta matéria prima
Um elevador que desce
Um outro que vai pra cima
Uma van que vai parando
E nela alguém vai chegando
Atrasado pro trabalho.
Numa mesa improvisada,
Alguém vende, na calçada,
Caneta, isqueiro e baralho.

Mesmo assim, é preciso estar seguro quanto ao ponto central da obra, até para saber o caminho que se pretende seguir. Ao decidir fazer um cordel sobre um assalto ao qual assistiu na rua, você deve saber se o seu cordel terá como foco narrar o assalto, ou falar da violência urbana. Certamente que uma opção não exclui a outra. Em uma narração, sempre dá para fazer reflexões, e vice-versa, mas há que se definir a predominância.

Por falar em predominância, identifico alguns tipos de cordel:

a) Cordéis Narrativos, que contam uma história, um caso, um fato pitoresco. Podem ser subdivididos em:
1) Ficção, quando narra um fato criado pela imaginação humana, ainda que baseado em fatos reais (p.ex. “A chegada de Lampião no Inferno”), podendo ser:
i) Original, quando o próprio autor dos versos é também autor do enredo; e
ii) Adaptação, quando o autor dos versos aproveita um enredo já existente. Muito usada em relação aos clássicos da literatura.
2) Não ficção, quando o autor se propõe a narrar fatos efetivamente ocorridos (p.ex: “O ataque de Lampião a Mossoró”);
b) Cordéis dissertativos, quando o autor comenta, analisa, opina sobre determinados fatos. Muito usado para tratar de temas políticos e econômicos de interesse da população (p.ex: Cordel sobre as prisões brasileiras);
c) Cordéis descritivos, quando o autor “desenha” um cenário com seus versos. Jessier Quirino faz isso com maestria em “Paisagens do Interior” e “Parafuso de Cabo de Serrote”;
d) Cordéis em homenagem a algo ou alguém. Uma cidade, um herói, um mito, conforme se vê em “O Vôo da Patativa”, de Dideus Sales, homenageando Patativa do Assaré.

Definidos o tema e o tipo, já se pode estabelecer a mensagem central a ser transmitida, a qual pode se constituir em um “mote”. Mote é o tema sobre o qual o poeta desenvolve os seus versos, exposto no último verso da estrofe ou nos dois últimos, quando é mote de duas linhas.

Feito isso, é hora de escolher a forma. Aqui, o leitor pode buscar qualquer uma das formas relacionadas nos posts “A técnica de fazer cordel", I e II, ou criar uma nova – o que só é aconselhável para quem tem muita prática no assunto.

É bom lembrar as seguintes dicas: a) versos e estrofes mais longas funcionam melhor para temas mais complexos; b) o cordel fica melhor de ler quando cada estrofe encerra uma idéia completa, formando um conjunto harmônico.
Outra dica importante: versos curtos são melhores para situações em que se pretende dar idéia de velocidade.

Pronto. Se você já sabe o que vai dizer, quantas sílabas pode usar em cada linha e quantas linhas em cada estrofe, está com quase tudo pronto. Faltam só as rimas. Se você não tem muita prática em rimar, comece com sextilhas, rimando os versos 2, 4 e 6, e deixando os ímpares livres. Escreva a segunda linha pensando nas palavras que usará para terminar os outros dois versos pares, e deixe as idéias irem fluindo. Já há dicionários de rimas na Internet (Dicionário de Rimas; Rimador - SONETOS.com.br), isso pode ajudar, especialmente quem está começando.
Às vezes a necessidade de rimar nos afasta um pouco do que queremos dizer imediatamente; isso é normal; é aí que você vai descobrir o prazer de dizer as coisas de um jeito diferente, inesperado, algumas vezes inserindo palavras que não seriam necessárias, para fechar a métrica, outras, usando de muito poder de síntese, para dizer muito em um só verso. Gosto mais da segunda opção.
Para finalizar, não custa lembrar a “Receita para Cordel”, de Mundim do Vale, postada neste blog, na qual o poeta dá verdadeira aula prática, mostrando, em versos, todos os caminhos que um bom cordelista deve seguir.

Algumas palavras finais, mas não menos importantes: cada vez mais consolida-se o pensamento de que o cordelista deve buscar escrever corretamente. Como bem ensina Arievaldo Viana, um ou outro erro que passe, é porque o autor errou mesmo, pois todos estamos sujeitos a isso. O cordel tem ajudado muita gente a aprender a ler. Assim, se temos condição de escrever corretamente, devemos fazê-lo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Cordel e educação



Literatura de cordel estimula estudantes na sala de aula

Fonte: Jornal O POVO, de 27.05.2008 (http://www.opovo.com.br/opovo/ceara/791940.html)


Professores cearenses dão o exemplo de experiências que baixam os índices de analfabetismo, incentivam a leitura e ensinam a valorizar os conhecimentos regionaisRita Célia Faheinada Redação

Um carrinho de supermercado carregado de livros; a literatura de cordel usada para melhorar a escrita e a leitura dos alunos; a aprendizagem e a formação das crianças de acordo com a realidade que vivem no campo; o cantinho da leitura na escola para desenvolver o Projeto Eu Sou Cidadão - Amigos da Leitura, a presença dos pais nas aulas de educação infantil. São iniciativas de professores cearenses do Interior que obtiveram bons êxitos pedagógicos até recebendo prêmios nacionais. Outro bom exemplo é o projeto Oba Jovem, idealizado por um professor de São Benedito, na Serra da Ibiapaba, que ensina os estudantes a valorizar a cidade e divulgá-la para todo o País.

As rimas que encantam da professora Francisca das Chagas Freitas Moreira, a Chaguinha, lhe renderam bons resultados em sala de aula, melhorando a escrita e a leitura dos alunos de ensino fundamental no Sítio Barrinha, em São Gonçalo do Amarante. O que Chaguinha fez? Investiu na literatura de cordel ensinando os alunos a valorizar o conhecimento da região. Os alunos da 8ª série (atual 9º ano) se encantaram com Patativa do Assaré, passaram a copiar e recitar os poemas do maior poeta popular do Brasil. "Quase não conseguia que eles se desgrudassem do computador", diz Chaguinha.

E, para ter acesso à pesquisa on line, não foi fácil para a professora de Língua Portuguesa da Escola José Pinto Magalhães. O primeiro obstáculo foi introduzir os alunos na informática. "Muitos nunca tinham nem tocado num computador", recorda. Com o apoio da Secretaria estadual da Educação, ela levou a turma para ter noções básicas de informática e Internet. Eram 36 quilômetros de uma estradinha de chão batido até o local das aulas. Valeu o esforço.

O Projeto Cordel: Rimas que Encantam rendeu a Chaguinha o prêmio de Educadora Nota 10 há dois anos. Recebeu livros no valor de R$ 10 mil e uma bolsa de estudos para fazer pós-graduação na universidade que escolhesse. Ela concorreu com 3.800 projetos enviados de todo o País à Fundação Victor Civita.

"Dizem que eu sou uma sonhadora e que se não me amarrarem, saio voando. Mas acho que, quem não sonha é um vegetal e, além de sonhar, tenho ousadia e acredito que quando a gente tenta, dá certo". O otimista da professora contagia a localidade onde vive que fica a quatro quilômetros da sede do município. O projeto continua e serve de exemplo para as demais da rede pública. São 32 unidades educacionais e sete creches.

Maria de Araújo é uma professora tão determinada quanto Chaguinha. Ela conseguiu mudar a realidade educacional e cultural do Assentamento Santana, em Monsenhor Tabosa, a 324 quilômetros de Fortaleza, além de comunidade vizinhas que estudam na Escola de Ensino Fundamental e Médio São Francisco. "Temos um compromisso de manter a nossa cultura e identidade camponesas". Lembra que, em 1986, 90% dos assentados (480 pessoas que formam 77 famílias) eram analfabetos. Atualmente esse percentual é de apenas 1%.

O Projeto Escola no Campo prioriza a cultura do trabalhador rural e qualifica jovens para a vida no campo. Maria lembra que, desde julho de 2004, os estudantes do Assentamento Santana ganharam o Centro Rural de Inclusão Digital (Crid). "Os jovens são gestores e ficaram responsáveis pela continuidade das ações. Também já temos a Rádio Escola com o apoio da Organização Não Governamental (ONG) Catavento que trabalha a educação e a cultura". Segundo a professora, o conjunto de ações minimizou a número de jovens que deixam a cidade para ir trabalhar em outros locais. Em Independência, a Escola Família Agrícola desenvolve um projeto parecido. A educação para o campo resgata a cultura e busca manter os jovens na zona rural.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Cordel e Educação

Ricardo Oliveira da Silva
A foto foi obtida no site varzeaalegre.ce.gov.br,
onde há matéria completa sobre a vitória de Ricardo.

RICARDO, DE VARZEA ALEGRE PARA A MATEMÁTICA
Depois do desempenho do BICAMPEÃO varzealegrense Ricardo Oliveira da Silva na Olimpíada Nacional de Matemática, o mínimo que posso fazer é trazer aos leitores de MundoCordel os versos de outro varzealegrense vencedor, MUNDIM DO VALE, para homenageá-lo:

Para ver a matéria veiculada no Fantástico sobre o fato, clique aqui.

AJUDANTE DO BRASIL
Mundim do Vale

O fantástico apresentou
Em matéria sistemática
Campeão de matemática
Que Várzea Alegre mandou.
O garoto até falou
Com o seu jeito infantil:
- A educação do Brasil
Com boa vontade muda
Hoje o Brasil me ajuda
Depois ajudo o Brasil.

Garoto determinado
Deu exemplo ao estudante
Que tem saúde bastante
E anda em carro importado.
Depois fica reprovado
Vai pra recuperação
Repete a decepção,
Enquanto um deficiente
Foi até o presidente
Emocionar a nação.

Falei em deficiência
Mas pretendo corrigir
O garoto há de sair
Do estado de carência.
Ele tem inteligência
Ainda com pouca idade,
Pra conter dificuldade
Imposta pelo destino.
Pois tem aquele menino.
Futuro e prosperidade.

A sua limitação
E uma vida sofrida,
Foi o ponto de partida
Para condecoração.
Quem mora aqui no sertão
Tem a plena consciência,
Que existe deficiência
De educação e transporte.
Porém Ricardo foi forte
Comprovando eficiência.

Várzea Alegre despontou
Na mídia nacional
E o gestor municipal
Muito contente ficou.
Foi ele quem indicou
Um jovem de qualidade,
Que mostrou capacidade
Erguendo a nossa bandeira.
E assim Ricardo Oliveira
Projetou nossa cidade.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Cordel e educação



A RAPOSA, O CANCÃO E AS CRIANÇAS QUE FAZEM CORDEL


Recebi ontem a lista de livros paradidáticos do meu filho e tive a alegria de encontrar entre as obras indicadas o cordel "A raposa e o cancão”, de Arievaldo Viana, editado pelo Instituto Meta - IMEPH. O livro, que foi aprovado pelo Ministério da Educação para integrar o Plano Nacional do Livro Didático – PNLA 2008 – fala da esperteza desses dois animais, deixando o leitor curioso para saber quem vai se dar melhor no final.

É muito bom ver o cordel ocupando seu merecido espaço na educação das crianças brasileiras. No caso de “A raposa e o cancão”, a obra ainda tem a vantagem de tratar de fábula cujos personagens são animais da nossa fauna (além da raposa e o cancão, participam uma rolinha e um pequeno pássaro conhecido como “lavadeira”), o que aproxima a narrativa da realidade de nossas crianças. Desde criança, eu achava estranho histórias com ursos e esquilos.

Ainda sobre o cordel na educação, o jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza, do dia 17.02.2008, traz interessante matéria sobre oficina de cordel realizada na cidade de Pacatuba-CE, onde 22 crianças produziram um livro em formato de cordel. A matéria publicada no DN é praticamente toda em cordel. Vejamos o seu texto:


Versos de crianças
UM CORDEL PARA FÁBULAS E CONTOS
Em Pacatuba, 22 alunos produziram um livro em formato de cordel. Assim, o Regional conta essa história
Cultura renovada
Leitura entre a criançada
No município de Pacatuba
O cordel encontrou morada
A idéia, nas escolas públicas,
Ecoou entre a garotada.
Em fevereiro de 2007
O projeto veio funcionar
O mestre era Paulo de Tarso
Às crianças, foi ensinar
Das 120 que se inscreveram
22, um livro, iriam criar.
“Fábulas e Contos em Cordel”
Foi o nome da publicação
2.000 exemplares
Tirados para distribuição
Rimas dos próprios alunos
Do mestre, a orientação.
Aulas teóricas e práticas
Meninos do 5º ao 9º ano
Apostila e CD’s recebidos
O professor declamando
Kit com vários cordéis
E o jeito, eles iam pegando.
Mirtes Holanda do Vale
4 escolas nos quatro cantos
Tinha Nely de Lima e Melo
E Ana Albuquerque Campos
Joana Vasconcelos de Oliveira
Lá o cordel deixou encantos.
Patativa do Assaré
Uma fonte de inspiração
Leandro Gomes de Barros
E outros de grande expressão
Ajudaram a fazer as sextilhas
E observar a metrificação.
Seis estrofes em cada verso
Rimas no 2º, no 4º e no 6º
Paulo de Tarso dizia:
“Assim é mais fácil fazer o texto”
E as crianças cumpriam
Tudo dentro do contexto.
Entre os textos do livro
Há 20 adaptações
De obras já escritas
Após leituras e abstrações
Mais seis poemas autorais
Completam as composições.
Tem tema de gente grande
Criança sabe, sim senhor!
Exemplo de Adhalya Almeida
Que o racismo “condenô”
“Não discrimine o irmão”
Disse ela, com louvor.
O pequeno Fernando Dantas
Incentivou a preservar
“Vamos caçar papagaios”
Mas é pro campo levar
Cuidar do meio ambiente
A fauna na flora deixar.
Antigas histórias infantis
Agora viraram cordel
“A lebre e a tartaruga”
Em um pedaço de papel
O garoto Weverton Campos
Fez uma representação fiel.
Tem neo-cordelista
Que já quer ser escritora
Aos dez anos de idade,
Dayana Sousa é sonhadora
“É um objetivo”, diz ela
Das letras, admiradora.
Paulo de Tarso acredita
“Sairão alguns escritores,
basta um empurrãozinho”
Fala ele dos amadores
“Dos seus próprios textos,
podem virar criadores”.
Para o prefeito de Pacatuba
Que é Zezinho Cavalcante
O incentivo à leitura
É o ponto mais importante
Para a qualidade do ensino
Melhorar a cada instante.
Como em todo o Ceará
O prefeito reconhece
Dificuldade de leitura
Em Pacatuba acontece
“O ensino foi universalizado”
Essa conquista, esclarece.
Já Francisco Monteiro,
Secretário de Educação,
Diz que nos próximos anos
Vai haver universalização
E o projeto chegar
Às 33 escolas da região.
Inclusive em 2008
Já haverá novidade
Além dos quatro colégios
Entra mais uma unidade
Na Ângela Costa Campos
O cordel será realidade.
A partir de amanhã
Começam as inscrições
Cerca de 160 alunos
Devem fazer as lições
Do 5º ao 9º ano
O cordel despertará paixões.
Quem fez o curso em 2007
Este ano, poderá continuar
É mais uma chance pra eles
De o próprio cordel melhorar
E os novos colegas de turma
A ler e escrever, incentivar.
ÍCARO JOATHAN
Especial para o Regional

PAZ E UNIÃO
Diga não ao racismo
As origens do racismo
Tem fatores sociais,
Políticos e econômicos
Entre todos desiguais
Que não respeitam os outros
E pensam que são rivais

Por conta disso tivemos
Muito sangue derramado
Um Japão após a guerra
Quase todo destroçado
E hoje vemos um Bush
Atirando em todo lado.

Acredite com amigo
Faça-me esse favor
Divulgue por onde andar
Ninguém é superior
Precisamos é pregar
Nessa terra muito amor.

Não discrimine o irmão
Só porque é diferente
Racismo não leva a nada
Seja também consciente
Pregue a paz e a união
Viva assim bem mais contente.

Todo racismo é crime
Denuncia, faça valer
Todas as leis existentes
Que procuram combater
“Corte o mal pela raiz”
e não deixe isso crescer.

Muitos problema nós temos
Nesse torrão brasileiro
Mostre para seus amigos
Servindo de conselheiro
Que nada ganhará
Sendo ladrão ou gangueiro.

No projeto de cordel
Eu aprendi escrever
E aqui em Pacatuba
Eu irei, sim, combater
Mostrando para todo mundo
A que eu pude aprender.

Nosso Deus superior
Nos dotou com a verdade
Portanto, vamos pregar
Com toda boa vontade
Muita paz e união
Entre todos a amizade.

ADHALYA ALMEIDA
Especial para o Regional

DILETO CIDADÃO
Aventuras do Barão de Munchausen

Agora vou lhes falar
De um cara bem doidão
Munchausen é conhecido
Como um grande barão
Um sujeito muito bom
Que ajuda a população.

Quando os fiapos da barba
Começaram a crescer
No início da juventude
O mundo foi conhecer
Pois ele precisava na vida
Procurar o que fazer.

Encontrou no seu caminho
Uma mulher educada
Que disse: “A minha sede
Precisa ser saciada”
Eu cheguei pertinho dela
E disse: “Obrigado fada”.

Nossa viagem foi boa
Só tive um incidente
Uma forte ventania
Saiu levando a gente
Esbarramos numa árvore
Que nos deixou descontente.

Depois de muito ajudar
À toda população
Fio caçar com uns amigos
Ma um imenso leão
Apareceu na sua frente
Estava sem munição.

O leão tava com fome
Tinha sim que dá no pé
Mas só que tinha atrás
Um valente jacaré
O Barão feito um carro
Saiu sim, de marcha ré.

O Barão saiu correndo
Atrás da população
Tinha na mão um revólver
Mas faltava munição
Isso é mais que verdade
Não é nenhuma invenção.

Nisso podem acreditar
Foi um caso de verdade
O Barão além de bom
Usava sinceridade
Na Rússia fez para o povo
Uma imensa bondade.

Teve muitas coisas mais
Desse importante Barão
Homem que na sua época
Fez grande revolução
Mas era sim, com certeza:
Um dileto cidadão.

EDVAN AQUINO
Especial para o Regional

O QUE ELES PENSAM
Escola comemora o trabalho
“Escolhi escrever o cordel ´Ali Babá e os 40 ladrões´ porque o livro trouxe uma história que eu considerei como a mais legal entre os encontrados na biblioteca. Deu muito trabalho fazer todas as estrofes, mas o professor Paulo de Tarso me ajudou, ensinando direitinho. Ele foi aperfeiçoando o meu poema. Com certeza, vou continuar fazendo cordel, quero escrever mais”.
Diogo Sousa Pereira - Estudante
“A história que escolhi para fazer na forma de cordel foi sobre ´As aventuras do Barão de Munchausen´. Eu e meus colegas de turma visitamos a biblioteca várias vezes, onde havia vários livros, e gostei mais desse. Fiquei muito satisfeito em ver o meu nome publicado no livro. Meus pais também me disseram que era um bom desempenho e ficaram orgulhosos de mim”.
Edvan Aquino - Estudante
“Considero uma vitória muito grande que esses 22 estudantes tenham concluído o curso de Literatura de Cordel, visto que nem todos os que começaram gostavam de ler. No prefácio de ´Fábulas e Contos em Cordel´, produzido pelos alunos e lançado em janeiro deste ano, destaco que a semente foi plantada e, se as árvores forem regadas, darão bons frutos. Este é o nosso objetivo”.
Paulo de Tarso - Professor
“Li o livro ´A formiga e a cigarra´ e gostei muito, por isso, fiz meu versos de cordel sobre ele. Achei muito divertido o trabalho e mais ou menos fácil escrever os versos. Antes de fazer o curso, eu já gostava de ler. Minha tia tem um monte de frases de poemas, e eu sempre lia. Pretendo continuar lendo e escrevendo novas histórias. Meu objetivo é um dia ser uma escritora”. Dayana Maria Vieira – Estudante

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Cordel e educação



“MARTELO PERGUNTADO”, “NÓ APERTADO” E A "RÁDIO MUNDO CORDEL"

O post anterior, que fala das visitas de poetas ao Mundo Cordel, mereceu comentário do blogueiro e escritor GILBAMAR, autor do blog GILBAMAR, POESIAS E CRÔNICAS.

Em seu comentário, Gilbamar dá exemplo de humildade ao manifestar seu desejo de:

“registrar, muito feliz,que a receita de cordel feita pelo talentoso Mundim do Vale foi bastante proveitosa para mim. Embora os meus cordéis ainda não tenham esse tempero tão equilibrado e de qualidade, que torna a poesia pura e encantadora, vou aprendendo com vocês,os mestres. Grande abraço, extensivo ao vate Mundim do Vale”

Quem já visitou o blog de Gilbamar sabe o quanto ele é bom, tanto na prosa como na poesia.

Mas já que estamos falando de receita para fazer poesia, uma coisa interessante de se observar na poesia popular é a variedade de gêneros, com rigorosas regras de métrica e de rima, e até mesmo de oração. É como se os poetas criassem dificuldades para eles mesmos, apenas para testar sua capacidade de transmitir suas idéias e sentimentos em um formato rígido de escrita.

Por exemplo: o martelo perguntado, que é uma versão do martelo agalopado, mas no qual, em uma estrofe, um cantador faz perguntas, e na seguinte, o outro cantador as responde.

Não sei se o mais difícil é perguntar ou responder, mas fica muito interessante. Para mostrar um exemplo, implanto uma novidade em Mundo Cordel, a Rádio Mundo Cordel, e apresento um trecho de um MARTELO PERGUNTADO feito pelos Nonatos:



Outro exemplo interessante desse tipo de poesia é encontrado no CD “Acorda Cordel na Sala de Aula”, de Arievaldo Viana. É o “nó apertado”, que a Rádio Mundo Cordel mostra, na composição de Zé Maria de Fortaleza e Jocélio:



Dá pra imaginar a complicação de se fazer poesia dessa forma, mas a criatividade de nossos poetas está acima dessas coisas, e tudo acaba ficando muito divertido.
Veja outros posts sobre a técnica de fazer cordel: