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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Jessier Quirino



RASGA RABO BAGUNÇADOR DE BAGUNÇA


Copiei essa do Jornal da Besta Fubana (
www.luizberto.com), da coluna “De cumpade pra cumpade”, do mestre Jessier Quirino. Já conhecia de seu livro/CD “Bandeira Nordestina”. Fantástico!


Trupizupe oia tu num me assusta
Com a fama da tua valentia
Porque esta macheza é freguesia
E até nem me parece tão robusta
Uma boa palmada não me custa
Pois no fundo eu te acho delicado
Se tu és um valente escolado
Eu quebrei no cacete a tua escola
O teu mestre saiu de padiola
E teu supervisor invertebrado.

No jardim da infância eu fui valente
E o nome da escola era bufete
No primário estudei no canivete
No ginásio no bote de serpente
Como eu era um aluno inteligente
Logo cedo já tinha me formado
Lampião tinha sido reprovado
Por froxura e por falta de frieza
Hoje, pós-graduado em malvadeza,
Vendo pena de morte no mercado.

Eu sou topada de unha encravada
Sou gilete no mei do tobogã
Sou o flagra da foda no divã
Sou feiúra dum talho de inchada
Sou um choque no furo da tomada
Sou ferrugem na agulha de injeção
Sou judeu se vingando de alemão
Cata-vento voando num comício
Sou a falta de droga num hospício
Queimadura de larva de vulcão.

Sou rolo compressor desgovernado
Libanês dirigindo um carro-bomba
Sou uns 300 quilos de maromba
Despencando do braço levantado
Sou carrasco esperando um condenado
Sou a queda fatal da guilhotina
Metralhada cruel de uma chacina
Marretada no dedo polegar
Eu sou o fósforo acesso pra fumar
Que explodiu o tambor de gasolina.

Eu sou a folha perversa da urtiga
Despontando no vaso sanitário
Querosene na mão do incendiário
Solitária mexendo na barriga
Sou machado afiado numa briga
Sou o chifre botado em Romeu
Sou Menguele com raiva de judeu
Sou o tiro certeiro do arpão
Sou a aids injetada no machão
Que enlouquece jurando que não deu.

Eu sou navalha na mão de delinquente
Jacaré triturando um caçador
Tirotei dentro dum elevador
Araldite numa escova de dente
Eu sou ninho de cobra num acidente
Sou ladrão seqüestrando um delegado
Comeine depois do atentado
Sou 500 mil watts de energia
Sou tesoura cruel de cirurgia
Que ficou na barriga do operado.

Eu sou o estouro brutal de uma boiada
Sou a fúria de um tubarão faminto
Cão de guarda trancado num recinto
Sou três tapas depois de uma facada
Eu sou rinoceronte em disparada
Explosão de usina nuclear
Sou mudança que cai do décimo andar
Sou o corte inflamado do punhal
Cianureto maior que sonrrisal
Que o nazista obrigou a mastigar.

Eu sou o maior beliscão do alicate
Maçarico cortando gente ruim
Tiro ao alvo na cara de Delfim
Criolina na sopa de tomate
Eu sou o pênalti perdido num empate
Sou scania sem frei na contramão
Gente besta coberto de razão
Matador disfarçado de molengo
Sou torcida irada do Flamengo
Perseguindo o juiz que foi ladrão.

Eu sou a explosão de foquete iraniano
Que subiu carregado de safado
Sou negrada invadindo o senado
Dando o golpe em galego africano
Peixerada de paraibano
Sou mijada na cara do doutor
Instrumento de esquartejador
Sou engasgo com bola de sinuca
Eu sou o tiro certeiro de bazuca
Que matou o infeliz do ditador

Trupizupe prepara a tua cova
É chegado o dia da decisão
Vai fazer tua última comunhão
Pois eu já preparei a tua prova
De arame farpado vai ter sova
Vai lembrando do teu aprendizado
Pois eu já tô ficando endiabrado
Só de raiva já dei um saculejo
Dei até beliscão num azulejo
Mas ainda não tô mal-humorado.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A poesia de Jessier Quirino



JESSIER QUIRINO EM FORTALEZA

Acabo de saber que o grande poeta Jessier Quirino estará em Fortaleza neste fim de semana e fará show, sábado, dia 8, no BNB Clube, na programação do BNB Clube de Cultura.

Mais que um poeta, Jessier é um intérprete de mão cheia, que leva o público às lágrimas e às gargalhadas em seus recitais. Basta ver os seus versos e
m:
AGRURAS DA LATA D'ÁGUA

...E eu que fui enjeitada
Só porque era furada.
Me botaram um pau na boca,
Sabão grudaram no furo,
Me obrigaram a levar água
Muitas vezes pendurada,
Muitas vezes num jumento.

Era aquele sofrimento,
As juntas enferrujadas.
Fiquei com o fundo comido.
Quando pensei que tivesse
Minha batalha cumprido,
Um remendo me fizeram:
Tome madeira no fundo
E tome água e leva água,
E tome água e leva água.
Daí nasceu minha mágua:
O pau da boca caía,
Os beiços não resistiam.
Me fizeram um troca-troca:
Lá vem o fundo pra boca,
Lá vai o pau para o fundo.
Que trocado mais sem graça
Na frente de todo mundo.
E tome água e leva água
E tome água e leva água.
Já quase toda enfadada,
Provei lavagem de porco,
Ai mexeram de novo:
Botaram o pau na beirada.
E assim desconchavada,
Medi areia e cimento,
Carreguei muito concreto
Molhado duro e friento,
Sofri de peitos aberto,
Levei baque dei peitada.
Me amassaram as beiradas,
Cortaram minhas entranhas.
Lá fui eu assar castanha,
Fui por fim escancarada.
Servi de cocho de porco
Servi também de latada.
Se a coisa não complica,
Talvez eu seja uma bica
Pela próxima invernada.
E inverno é chuva, é água,
E eu encherei outras latas
Cumprindo minha jornada.

Para conhecer melhor sua obra, vale a pena fazer uma visita ao seu site:
www.jessierquirino.com.br.

Mas como a poesia de Jessier fica ainda melhor "dizida" que lida, a Rádio Mundo Cordel traz hoje “Miss Feiúra Nenhuma”, do livro/cd “Bandeira Nordestina”.