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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Poesia de Paulo Benz


DE VOLTA À AÇÃO

Depois de um mês fora do ar, Mundo Cordel volta à ação, e o faz exatamente onde havia parado, ou seja, falando do poeta PAULO BENZ, co-autor da poesia apresentada no post anterior.
Pra quem ainda não sabe, PAULO BENZ foi um dos premiados no Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães, de 2004, o qual gerou o livro “Poetas do RN”, chegando em terceiro lugar na edição de 2006 do mesmo concurso.
Embora sua especialidade não seja o Cordel, é uma honra trazer hoje uma de suas poesias publicadas na obra citada acima:

NOITE DESSAS

Se ao menos causassem os olhares esse modo
Estulto que tenho de carregar as minhas frases na alma...
Mas nada, quanto menos, menos,
Se não sombreia a vontade, quem dirá a dor de mundo...
Nas mesas recurvadas de alguns desses lares noturnos
Os garçons não atendem só aos desesperados,
Quando as vagas lembranças são garrafas na vitrine
E massas de delicados lábios se encontram sem plano,
Se teu gosto... ah, esqueça,
Vinhos não são iguais, como poderíamos...
E as margens eternas do rio sem suas águas
Perenizam qualquer motivo.

Gestos, para quem deles depende,
E uma suave atenção ao suceder de esquinas
Quando o ponteiro da velocidade
Ultrapassa o razoável...
Mas amanhã estarei sentado em minha sala
Como mesmo se nada em mim houvesse
Além da fronte suada...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Cordel e comunicação (Marcos Mairton e Paulo Benz)



FAZENDO POESIA COM O AMIGO PAULO BENZ

A Rádio Mundo Cordel traz hoje, ao som do violão de Nonato Luiz, com a música "Rio Reno", uma poesia inspirada em e-mails que troquei com o poeta Paulo Benz.
Na verdade, parte da poesia é dele, pois aconteceu em um dia no qual conversávamos em versos.


A “Quinta de Poesia” à qual a poema se refere é mera ficção, mas que importância tem isso? O que importa um fato ter ou não acontecido, um lugar existir ou não, se no mundo dos poetas a realidade e a fantasia se misturam, e eles nunca sabem direito distinguir uma coisa da outra.


E quem sabe distinguir a realidade da fantasia?

CONVERSA DE POETA
(ou e-mails trocados entre dois poetas, combinando uma reunião)
Autor: Marcos Mairton, com participação muito especial de Paulo Benz

– Ó poeta, meu amigo,
Escrevo pra lhe avisar
Que a “Quinta de Poesia”
Que costumo organizar,
E ocorre toda vez,
Sempre e sempre, a cada mês,
Na primeira quinta-feira,
Vai cair em outro dia.
Porque senão ficaria
Pra mim, muito complicado.
Mas na terça dará certo.
Vá de coração aberto
E com o verso preparado.

– Olha, que interessante,
A quinta na terça-feira.
É possível que alguém queira,
Ter uma idéia brilhante,
Pra, de agora em diante,
A segunda ser na sexta.
E eu, que não sou nem besta,
Atraso o domingo um dia,
O sábado ficaria
Com quarenta e oito horas
Pra contemplar fauna e floras
Fazer amor e poesia.

– Fazer amor e poesia,
Era isso que eu queria.
Pegava, no calendário,
Só a folha do domingo,
Tirava cópias a esmo,
Sem da tinta perder pingo,
Renumerava o mês todo
Só com folhas desse dia.
E ficava olhando o povo
Na sua vã correria,
Enquanto eu, descansado,
Repetiria meus versos,
Só pra conversar fiado,
Na praia, c’os pés imersos.

– Na praia, c’os pés imersos
Na água fria do mar
Sentado numa cadeira
Dessas de se balançar,
Lendo “O direito à preguiça”,
Onde Paul diz, com justiça,
Que ela é mãe das invenções.
Por isso, as intenções,
Que tenho agora em meu ser
São de achar um paraíso
Onde não será preciso
Trabalhar nem escrever.

– Trabalhar nem escrever?
Não é um pouco demais?
Como poderás ter paz,
Suspendendo teus escritos?
Os teus amigos, aflitos,
Irão à tua presença,
Talvez, sem pedir licença,
Adentrarão em teu lar
Chegarão a implorar
Que voltes a escrever
E tu, já posso prever,
Começarás a chorar!

– Já comecei a chorar,
Só de ler tua poesia.
Eu não imaginaria
Resposta dessa maneira.
Era só uma brincadeira
O que há pouco eu escrevia.
Parar de fazer poesia
Não depende de eu querer
Me desculpe por dizer
Que pensei nisso algum dia.