domingo, 19 de agosto de 2007

O SAPO, PARA RECITAIS


Esta é uma versão resumida do cordel do sapo e do saco. É uma versão para recitais, pois a original ficaria muito longa para ser cantada, mas a essência da história está aí...


UM SAPO DENTRO DE UM SACO

Andando por esse mundo
Já vi muito bicho feio.
Por isso, dificilmente
Me espanto ou me aperreio.
Mas tive um certo receio
Ao encontrar, num buraco,
Um sapo dentro de um saco;
Um saco com um sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Era uma noite escura,
Eu voltava para casa,
Quando ouvi alguma coisa,
Como um batido de asa,
Como água apagando brasa,
Como a queda de um barraco.
E era um sapo dentr’um saco;
Um saco com um sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Apurei o meu ouvido
Pra saber de onde partia
Aquele barulho estranho,
Aquela meia-agonia.
Medo mesmo eu não sentia,
Mas fui ficando velhaco.
Com o sapo dentr’o saco;
E o saco com o sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Então, fui me aproximando
No meio da escuridão.
Como eu não via nada,
Fui assim, passando a mão.
Procurando pelo chão,
Como quem cata cavaco,
O sapo dentro do saco;
O saco com o sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Enquanto eu tateava,
Continuava o barulho.
Foi aí que, bem do lado
De um monte de entulho,
Tropecei num pedregulho
E caí feito um pau fraco,
Perto do sapo no saco;
Do saco com o sapo dentro;
Do sapo fazendo papo
E do papo fazendo vento.
Quando caí, o meu braço
Entrou numa cavidade
Onde alguém, um pouco antes,
Fez suas necessidades.
Naquela velocidade,
Atolei até o sovaco.
E o sapo dentro do saco;
E o saco com o sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Quando eu quis me levantar,
Minha surpresa foi tamanha
Que fui caindo de novo,
Como uma lata de banha.
Pulou uma coisa estranha
Para fora do buraco.
Era o sapo dentr’o saco;
O saco com o sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Assustado com a coisa
Que se sacudia inteira,
Que fazia mais zoada
Do que vendedor na feira,
Bati a mão na peixeira,
Joguei de lado o casaco,
Meti a faca no saco,
No saco com o sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Dei mais de vinte facadas,
Não acertei uma só.
Mesmo eu sendo acostumado
A “rejetar” mocotó.
É difícil até mocó
Escapar quando eu ataco.
Mas o sapo dentr’o saco,
E o saco com o sapo dentro,
Pulava e dava sopapo
Com o papo fazendo vento.

Fui embora cabisbaixo,
E aprendi a lição,
De não sair chafurdando
No meio da escuridão.
Não fujo de assombração,
Mas nunca mais me atraco
Com um sapo dentr’um saco;
Um saco com um sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.




(Do livro "Uma sentença, uma aventura e uma vergonha", de Marcos Mairton da Silva)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

PETIÇÃO EM VERSOS


PEDIDO DE LIBERDADE PROVISÓRIA

Recebi esta de meu amigo Marconi Araújo, da Justiça Federal da Paraíba.

206.2007.000523-2
Descriao Estatuto do Desarmamento - lei 10826/03
Vara 1ª Vara da Comarca de Bezerros
Juiz Paulo Alves de Lima
Data 21/06/2007 12:24
Fase Devolução de Conclusão

Autos nº 206.2007.000523-2.
Pedido de Liberdade Provisória.
Parecer do Min. Público (fls. 19/21).
Autuado: JOSÉ SANDRO VENCESLAU DA SILVA.
Vistos, etc...

José Sandro V. da Silva,
Através do advogado
Doutor Nivaldo Santino,
Pediu pra ser liberado,
Dizendo que sua prisão
Decorreu de autuação
Porque estava armado.

Mas afirma que a arma
Era um mero bacamarte,
Usado pra comemorar
Uma festa que faz parte
Do folclore da cidade,
que se usa, sem maldade,
na terra do PAPANGUARTE.

A petição está em verso,
Narrando o acontecido,
A tristeza do requerente,
De se achar recolhido,
Sem entender a razão,
Por se dizer um cidadão
E não ser nenhum bandido.

E para não trair os fatos
E registrá-los fielmente,
Peço vênia ao defensor
Do acusado/defendente,
Para transcrever a peça,
Que está, assim, expressa
EM POESIA DE REPENTE:

"Doutor Juiz, peço vênia
E vossa COMPREENSÃO,
Pela forma INUSITADA
Dessa humilde petição.
Mas também inusitado,
Por todos considerado,
Foi a razão dessa prisão".

"Seu Juiz, o requerente,
Bom nordestino - que é -,
Homenageava o Santo,
Como a sua crença quer,
Usando seu bacamarte,
Que, do folclore, faz parte,
Praticando a sua fé".

"Trazido, pela Polícia,
Sem entender a razão,
O requente foi preso,
Pois, sem autorização,
Foi, em flagrante autuado,
Mas, porém, tá desolado
Com esta situação"

"Foi no dia dezesseis (16)
De junho, mês de fogueira,
Que o requerente foi preso,
Fazendo tal brincadeira,
Tendo o Doutor Delegado,
De Pronto, lhe AUTUADO,
Conforme a lei brasileira".

"O BACAMARTE é guardado
E DO SEU LUGAR SÓ SAI
Neste exato MÊS de junho,
Quando o momento se apraz;
É usado por BRINCANTES,
Como fizeram os VOLTANTES
Da guerra do Paraguay".

"Um TIRO de bacamarte,
seu Juiz, Chama atenção.
Mas NÃO É atrevimento,
Tampouco PERTURBAÇÃO;
É COSTUME e via eleita
Pra agradecer a colheita
E ACORDAR São João".

"O bacamarte, doutor,
BRINQUEDO, ... É;
ARMA..., NÃO!
Se usa todos os anos,
Nas FESTAS de São João,
Pra HOMENAGEAR o santo
E MANTER A TRADIÇÃO".

"Existe, em nossa cidade,
E também na REGIÃO,
Grupos de BACAMARTEIROS,
Que têm bela FORMAÇÃO;
Acolhem MULHER e HOMEM,
De BATALHÃO tem o nome,
Mas têm AUTORIZAÇÃO".

"A Lei do desarmamento
A TRADIÇÃO contraria:
A arma não tem registro;
Por isso, TAL AGONIA,
O requerente tá preso,
Mas é justo o seu desejo,
De ser solto neste dia".

"Liberdade Provisória,
O PEDIDO está feito
Dentro da LEGALIDADE
Da justiça e do DIREITO,
Já que o réu é PRIMÁRIO,
TRABALHADOR com salário
E é CIDADÃO perfeito".

"Requer, com ou sem fiança,
Já que, agora, a lei permite;
PROMETE COMPARECER
Aos ATOS que a lei insiste,
A todas as AUDIÊNCIAS.
Só não se for por DOENÇA.
Mesmo assim, que justifique".

"Tá na CONSTITUIÇÃO
Ao cidadão GARANTIDO,
Lá no seu artigo quinto (5º),
Escrito em seus incisos,
Que ninguém será levado,
Sem ainda ser culpado,
À prisão e lá MANTIDO...".

"LIBERDADE provisória
É REGRA; Não, exceção.
Sendo do preso o DIREITO
DE entrar com PETIÇÃO,
Pedindo o seu livramento,
Provando com documentos
Que é um bom CIDADÃO".

"Roga-se ao douto julgador
a PROCEDÊNCIA do pedido,
Dado ao periculum in mora,
Conforme tá entendido,
Com vistas ao MP,
Para que dê PARECER
E seja o RITO cumprido".

"O pedido tem AMPARO
Na CARTA Constitucional
E também é APOIADO
No Código Processual.
Neste, sem nenhum revés,
É o TREZENTOS E DEZ
O ARTIGO PRINCIPAL".

"Ta no Parágrafo Único
Do ARTIGO em questão
O DIREITO ao benefício
DA SUA LIBERAÇÃO,
Pois o pleito é ALTIVO
E não existe MOTIVO
Que autorize a prisão".

"Se for FIANÇA, se ampara
Num BENEFÍCIO COMUM.
Aí, o artigo em voga,
é 321 (trezentos e vinte e um),
Sendo DIREITO LATENTE
Que faz jus o requerente
A favorável DESISUM".

"Por HIPOSSUFICIÊNCIA,
Faz um apelo ao Doutor,
SE ARBITRADA A FIANÇA,
Conforme requisitou,
Por necessidade pura
Pra não ficar na penúria,
Seja MÓDICO O VALOR".

"O requerente FAZ JUS
AO PEDIDO IMPETRADO,
Pois de BONS antecedentes,
PRIMÁRIO e bem SITUADO,
Tendo também bom conceito,
Sendo sujeito DIREITO,
Por todos CONSIDERADO".

"Por todo o aqui exposto
E tendo, acima de tudo,
Fumaça do bom direito,
O CPP como ESCUDO,
Espera-se ter atingido
A clareza do pedido,
Toda forma e conteúdo".

"Pra botar ponto final
No justo REQUERIMENTO,
Também atender a forma
Como exige o REGIMENTO,
NESTES TERMOS,
PEDE E ESPERA,
Aguarda o DEFERIMENTO".

"Hoje é 18 DE JUNHO,
No calendário cristão.
A cidade é BEZERROS
E, conforme procuração,
Totalmente respaldado,
NIVALDO, o advogado,
ASSINA A PETIÇÃO".

Foi esse o PEDIDO feito,
Em nome do AUTUADO,
E que resolvo CONCEDER,
porque está fundamentado,
de acordo com o PARECER,
que julgo por bem ACOLHER,
pra LIBERTAR O ACUSADO.

Ordeno que seja expedido
O ALVARÁ DE SOLTURA
Em favor do AUTUADO,
Que diz ser da agricultura
Na cidade de J. BORGES,
A maior das grandes vozes
Na arte da XILOGRAVURA.

Faça constar no ALVARÁ
O DEVER do AUTUADO
De VIR A ESTE JUÍZO,
Para ser COMPROMISSADO.
Na forma da LEI em vigor
E dê ciência ao PROMOTOR
E ao DEFENSOR do acusado.

PUBLICADO aos 21 DE JUNHO
DO ANO andante ou fluente
(ou seja, em DOIS MIL E SETE)
NO CARTÓRIO competente,
Este despacho PROLATADO
________________________
por Paulo Lima - o magistrado,
UM AMANTE DO REPENTE.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

CORDEL URBANO


UMA VISITA INESPERADA

Sou um poeta urbano
Nascido na capital
Cresci na cidade grande
Me criei no litoral
E isso me trouxe um problema
Na verdade um dilema
Que custei a resolver:
Sempre quis fazer cordel
Mas diante do papel
Não sabia o que escrever.

Pois os grandes cordelistas
Dentre os quais eu conhecia
Adotavam como tema
Para sua poesia
As coisas lá do sertão
Cangalha, sela, gibão,
A vida do sertanejo,
Todas coisas que, em verdade,
Morando aqui na cidade
Eu não encontro nem vejo.

Sendo assim, pensava eu,
Como é que eu vou fazer
Poesia de cordel
Sem sequer eu conhecer
Uma casa de farinha
O ninho d’uma rolinha
Uma jumenta amojada
Uma cabaça, uma tramela,
Água de pote, gamela,
Uma galinha deitada?

Eu sei que o cordel existe
Desde as antiguidades
Divulgando as notícias
Espalhando novidades
Num tempo em que não havia
Como existe hoje em dia
Rádio nem televisão
E os poetas se inspiravam
Com tudo que encontravam
Na cidade ou no sertão.

Mas aqui neste Brasil
É um fato inconteste
Que o cordel cresceu mesmo
Foi na Região Nordeste.
Falando de cangaceiros,
Cantadores, boiadeiros,
Sua vida e sua luta,
Os folhetos no cordão
São a melhor expressão
Da poesia matuta.


Patativa já dizia,
Com muita propriedade,
Pra não cantar o sertão
O poeta da cidade.
E falava abertamente,
Do seu jeito eloqüente:
“Vosmicê, da capitá,
Pode cantá, seu dotô,
Mas faça a mim um favô,
Cante lá que eu canto cá”.

Por isso, o homem letrado,
Que aos poucos passei a ser,
Ficava meio acanhado
Quando queria escrever
A poesia simplória
Que tão bem conta a história
Desse povo nordestino,
Pois estava habituado
Ao falar sofisticado
Que aprendi desde menino.

Mas um dia aconteceu
Um fato surpreendente
Que fez toda essa história
Ter um rumo diferente.
Despertando a poesia
Que eu comigo trazia
Mas estava adormecida,
Ou talvez aprisionada,
E, uma vez libertada,
Mudaria minha vida.

Era uma noite de chuva
E eu me deitei para ler
Mas foi só pegar no livro
Para logo adormecer.
Dormia profundamente
Quando uma voz insistente
Pelo meu nome chamava
E foi tanta a insistência
Que mesmo com resistência
Aos poucos eu acordava.

Então pensei: – Quem será?
Quem é que está me chamando?
Que não respeita meu sono
Quando eu estou descansando?
O que há de tão urgente
Que não pode esse vivente
Esperar eu acordar?
Haverá necessidade
De a minha tranqüilidade
Alguém vir atrapalhar?

E fui abrindo meus olhos
Assim, meio chateado,
E me sentando na rede
Onde eu estava deitado,
Quando vi ali presente
Uma multidão de gente
Que estava ali comigo
Gente que eu não conhecia
Mas todo mundo sorria
Como se fosse amigo.

Eu não entendi aquilo
Fiquei até assustado
Mas tentei me acalmar
E não ser mal educado.
Então fui me levantando
A todos cumprimentando
Acenando com a mão
Esperando que alguém
Cumprimentasse também
E me desse explicação.

Afinal, naquela noite,
Por ninguém eu esperava.
Nem parente, nem amigo.
Nem mulher eu aguardava.
Imagine então pessoas
Que até pareciam boas
Mas que eu não conhecia
Chegando assim, de repente,
Surgindo na minha frente
Naquela hora tardia.

Mas antes que eu perguntasse
O que estava acontecendo
Um senhor de meia-idade
Já foi logo me dizendo:
– Fique tranqüilo, rapaz,
Nossa visita é de paz,
Viemos só lhe dizer
Da emoção e alegria
Que a muitos você daria
Começando a escrever!

Tem tanta história boa
Que você tem pra contar,
Tanto caso interessante
Pra você compartilhar.
Não é justo esconder
O quanto tem a dizer
É melhor começar, já!
Não seja tão egoísta
Você sabe que o artista
Vai aonde o povo está!

Perguntei: – Quem é você?
Sobre o que está falando?
E quem são essas pessoas
Que estão lhe acompanhando?
É alguma brincadeira
Que assim, dessa maneira,
Vocês chegaram fazendo?
É melhor esclarecer
Pra que eu possa entender
O que está acontecendo.

Enquanto eu perguntava
O homem sorriu pra mim
E me disse: – Nos desculpe,
Não se aborreça assim!
Não foi para lhe irritar
Nem tampouco pra brincar
Que até aqui nós viemos.
Queremos ver libertado
O poeta aprisionado
Que até hoje conhecemos!

Pois nós aqui já vivemos,
Como poetas também
Até que fomos chamados
Para cantar no além.
Mas lá ficamos sabendo
Do que estava acontecendo,
Da sua dificuldade,
Para fazer poesia
Achando que só sabia
Cantar coisas da cidade.

Meu amigo, deixe disso!
Por que a preocupação?
A fonte da poesia
Brota é do seu coração!
No sertão ou na cidade
Sua sensibilidade
Responde do mesmo jeito.
E pra sua poesia
Seja a noite, seja o dia
Tudo faz o mesmo efeito!

Cante as coisas da cidade!
Cante as coisas do sertão!
O amor pela mulher,
O amor pelo irmão
O prazer, o sofrimento,
A alegria, o lamento,
Cante tudo o que encontrar
Pois tudo o que se aproxima
É uma fonte de rima
Para quem sabe rimar!

É essa a grande mensagem
Que viemos lhe trazer
E não esqueça os amigos
Que acaba de conhecer:
Expedito Sebastião,
Que de Cícero Romão
Foi um grande defensor,
João Ferreira, com estilo,
Das “Proezas de João Grilo”
Foi o verdadeiro autor.

Estão também Apolônio,
Zé Camelo e Aderaldo,
Que eu nem preciso dizer
Da sua fama e respaldo.
João Melchíades, o famoso,
Do “Pavão Mysteriozo”,
E, dentre esses grandes nomes,
Este, que lhe fala agora,
Mas já precisa ir embora,
Seu servo, Leandro Gomes.

Enquanto ele falava
Eu chorava emocionado
Agradecendo a Deus
Por ser tão abençoado.
E eles, sempre sorrindo,
Aos poucos foram saindo,
Me deixando ali sozinho
E foi desde aquele dia
Que a minha poesia
Tomou um outro caminho.

Hoje, quando eu me lembro
De todo aquele ocorrido
Fico até me perguntando
Terá mesmo acontecido?
Ou será que foi um sonho
Aquele povo risonho
Ter ido me visitar?
Eu na verdade não sei
Mas o fato é que passei
A qualquer coisa cantar.

Os barulhos da cidade,
Fumaça, poluição,
Menino pedindo esmola
Polícia atrás de ladrão
Buzina, medo de assalto,
Mulher de sapato alto,
Gente apressada correndo.
Tudo vira poesia
Desde quando nasce o dia
Nos versos que vou fazendo.

Se estou dentro de casa
Tem o ar-condicionado
O forno de micro-ondas
Um computador ligado.
Lá fora é academia
Shopping-center, gritaria,
Um prédio em construção
É bombeiro, é ambulância
E lá se vai a infância
No meio da agitação.


Para fazer os meus versos
Não falta matéria prima
Um elevador que desce
Um outro que vai pra cima
Uma van que vai parando
E nela alguém vai chegando
Atrasado pro trabalho.
Numa mesa improvisada,
Alguém vende, na calçada,
Caneta, isqueiro e baralho.

É assim que vou cantando
As coisas da capital.
Canto os engarrafamentos
Os artistas do sinal.
Até na universidade
E em muita solenidade
Acabei achando um jeito,
De apresentar bem rimado
O tema que era estudado
Na Ciência do Direito.

Já fiz verso até julgando
Um caso mesmo real.
Depois contei a história
Da Justiça Federal.
Cheguei também a narrar
Uma briga em um bar
Quando enfrentei o cão
E uma bengala encantada
Que me foi presenteada
Me tirou da aflição.

Foi assim, caros amigos,
Como tudo começou
Quando de uma vez por todas
A poesia passou
A ser minha companheira.
E pela vida inteira
Há de me acompanhar
E assim eu vou cantando
Divertindo e alegrando
Quem quiser me escutar.


(Autor: Marcos Mairton da Silva)

(Do Livro "Uma sentença, uma aventura e uma vergonha; e outras poesias de cordel").

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