segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Cordel e Xilogravura




100 ANOS DA PARCERIA XILOGRAVURA-CORDEL

Começa hoje em Juazeiro do Norte, Ceará, o seminário “100 anos da xilogravura ilustrando o cordel”. De fato, xilogravura e cordel tem andado há tanto tempo juntos que a imagem mais característica do cordel é sempre o folheto com a xilogravura impressa na capa, embora hoje já seja muito comum a utilização de outras técnicas, especialmente quando o cordel é impresso em livros, e não em folhetos.
Eu mesmo, apesar de sempre ter aplicado xilogravuras em meus folhetos, já usei desenhos a carvão, como no exemplo abaixo, feito pelo poeta e artista plástico Gilvan Lopes, de Assu, Rio Grande do Norte:


Ilustração do cordel "O viajante e o sábio" do Livro "Uma sentença, uma aventura e uma vergonha".

Segundo a matéria publicada no Diário do Nordeste:

100 anos depois, artistas-xilógrafos continuam sendo formados na arte de ilustrar o cordel. Juazeiro do Norte, o grande celeiro do Brasil. De hoje a sexta-feira, acontece, no município, o seminário ‘100 anos da xilogravura ilustrando o cordel”. Para quem decretou a morte desse ofício nos anos 60, no advento da indústria cultural dos frankfurtianos, não pensava no volume de pesquisas em torno do assunto a se lançar. Novas linguagens para traduzir o mundo e os seus encantos. Mas continua no papel jornal a linha da trova, desde os inícios, com a oralidade e também o rebuscamento da arte na matriz da umburana.O cordel ilustrado com uma xilogravura, escrito por Francisco das Chagas Batista, em 1907, com “A História de Antônio Silvino”, marca o centenário. A autoria da xilo é desconhecida, mas o professor da Universidade de Brasília (UnB), em Sociologia do Conhecimento, Geová Sobreira, destaca os traços primorosamente trabalhados, com finos detalhes de acabamento, riscos delicados e profundos (clique aqui para ler a íntegra).

O jornal destaca ainda o trabalho de José Lourenço, como um dos “nomes contemporâneos que marcam época e contribuem para a solidez de uma atividade morta e ressuscitada, a xilogravura” (
clique aqui para ler a íntegra). Tive a oportunidade de conhecer José Lourenço, pessoalmente, em Juazeiro do Norte, nas várias vezes em que estive na Lira Nordestina, um lugar mágico, onde se encontram artistas do cordel e da xilogravura de todos os cantos do mundo.




Neste post, vários exemplos de ilustrações de cordel feitas em xilogravura, com a curiosidade de que as encontrei em um site da Itália. Segundo o texto, os livretos de cordel se encontravam, e ainda se encontram, em todas as grandes feiras populares brasileiras. A banca de Apolonio Alves dos Santos permaneceu por anos na Praça do Paço Imperial, na Feira de São Cristóvão, onde havia declamação e venda dos folhetos.
Diz o texto original:

"I libretti de cordel si trovavano, e ancora si trovano, in tutte le grandi fiere popolari brasiliane. A Rio de Janeiro il banchetto di Apolonio Alves Do Santos ha stazionato per anni nella piazza del Pa?o Imperial e si era ritagliato un posto di riguardo alla Fiera nordestina di San Cristovao. A volte il venditore improvvisava il racconto, più spesso si limitava alla vendita dei folhetos. Come nella tradizione dei cantastorie di tutto il mondo, la fabulazione, orale, scritta, disegnata, riguardava e riguarda i grandi fatti che colpiscono la fantasia popolare, i delitti più trucidi e efferati, le calamità naturali più rovinose, le ingiustizie sociali. In più, nel nordeste del Brasile, c'era da raccontare l'epopea leggendaria dei cangaceiros."

"La literatura de cordel nasce nel sertao dove un latifondismo feudale aveva umiliato e oppresso per secoli i contadini poveri costretti a una vita aspra, al limite della sopportazione, da cui partirsi per andare a cercar fortuna lontano, nel sud del paese. Il sertao è la terra 'maledetta' che aveva visto le più dure lotte sociali del Brasile e dove il banditismo poteva essere letto, inevitabilmente, anche come momento di riscatto sociale. Per chi non ce la faceva a ribellarsi, il poter almeno ascoltare le gesta mirabolanti del bandito Lampiao e della sua Maria Bonita era motivo di orgoglio e speranza."






quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Literatura de cordel e educação


ARIEVALDO VIANA E O CORDEL NA SALA DE AULA

Li, semana passada, o cordel
“O Jumento Melindroso Desafiando a Ciência”, do poeta cearense Arielvaldo Viana. Bom demais!
Aliás, já faz um bocado de meses que não tenho contato Arievaldo. Cabra bom.
Pra quem não conhece ainda, sua minibiografia está no site da
Academia Brasileira de Literatura de Cordel, e diz o seguinte: “Poeta popular, radialista e publicitário, nasceu em Fazenda Ouro Preto, Quixeramobim-CE, aos 18 de setembro de 1967. Desde criança exercita sua verve poética, mas só começou a publicar seus folhetos em 1989, quando lançou, juntamente com o poeta Pedro Paulo Paulino, uma caixa com 10 títulos chamada Coleção Cancão de Fogo. É o criador do Projeto ACORDA CORDEL na Sala de Aula, que utiliza a poesia popular na alfabetização de jovens e adultos. Em 2000, foi eleito membro da ABLC, na qual ocupa a cadeira de nº 40, patronímica de João Melchíades Ferreira. Tem cerca de 50 folhetos e dois livros públicados: O Baú da Gaiatice e São Francisco de Canindé na Literatura de Cordel”.
Segundo Arievaldo, “Patativa não era analfabeto”, ao contrário, “tinha influências de Castro Alves, Gonçalves Dias, Camões e outros poetas eruditos, que sempre leu com freqüência” (
entrevista em janeiro deste ano para www.overmundo.com.br).
O projeto ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA é um exemplo fantástico da integração escola-cultura. Seguem as primeiras estrofes da “Introdução em Versos”:

NEM MATUTO, NEM ERUDITO
ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA

Para quem ama o cordel
Porém só vê poesia
Nessa linguagem matuta
Pru quê, pru mode, pru via,
Tendo o sertão como tema
Pode esquecer meu poema
Bater noutra freguesia.

Pois eu procuro escrever
Num correto português.
E se acaso eu errar
Duas palavras ou três
Não foi por querer errar,
Foi procurando acertar,
Isso eu garanto a vocês.

O cordel é um veículo
De grande penetração.
Nas camadas populares
Possui grande aceitação.
Se a métrica não quebra o pé,
Tem contribuído até
Para alfabetização.

Eu vejo grande beleza
Nos versos de Patativa,
De Zé da Luz, de Catulo...
É arte que me cativa,
Mas se usá-la na escola
A língua do aluno enrola
Do entendimento lhe priva.

Pois o cordel sendo usado
Para ALFABETIZAÇÃO
Deve respeito à linguagem
Corrente em nossa nação.
Não deve ensinar errado,
Nem pode ser embalado
Nas plumas da erudição.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Literatura de cordel na Expocom


O CORDEL QUE VIROU RADIONOVELA

Uma das maiores alegrias que tive este ano foi ouvir a adaptação para radionovela do meu cordel “O advogado, o diabo e a bengala encantada”, feita por alunos de Jornalismo da Universidade de Fortaleza - UNIFOR. Sempre tive um carinho especial por esse cordel, pois foi o primeiro que publiquei em folheto. Foi por meio da Lira Nordestina, quando eu morava em Juazeiro do Norte-CE.

A adaptação acabou sendo vencedora da
Expocom Nordeste 2007, realizada em Salvador, e nestes dias 30 de agosto a 02 de setembro de 2007 está concorrendo na Expocom Nacional.

Torcendo por seu êxito, apresento a seguir o texto original completo, mas antes, veja a ficha técnica da obra adaptada e baixe o
MP3.


FICHA TÉCNICA
Rádio novela com texto adaptado do cordel de Marcos Mairton da Silva.

Resumo: O drama acontece em Fortaleza, onde um advogado sai para desopilar no final de expediente. Ao chegar no bar que costuma frequentar, logo é abordado por uma figura que pede para senta-se a sua mesa. Depois de muita conversa, o advogado acaba descobrindo que o sujeito é na verdade o satanás e tenta escapar. O diabo não gosta e chama sua turma para atacar o "desafiante", que sem forças para enfrentar a legião de demonios convoca o Padim Ciço para ajuda-lo.

Professora: Ana Paula Farias

Monitora: Maria Isabel

Alunos (Turma de Rádio Jornalismo 1 - 2006.1)

Cláudio Neto: O Véi

Fábio Thé: Dr. Jorge

Clebiana Kate: Dona Jandira

Leonardo Capibaribe: Cão Homi

Ronaldo Pinto: Diretor, editor e produtor.

Samara Passos: Cão Muié

Thiago Sampaio: Produtor e narrador

Vitória Costa: Lindinha

Yargo Gurjão: Deus

Operadores de som:Kiko Silva Sergio Freitas


Músicas:

Quem é o gostosão: Mano Maranhão

É bom para o Moral: Rita Cadilac

Baba baby: Kelly Key

Obs: Triha sonora instrumental usada como BG pertence ao Filme Dácula.

Legião de Cão: As vozes dos políticos são originais e foram extraidas dos programas eleitorais veiculados na televisão e rádio.

O Advogado, o diabo e a bengala encantada (texto original)


Meus amigos e amigas
O caso que eu vou contar
Ocorreu em Fortaleza
Na calçada de um bar:
Fingindo ser meu amigo
O diabo bebeu comigo
E depois não quis pagar.

Eu era advogado
E tinha uma mania
De segunda a quinta-feira
Trabalhava noite e dia
Mas não fazia segredo
Sexta parava mais cedo
E uma cerveja bebia

Assim, numa sexta-feira
Estava anoitecendo
Eu saíra do trabalho
E estava no bar bebendo
Quando um sujeito chegou
Da mesa se aproximou
E foi logo me dizendo:

– Boa noite cidadão,
Posso me sentar aqui?
Pra ouvir sua conversa
E você também me ouvir?
Tomarmos uma cerveja
Comer um pouco que seja
Desse feijão com pequi?

Eu disse: – Não lhe conheço,
Mas tenho educação.
Se quer beber, vá bebendo,
Pode comer do feijão,
Mas antes se identifique
Até pra que eu não fique
Pensando que é ladrão.

O cabra disse: – Pois não,
Eu sou muito conhecido
E embora com você
Eu nunca tenha bebido
Se eu contar minha história
E você tiver memória
Vai ver que não sou bandido.


Faz muito tempo que eu ando
Por esse mundo cruel
Viajando sem destino
Vagando sem rumo, ao léu
Desde que, por uma intriga,
Me meti em uma briga
Logo com o dono do céu.

Foram dizer para ele
Que eu havia falado
Que ao povoar a terra
Ele havia se enganado
Pois num mundo tão bacana
Não podia a raça humana
Por aqui ter se espalhado.

E, de fato, eu tinha dito
Mas sem qualquer intenção
Que ao entregar o planeta
A essa população
Ele condenou a Terra
À violência e à guerra
Não havia salvação.

Uma terra tão bonita
A natureza tão bela
Que Ele desse para mim
E eu viveria nela
Se Ele me criou perfeito
Eu saberia o jeito
De cuidar muito bem dela.

Quando Ele soube o que eu disse
Mandou logo me chamar
Perguntou: “É o que desejas?
É lá que queres morar?
Seja feita a tua vontade
Junto com a humanidade
Haverás de habitar”.

Foi grande a humilhação
Que senti nesse momento
Não havia precisão
De tal achincalhamento
Um anjo tão preparado
Não podia ser tratado
Como um cão rabugento.


Desde então vivo na Terra
Com a determinação
De provar que eu tava certo
Em minha avaliação:
Mostrar que a humanidade
Não detém capacidade
De cuidar desse rincão.

É por isso que se diz
Que eu sou o rei do mal
Mas mal mesmo é o homem
Eu sou um anjo, afinal
Eu só faço incentivar
O homem a se enterrar
No seu próprio lamaçal.

Quando ouvi aquela história
Exclamei: – É o diabo!
Só não sei cadê os chifres
Onde escondeu o rabo!
E ele, muito polido,
Perfumado, bem vestido,
Perguntou: – Quer um quiabo?

– Nem quiabo, nem pequi
Não finja ser meu amigo
Eu tão quieto no meu canto,
O que o diabo quer comigo?
Diga sua intenção
Pois tenho a impressão
Que estou correndo perigo!

O diabo disse: – Ta não!
Eu estou aqui em paz
Só quero um advogado
Inteligente e capaz
Que esclareça meu passado
Pois de tão caluniado
Já não agüento mais.

Por isso ao ver o doutor
Sozinho aqui nesse bar
Pensei: essa é a hora
De com ele conversar
Vou contar meu sofrimento
E ele com muito talento
Vai virar esse placar.

Respondi: – Tu não me enganas
Me elogiando assim
Não venha com essa conversa
Logo pra cima de mim
Não vai ser por vaidade
Que vou chamar de bondade
O que tu faz de ruim.

– O que é isso, doutor,
Não rejeite esse cliente
O senhor vai ser bem pago
Vai enricar de repente
Vai ganhar tanto dinheiro
Que até seu perdigueiro
Vai ter banho de água quente.

Vai ter casa com piscina,
Cinco carros na garagem
Passear no estrangeiro
Todo mês uma viagem
E pra ganhar tudo isso
Quero só seu compromisso
De melhorar minha imagem.

Além de ganhar dinheiro
Inda vai ficar famoso
Todo mundo vai falar:
“Que advogado jeitoso
Fez do diabo um inocente
Querido de toda gente
O doutor é poderoso!”

– Essa história, Seu Diabo,
Eu já conheço de perto
Desde quando tu tentaste
O bom Jesus no deserto
Não me prometa mais nada
A conversa tá encerrada
Vá embora que é o certo!

Mas também não se ofenda
Com a minha reação
Só não peça minha ajuda
Para sua pretensão
Não posso ter competência
Se da sua inocência
Não tenho convicção.

Ele ouviu e não gostou
Ficou calado me olhando
Percebi que a cerveja
Já estava terminando
Pedi a conta e falei:
– Seu diabo, é “mei-a-mei”
Minha parte eu tô pagando!

Ele fez uma careta
E falou: – É engraçado!
Você bebeu quase tudo
E quer o custo rachado
Veja com quem tá mexendo
Pois assim você tá sendo
Por demais desaforado!

– Eu sei com quem to mexendo
E não sou desaforado
Mas se você bebeu pouco
Não sou eu que sou culpado
Se não tem como pagar
Também não vamos brigar
Pode ir, ta perdoado.

Quando eu disso isso pra ele
Despertei o animal.
Batendo a mão na mesa
Com força descomunal
Deu um rugido estridente
E falou por entre os dentes
Com uma voz de metal:

– Não diga que me perdoa
Pois nem Deus me perdoou
Desde aquele triste dia
Que do céu me escorraçou
Tu agora me ofendeu
E pra desespero teu
Um inimigo arranjou.

Eu aqui faço uma pausa
Pra explicar pro leitor
Que se não gosto de briga
Também não sou morredor
Desconheço o que é o medo
Durmo tarde, acordo cedo
Não sinto frio nem dor.

Não mexo com Seu Ninguém
Também não mexam comigo
Cumprimento todo mundo
Todo mundo é meu amigo
Mas quem pensa em me enfrentar
É melhor se preparar
Pra agüentar o castigo.

Assim, quando o capeta
Fez aquela cara feia
Olhei bem pra ele e disse:
– Se vier, meto-lhe a peia!
Dou-lhe na “tauba do queixo”
E depois ainda lhe deixo
Trinta dias na cadeia!

Ele não acreditou
Veio pra cima de mim
Eu saltei meio de banda
E dei-lhe um chute no rim
Ele saiu tropeçando
Nas mesas foi esbarrando
Gritei: – Diabo, hoje é teu fim!

Nessa hora ia passando
Um rapaz pela calçada
O diabo se apoderou
Daquela alma penada
E o rapaz dominado
Por aquele cão danado
Me deu logo uma pedrada.

Pra me defender da pedra
De uma mesa fiz escudo
Depois peguei uma cadeira
E saí quebrando tudo
Ao me ver tão irritado
O diabo assustado
Perdeu a voz, ficou mudo.

Aí eu me aproveitei
Daquela situação
E com muita agilidade
Dei outro chute no cão
E o rapaz da pedrada
Eu derrubei na calçada
E dei-lhe um “mata leão”.

Foi nessa hora que ouvi
O diabo dar um gemido
Percebi que ele tava
Ficando todo doído
Mas eu não sou brincadeira
Com um pedaço de madeira
Acertei-lhe o “pé-do-ouvido”.

Eu bati, ele caiu
Eu pensei: ta terminado.
Mas, que nada, a confusão
Só havia começado
Mal ele caiu no chão
Apareceu tanto cão
Vinha de tudo que é lado.

Vinha cão grande e pequeno
Vinha preto e vinha branco
Uns descendo a ladeira
Outros subindo o barranco
Deles, o mais abusado
Era um baixinho, entroncado,
Só de cueca e tamanco.

Vinha nu, vinha vestido
Vinha pelado e peludo
Tinha cão que era mocho
E cão que era chifrudo
Uns armados de tridente
Outros com espeto quente
Vinham espetando tudo.

Enfrentei aquela corja
E a luta foi sangrenta
Do baixinho de tamanco
Quebrei logo o “pau da venta”
Um gritou: – Pega o sujeito
E mete a faca nos peito
Quero ver se ele agüenta!

Naquela briga danada
Eu apanhava e batia
Às vezes eu atacava
Outras eu me defendia
Mas o que preocupava:
Cada um que eu derrubava
Outro logo aparecia.

Sentindo, então, que não dava
Para enfrentar sozinho
A legião de demônios
Que estava em meu caminho
Resolvi pedir ajuda
Gritei: – Meu Deus, me acuda!
Valei-me aqui meu Padinho!

Nessa hora se ouviu
O estrondo de um trovão
E diante dos meus olhos
Fez-se um grande clarão
No meio de tudo isso
Apareceu Pade Ciço
Me entregando seu bastão.

Com a bengala na mão
Que meu padrinho me deu
Criei mais disposição
Minha coragem cresceu
Saí dando bengalada
E logo a diabarada
Fugiu, desapareceu.

Enquanto eles corriam
Eu fiquei parado, vendo
O rapaz que eu derrubei
Foi então se reerguendo
E me dizendo: – Sei moço,
To com uma dor no pescoço
O que está acontecendo?

Eu disse: – Fique tranqüilo
Que o pior já passou
Estava havendo uma briga
Mas agora terminou
Aí toquei o bastão
Na nuca do cidadão
E a dor dele sarou.

Quanto às mesas e cadeiras
Que eu havia quebrado
Calculei o prejuízo
E deixei tudo acertado
Quando paguei a quantia
O dono do bar tremia
Tava um mau cheiro danado.

E fui para minha casa
Sem querer mais pensar nisso
Tentando esquecer um pouco
Todo aquele rebuliço
Mas carregando contente
Em minhas mãos o presente
Que ganhei do Padre Ciço.

Foi assim, caros amigos
Como tudo aconteceu
No dia que o diabo
Me enfrentou e perdeu
Nada disso eu inventei
Simplesmente lhes contei
Da maneira que ocorreu.

Infelizmente o que conto
Já não posso mais provar
Pois pra alargar a rua
Onde funcionava o bar
Demoliram o recinto
E o dono, Seu Zé Felinto,
Não sei onde foi morar.

O rapaz que me atacou
Me jogando uma pedrada
Eu não sei de quem se trata
Desconheço sua morada
Mas será que ajudaria,
Se naquele mesmo dia,
Não se lembrava de nada?

O leitor perguntaria:
– Por que não mostra o cajado?
Que o Padre Ciço lhe deu
Lhe fazendo abençoado?
Presente tão valioso
Que lhe fez tão poderoso
Você deve ter guardado.

Por muito tempo guardei
Como quem guarda dinheiro
Mas no dia em que cheguei
Pra morar no Juazeiro
Ouvi uma voz dizer:
– Já pode me devolver
Pro meu dono verdadeiro.

Ouvindo a voz entendi
Que a hora era chegada
De devolver para o Santo
A bengala encantada
E entre exvotos de madeira
Escondi a companheira
Que no museu foi deixada.

Pro isso do que eu conto
Não faço comprovação
Se o leitor não acredita
E quer ter confirmação
O mundo ta tão moderno
Telefone pro inferno
E vá perguntar pro cão!

Para mim o importante
É ter comigo a certeza
Que amando nosso irmão
Preservando a natureza
Deus está do nosso lado
Pode ficar descansado
Vencer o diabo é moleza.



quarta-feira, 29 de agosto de 2007

O cordelista imortal de Mossoró




A POESIA DE ANTONIO FRANCISCO
Em qualquer lista que reúna os grandes nomes da Literatura de Cordel, especialmente os que estão em atividade, não pode faltar o de Antônio Francisco. Mossoroense, Antonio Francisdo, nasceu a 21 de outubro de 1949, num bairro chamado Lagoa do Mato. É poeta popular, xilógrafo, compositor e ainda trabalha confeccionando placas. Um dado interessante é que, só após os quarenta anos, ele se dedicou ao ato de escrever. No dia 15 de maio de 2006 tomou posse na Academia Brasileira de Literatura e Cordel - ABLC, na cadeira de número 15, patronímica do poeta cearense Patativa do Assaré. É autor dos poemas, “Meu Sonho”, “O Guarda-Chuva de Prata”, “Os Sete Constituintes” ou “Os Animais têm Razão”, “Aquela Dose de Amor”, “A Oitava Maravilha” ou a “Lenda de Cafuné”, “A Cidade dos Cegos” ou “História de Pescador”, “As Seis Moedas de Ouro”, “A Arca de Noé”, “Do Outro Lado do Véu”, “Confusão no Cemitério”, “O Ataque de Mossoró ao Bando de Lampião”, “A Lenda da Ilha Amarela”, “Um Conto bem Contado”, “A Casa que a Fome Mora”, “Um Bairro Chamado Lagoa do Mato”, “O Duelo de Bangala”, “O Feiticeiro do Sal”, “Uma Carrada de Gente”, “No Topo da Vaidade”, “Uma Carta para a Alma de Pero Vaz de Caminha”, “Uma Esmola de Sombra”, “O Rio de Mossoró e as Lágrimas que eu Derramei”, “O Lado Bom da Preguiça”, “A Resposta” e “De Calça Curta e Chinela”, editadas em folhetos ou em seus livros “Dez Cordéis num Cordel Só”, “Por Motivo de Versos” e “Veredas de Sombras”, editados pela Queima Bucha.
Destaco, a seguir, a obra:

OS SETE CONSTITUINTES


Quem já passou no sertão
E viu o solo rachado,
A caatinga cor de cinza,
Duvido não ter parado
Pra ficar olhando o verde
Do juazeiro copado.

E sair dali pensando:
Como pode a natureza
Num clima tão quente e seco,
Numa terra indefesa
Com tanta adversidade
Criar tamanha beleza.

O juazeiro, seu moço,
É pra nós a resistência,
A força, a garra e a saga,
O grito de independência
Do sertanejo que luta
Na frente da emergência.

Nos seus galhos se agasalham
Do periquito ao cancão.
É hotel do retirante
Que anda de pé no chão,
O general da caatinga
E o vigia do sertão.

E foi debaixo de um deles
Que eu vi um porco falando,
Um cachorro e uma cobra
E um burro reclamando,
Um rato e um morcego
E uma vaca escutando.

Isso já faz tanto tempo
Que eu nem me lembro mais
Se foi pra lá de Fortim,
Se foi pra cá de Cristais,
Eu só me lembro direito
Do que disse os animais.

Eu vinha de Canindé
Com sono e muito cansado,
Quando vi perto da estrada
Um juazeiro copado.
Subi, armei minha rede
E fiquei ali deitado.

Como a noite estava linda,
Procurei ver o cruzeiro,
Mas, cansado como estava,
Peguei no sono ligeiro.
Só acordei com uns gritos
Debaixo do juazeiro.

Quando eu olhei para baixo
Eu vi um porco falando,
Um cachorro e uma cobra
E um burro reclamando,
Um rato e um morcego
E uma vaca escutando.

O porco dizia assim:
– “Pelas barbas do capeta!
Se nós ficarmos parados
A coisa vai ficar preta...
Do jeito que o homem vai,
Vai acabar o planeta.

Já sujaram os sete mares
Do Atlântico ao mar Egeu,
As florestas estão capengas,
Os rios da cor de breu
E ainda por cima dizem
Que o seboso sou eu.

Os bichos bateram palmas,
O porco deu com a mão,
O rato se levantou
E disse: – “Prestem atenção,
Eu também já não suporto
Ser chamado de ladrão.

O homem, sim, mente e rouba,
Vende a honra, compra o nome.
Nós só pegamos a sobra
Daquilo que ele come
E somente o necessário
Pra saciar nossa fome.”

Palmas, gritos e assovios
Ecoaram na floresta,
A vaca se levantou
E disse franzindo a testa:
– “Eu convivo com o homem,
Mas sei que ele não presta.

É um mal-agradecido,
Orgulhoso, inconsciente.
É doido e se faz de cego,
Não sente o que a gente sente,
E quando nasce e tomando
A pulso o leite da gente.

Entre aplausos e gritos,
A cobra se levantou,
Ficou na ponta do rabo
E disse: – “Também eu sou
Perseguida pelo homem
Pra todo canto que vou.

Pra vocês o homem é ruim,
Mas pra nós ele é cruel.
Mata a cobra, tira o couro,
Come a carne, estoura o fel,
Descarrega todo o ódio
Em cima da cascavel.

É certo, eu tenho veneno,
Mas nunca fiz um canhão.
E entre mim e o homem,
Há uma contradição
O meu veneno é na presa,
O dele no coração.

Entre os venenos do homem,
O meu se perde na sobra...
Numa guerra o homem mata
Centenas numa manobra,
Inda tem cego que diz:
Eu tenho medo de cobra.”

A cobra inda quis falar,
Mas, de repente, um esturro.
É que o rato, pulando,
Pisou no rabo do burro
E o burro partiu pra cima
Do rato pra dar-lhe um murro.

Mas, o morcego notando
Que ia acabar a paz,
Pulou na frente do burro
E disse: – “Calma, rapaz!...
Baixe a guarda, abra o casco,
Não faça o que o homem faz.”

O burro pediu desculpas
E disse: – “Muito obrigado,
Me perdoe se fui grosseiro,
É que eu ando estressado
De tanto apanhar do homem
Sem nunca ter revidado.”

O rato disse: – “Seu burro,
Você sofre porque quer.
Tem força por quatro homens,
Da carroça é o chofer...
Sabe dar coice e morder,
Só apanha se quiser.”

O burro disse: – “Eu sei
Que sou melhor do que ele.
Mas se eu morder o homem
Ou se eu der um coice nele
É mesmo que estar trocando
O meu juízo no dele.

Os bichos todos gritaram:
– “Burro, burro... muito bem!”
O burro disse: – “Obrigado,
Mas aqui ainda tem
O cachorro e o morcego
Que querem falar também.”

O cachorro disse: – “Amigos,
Todos vocês têm razão...
O homem é um quase nada
Rodando na contramão,
Um quebra-cabeça humano
Sem prumo e sem direção.

Eu nunca vou entender
Por que o homem é assim:
Se odeiam, fazem guerra
E tudo o quanto é ruim
E a vacina da raiva
Em vez deles, dão em mim.”

Os bichos bateram palmas
E gritaram: – “Vá em frente.”
Mas o cachorro parou,
Disse: – “Obrigado, gente,
Mas falta ainda o morcego
Dizer o que ele sente.”

O morcego abriu as asas,
Deu uma grande risada
E disse: – “Eu sou o único
Que não posso dizer nada
Porque o homem pra nós
Tem sido até camarada.

Constrói castelos enormes
Com torre, sino e altar,
Põe cerâmica e azulejos
E dão pra gente morar
E deixam milhares deles
Nas ruas, sem ter um lar.”

O morcego bateu asas,
Se perdeu na escuridão,
O rato pediu a vez,
Mas não ouvi nada, não.
Peguei no sono e perdi
O fim da reunião.

Quando o dia amanheceu,
Eu desci do meu poleiro.
Procurei os animais,
Não vi mais nem o roteiro,
Vi somente umas pegadas
Debaixo do juazeiro.

Eu disse olhando as pegadas:
Se essa reunião
Tivesse sido por nós,
Estava coberto o chão
De piubas de cigarros,
Guardanapo e papelão.

Botei a maca nas costas
E saí cortando o vento.
Tirei a viagem toda
Sem tirar do pensamento
Os sete bichos zombando
Do nosso comportamento.

Hoje, quando vejo na rua
Um rato morto no chão,
Um burro mulo piado,
Um homem com um facão
Agredindo a natureza,
Eu tenho plena certeza:
Os bichos tinham razão.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Versatilidade do cordel


CORDEL MATEMÁTICO E SAUDAÇÃO A ESTUDIOSOS DO DIREITO
Uma das coisas que mais chama a atenção na literatura de cordel é a sua capacidade de se adequar a todas as situações que aparecem. Serve para contar histórias, transmitir preceitos éticos, protestar contra a má atuação dos políticos. Serve até para ensinar matemática, como mostram os versos de RAIMUNDO ADRIANO, colhidos por ARIEVALDO VIANA no livro "Acorda Cordel na Sala de Aula":


Os anos de existência

Que essa garotinha fez

Podem ser cinco mais dois

Três mais quatro, um mais três

A metade de quatorze

Ou então dez menos três.


Este ano, por exemplo, fui convidado pelos meus amigos LEONARDO CARVALHO e SABINO HENRIQUE, organizadores do DIREITO 2007, um dos maiores eventos jurídicos do país, para fazer um pequeno recital, que aconteceria entre um painel jurídico e outro.

Percebendo a peculiaridade daquele momento, quando tantos estudiosos do Direito abriam espaço para a poesia popular, fiz a saudação inicial assim:


Boa noite a senhoras e senhores,
Como é grande a minha satisfação
De encontrar-me aqui, nesta ocasião,
Entre mestres, estudantes e doutores.
Grandes nomes, por demais conhecedores
Da Ciência do Direito que nos guia.
Não pensei, eu lhes confesso, que algum dia
Eu viesse, ante platéia tão seleta,
Exercer o meu ofício de poeta
Misturando o Direito e a poesia.

É por isso que aceitei com alegria
O convite tão gentil que me foi feito
Para entre estudiosos do Direito,
E profissionais da advocacia,
Vir mostrar que a lei não é letra fria,
Que é preciso em cada interpretação,
Por um pouco de amor e de emoção.
Que é usando nossa sensibilidade
Que aos poucos vamos, na realidade,
Construindo o direito da nação.

Neste encontro cuja coordenação
Foi entregue a Leonardo Carvalho
Meu amigo, eu conheço seu trabalho,
E também a sua organização.
Sei que é grande a sua preocupação
Em fazer com que em todo o evento
Tudo esteja acontecendo a contento
Para todos, bacharéis e estudantes
Convidados, assistentes, palestrantes
Estou certo, vai ser tudo cem por cento.

Eu percebo, olhando este documento
Que são muitas aqui as autoridades
Poderia até dizer celebridades
Que vieram pra este acontecimento.
Sendo assim, pra não haver constrangimento
Não vou mais dizer o nome de ninguém
Pode ser que eu esqueça de alguém
E esse alguém se aborreça assim comigo
Leonardo, em seu nome, meu amigo,
Eu saúdo a todos que aqui vêm.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

CIDADANIA CEARENSE DE ARIANO SUASSUNA

Foto: Marcos Campos, publicada no Jornal O POVO, de 18.08.2007.
SUASSUNA E O MOTE “SEU JOVENTINO É LADRÃO”

Na semana passada, dia 17 de agosto de 2007, o escritor Ariano Suassuna recebeu o título de Cidadão Cearense. Uma honra para o povo cearense ter um escritor dessa categoria entre seus cidadãos. Uma alegria para os escritores do Ceará tê-lo como conterrâneo.
Certa vez, eu estava assistindo TV, mudando de canal em busca de alguma programação interessante, quando me deparei com Ariano Suassuna, em uma palestra proferida em Fortaleza. Fiquei impressionado com o conhecimento e a capacidade de transmitir esse conhecimento, com alma, com emoção.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a declamação de duas poesias, uma bem curta, uma glosa, e a outra, a “Cantiga do Vilela”, que narra as valentias de um homem chamado Vilela, que desafiava a polícia no sertão nordestino.

Deixemos a Cantiga do Vilela para o próximo post.
Falemos agora da glosa, a qual, segundo narrou Suassuna, ocorreu em uma fazenda, no interior de um Estado do Nordeste, onde se apresentava um cantador. Todos sabem que, para um glosador, a maior vergonha que existe é receber um mote e não glosar. Não fazer a poesia correspondente. E estava lá o cantador se exibindo, quando chegou Seu Joventino, bêbado, com um revólver na cinta, e sentou na primeira fila. Aí, um desses “inimigos da humanidade”, como bem disse Suassuna, que estava sentado lá na última fila, gritou:

“Seu Joventino é ladrão!”.

O cantador ficou pálido. Fazer a glosa daquele mote era morte certa, pois o Seu Joventino, ali, na primeira fila, não deixaria barata uma ofensa. Mas o cantador começou o seu verso, “comendo pelas beiradas”, e deu no seguinte:

Assim, só se eu não glosar
Embora seja um defeito,
Mas não tendo outro jeito
Pode alguém se melindrar.
Agora vou me arriscar
A ofender um cidadão
Que com tanta educação
Podia ser meu amigo
Você diz, mas eu não digo:
SEU JOVENTINO É LADRÃO!

domingo, 19 de agosto de 2007

O SAPO, PARA RECITAIS


Esta é uma versão resumida do cordel do sapo e do saco. É uma versão para recitais, pois a original ficaria muito longa para ser cantada, mas a essência da história está aí...


UM SAPO DENTRO DE UM SACO

Andando por esse mundo
Já vi muito bicho feio.
Por isso, dificilmente
Me espanto ou me aperreio.
Mas tive um certo receio
Ao encontrar, num buraco,
Um sapo dentro de um saco;
Um saco com um sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Era uma noite escura,
Eu voltava para casa,
Quando ouvi alguma coisa,
Como um batido de asa,
Como água apagando brasa,
Como a queda de um barraco.
E era um sapo dentr’um saco;
Um saco com um sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Apurei o meu ouvido
Pra saber de onde partia
Aquele barulho estranho,
Aquela meia-agonia.
Medo mesmo eu não sentia,
Mas fui ficando velhaco.
Com o sapo dentr’o saco;
E o saco com o sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Então, fui me aproximando
No meio da escuridão.
Como eu não via nada,
Fui assim, passando a mão.
Procurando pelo chão,
Como quem cata cavaco,
O sapo dentro do saco;
O saco com o sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Enquanto eu tateava,
Continuava o barulho.
Foi aí que, bem do lado
De um monte de entulho,
Tropecei num pedregulho
E caí feito um pau fraco,
Perto do sapo no saco;
Do saco com o sapo dentro;
Do sapo fazendo papo
E do papo fazendo vento.
Quando caí, o meu braço
Entrou numa cavidade
Onde alguém, um pouco antes,
Fez suas necessidades.
Naquela velocidade,
Atolei até o sovaco.
E o sapo dentro do saco;
E o saco com o sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Quando eu quis me levantar,
Minha surpresa foi tamanha
Que fui caindo de novo,
Como uma lata de banha.
Pulou uma coisa estranha
Para fora do buraco.
Era o sapo dentr’o saco;
O saco com o sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Assustado com a coisa
Que se sacudia inteira,
Que fazia mais zoada
Do que vendedor na feira,
Bati a mão na peixeira,
Joguei de lado o casaco,
Meti a faca no saco,
No saco com o sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.

Dei mais de vinte facadas,
Não acertei uma só.
Mesmo eu sendo acostumado
A “rejetar” mocotó.
É difícil até mocó
Escapar quando eu ataco.
Mas o sapo dentr’o saco,
E o saco com o sapo dentro,
Pulava e dava sopapo
Com o papo fazendo vento.

Fui embora cabisbaixo,
E aprendi a lição,
De não sair chafurdando
No meio da escuridão.
Não fujo de assombração,
Mas nunca mais me atraco
Com um sapo dentr’um saco;
Um saco com um sapo dentro;
O sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento.




(Do livro "Uma sentença, uma aventura e uma vergonha", de Marcos Mairton da Silva)