quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Lançamento de Uma Aventura na Amazônia



LANÇAMENTO COM RECITAL


Bom demais o lançamento do meu "Uma aventura na Amazônia", ontem, em Fortaleza. Parentes e amgos dando o maior apoio.
Na foto, trecho do recital, quando cantei acompanhado da Cactus Kid, formada por Abimael (guitarra), Moreira (violão), João Paulo (baixo) e Chicão (bateria).

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Lançamento em Fortaleza: Uma aventura na Amazônia



"Uma aventura na Amazônia": Consciência ecológica e aventura


O lançamento de "Uma aventura na Amazônia" em Fortaleza acontecerá amanhã, terça-feira, dia 18, às 19h30, na livraria Oboé do shopping Center Um.


O livro traz a história de Daniel, um menino de 10 anos que se aventura em um passeio pela selva amazônica.

O tráfico de animais é o tema abordado pelo texto, estimulando o despertar da consciência ecológica nas crianças em uma trama que promete prender a atenção não só dos pequeninos, como também dos adultos.


Com ilustrações do paraense Rafael Limaverde, o livro conta ainda com um glossário com explicações sobre a fauna e flora da Amazônia e de todas as palavras indígenas utilizadas no texto.


Serviço:
Lançamento de “Uma Aventura na Amazônia” (Editora Conhecimento, R$25,00), de Marcos Mairton da Silva, terça-feira, dia 18, à 19h30, na Livraria Oboé, no Shopping Center Um. Informações: 3087.5902

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Cordel e Cearês



O JEITO DE FALAR DO POVO CEARENSE

Meu amigo MARCOS MIRANDA, morando atualmente em Brasília, enviou-me essa contribuição.

O LINGUAJAR CEARENSE
AUTORA: JOSENIR A. DE LACERDA
CADEIRA Nº 3 DA ACADEMIA DOS CORDELISTAS DO CRATO

Todo poeta de fato
É grande observador
Seja da rua ou do mato
Seja leigo ou professor
Faz verdadeira pesquisa
Vasto estudo realiza
Buscando essência e teor

Por esse nato talento
Na hora de versejar
Busca o tema e o momento
Visa o leitor agradar
Não sente conformação
Se não passa a emoção
Que dentro do peito está

Neste cordel-dicionário
Eu pretendo registrar
O rico vocabulário
Da criação popular
No Ceará garimpei
Juntei tudo, compilei
Ao leitor quero ofertar

Se alguém é desligado
É chamado de bocó
Broco, lerdo e abestado
Azuado ou brocoió
Arigó e Zé Mané
Sonso, atruado, bilé
Pomba lesa e zuruó

Artigo novo é zerado
Armadilha é arapuca
O doido é abirobado
Invencionice é infuca
O matuto é mucureba
Qualquer ferida é pereba
Mosquito grande é mutuca
Quem muito agarra, abufela
Briga pequena é arenga
Enganação, esparrela
Toda prostituta é quenga
Rapapé é confusão
De repente é supetão
Insistência é lenga-lenga

Qualquer tramóia é motim
Solteira idosa é titia
Mosquitinho é mucuim
Recipiente é vasia
Meia garrafa é meiota
O exibido é fiota
Travessura é istripulia

Bebeu muito é deodato
Brisa leve é cruviana
O sujeito otário é pato
Cigarro curto é bagana
Fugir é capar o gato
O engraçado é gaiato
Quem vai preso tá em cana

Ter mesmo nome é xarapa
Muito junto é encangado
Água com açúcar é garapa
Cor vermelha é encarnado
Muita coisa dá mêimundo
Sendo Mundim é Raimundo
Valentão é arrochado

A rede velha é fianga
Com raiva é apurrinhado
Careta feia é munganga
Baitinga é o mesmo viado
O bom é só o pitéu
Bajulador, xeleléu
Sem jeito é malamanhado

Bater fofo é não cumprir
Etecetera é escambau
Sujar muito é encardir
Quem acusa, cai de pau
Confusão é funaré
Carta coringa é melé
Atacar é só de mau

Qualquer botão é biloto
Mulher difícil é banqueira
Pequenino é pirritoto
Estilingue é baladeira
Qualquer coisa é birimbelo
Descorado é amarelo
Sem requinte é labrocheira

Um perigo é boca quente
Porco novo é bacurim
Atrevido é saliente
Quem não presta é corja ruim
Dedo duro é cabuêta
A perna torta é zambêta
Coisinha pouca é tiquim

Parteira era cachimbeira
Dar mergulho é tibungar
Tem cucuruto, moleira
Olhar demais é cubar
Tem ainda ternontonte
Que vem antes do antonte
Ver de soslaio é brechar

Quem briga bota boneco
Sem valor é fulerage
Copo pequeno é caneco
Estrada boa é rodage
O tristonho é capiongo
Galo ou inchaço é mondrongo
E a ralé é catrevage

O velho ovo estrelado
É o bife do oião
Nervoso é atubibado
Repreender é carão
O zarôlho é caraôi
Enviezado, zanôi
Inquieto é frivião

A perna fina é cambito
Dar o fora é azular
Muito magrelo é sibito
Pisar manco é caxingar
Rede pequena é tipóia
Tudo bem é tudo jóia
Fazer troça é caçoar

A expressão 'dá relato'
Que atinge mais de légua
'Tá ca peste!' 'Só no Crato!'
'Tá lascado!' e 'Aarre égua!'
'Corra dentro!' ' Qué cirmá? '
'É de rosca? 'Éé de lascar! '
'Vôte!' 'Ôxente! 'Isso é paid'égua!'

Se é muito longe, arrenego
Que Deus do céu nos acuda
É pra lá da caixa prego
Lá no calcanhar do juda
Nas bimboca ou cafundó
Nas brenha ou caixa bozó
Onde o vento a rota muda

Se é cheia de babilaque
É ispilicute ou dondoca
Ligeiro é 'que nem um traque'
Agachado é tá de coca
Sem rumo é desembestado
O faminto é esguerado
Bolha na pele é papoca

Chamuscado é sapecado
Nuca, cangote é cachaço
Meio tonto é calibrado
A coluna é espinhaço
Se está adoentado
Tá como diz o ditado:
'da pucumã pro bagaço'

Cearense tem mania
Chama todo mundo Zé
Zé da onça, Zé de tia
Zé ôin ou Zé Mané
Zé tatá ou Zé de Dida
Achando pouco apelida
Um bocado de Zezé

Fazer goga é gaiofar
O que é longo é cumprissaio
Provocar é impinjar
Toda pilôra é desmaio
Salto ligeiro é pinote
Bando, turma é um magote
Cesto sem alça é balaio

A comidinha caseira
Tem fama no Ceará
Tipicamente brasileira
Faz o caboco babar
No bar do Mané bofão
Pau do guarda, panelão
O cardápio vou citar:

Sarrabulho, panelada
Mucunzá e chambari
Tripa de porco, buchada
Baião de dois com piqui
Tem pão de milho e pirão
Carne de sol com feijão
Tijolo de buriti

Quem é ruivo é fogoió
O tristonho é distrenado
Tornozelo é mocotó
Cheio de grana, estribado
Jarra de barro é quartinha
O banheiro é a casinha
Sem saída, 'tá pebado'

A bebida e o seu rol
No Ceará todo habita
A fubuia e o merol
A truaca e a birita
Amansa sogra ou quentinha
Engasga gato, caninha
A meropéia e a mardita

O picolé no saquinho
Aqui se chama dindin
Se é o dedo menorzinho
É chamado de mindin
Riso sonoro é gaitada
Confusão é presepada
Atrevido é saidin

Papo longo e sem valor
É 'miolo de pote'
Muito esperto é vívido
Adolescente é frangote
Soldado raso é samango
A lagartixa é calango
O tabefe é cocorote

A lista é quase sem fim
Não cabe num só cordel
Tem alpercata, alfinim
Enrabichada e berel
Chué, baé, avexado
Bãe de cúia, ôi bribado
Quebra-queixo e carritel

Tem visage, sarará
Tem bruguelo e inxirido
Rabiçaca e aluá
Ispritado e zói cumprido
Bunda canastra, lundu
Dona encrenca, sabacu
Bonequeiro e maluvido
O caerense é assim:
Dá cotoco à nostalgia
A tristeza leva fim
Na cacunda dá euforia
dá de arrudei na carência
Enrola a sobrevivência
e embirra na alegria

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O cordel e os clássicos da literatura


CLÁSSICOS NO CORDEL



Clássicos da literatura estão sendo adaptados para os cordéis. Assim, é possível reler obras de escritores como Machado de Assis

Dramas contundentes, paixões traiçoeiras, ´causos´ escrabosos, bravura ´quixotesca´. Romantismo e muito humor. São alguns dos ingredientes que endossam uma boa história de cordel. Sem falar, ainda, do ritmado certeiro e do compasso inebriante de seus versos popularescos. Como trovadores medievais, os cordelistas do Nordeste dinfundem ´mundo afora´ narrativas e poéticas embasadas nas tradições orais, que, segundo o estudioso Paul Zumthor, referem-se à transmissão oral, conduzida entre as gerações, dos conhecimentos armazenados na memória do ser humano.
Em toda a história da literatura erudita, a narrativa popular sempre exerceu forte influência. A partir dela, grandes escritores como o inglês William Shakespeare e os brasileiros Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa, encontraram a inspiração necessária para criar seus romances, contos e peças teatrais. Da mesma forma, como uma troca constante, a poesia popular se apropria de elementos da esfera erudita para tecer suas histórias.

Exemplo disso, é a adaptação produzida para a linguagem de cordel dos grandes clássicos da literatura nacional e internacional. Os cordelistas cearenses Klévison Viana, Rouxinol do Rinaré e Arievaldo Viana são mestres no ofício. Cada um, a sua maneira, vem realizando várias produções dessa natureza. Atualmente, estão lançando três novas adaptações: ´A ambição de Macbeth e a maldade feminina´, de Arievaldo Viana(Cortez Editora); ´Os Miseráveis´, de Klévisson Viana, e ´O Alienista´, de Rouxinol do Rinaré,( ambas pela editora Nova Alexandria).

Com ´A ambição de Macbeth e a maldade feminina´, Arievaldo Viana realiza uma livre adaptação do livro ´Macbeth´, de William Shakespeare. Promovendo um recorte sobre os principais acontecimentos dessa obra, o cordelista constrói uma narrativa interessante que enfatiza toda uma aura de mistério, excitando a curiosidade do público. Klévisson Viana, por sua vez, realiza a adaptação de ´Os Miseráveis´, romance homônimo de Victor Hugo. Nele o autor une aspectos da linguagem popular (expressões e gírias locais) com construções mais rebuscadas provenientes da obra original. Em ´O Alienista´, o poeta Rouxinol do Rinaré mostra-se fiel ao texto original de Machado de Assis, mas, ao mesmo tempo, preza pelo bom humor e pela ironia, tão bem focada pela poesia dos cordéis.

Cordel educativo

A literatura de cordel tem se mostrado um importante instrumento pedagógico capaz de facilitar o processo de ensino-aprendizado de jovens e crianças. Reconhecendo o potencial desse gênero, o Ministério da Educação vem incorporando na sua política de formação de leitores e democratização do acesso de alunos e professores à cultura e à informação, através do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), a poesia dos cordéis em sala de aula. ´Os Miseráveis´ (Klévisson Viana) e ´A ambição de Macbeth e a maldade feminina´ (Arievaldo Viana) farão parte do programa em 2009.

Criador do ´Projeto Acorda Cordel na Sala de Aula´, Arievaldo Viana diz que a poesia popular, por todas as suas características (linguagem simples, jogo de rima e bom-humor), desperta o desejo de jovens, crianças e adultos pela leitura e até mesmo pela escrita de suas próprias histórias. ´A poesia popular chama atenção pelo seu teor educativo, estimulando o interesse da garotada pela leitura e escrita de cordéis. A partir das experiências obtidas em oficinas realizadas em cidades como Campina Grande e Canindé, posso dizer que a receptividade entre os alunos é excelente, sobretudo, em atividades como leitura em grupo e elaboração de novos folhetos. Descobri garotos talentosos, que têm potencial e nem se quer sabiam disso´, conta Arievaldo Viana.

Complementando as palavras do amigo e parceiro de trabalho, Klévisson Viana afirma que o reconhecimento do cordel no setor educativo é fruto de uma atuação sólida, empreendida por artistas dedicados e apaixonados pelo que fazem, abrangendo diversas atividades. ´Devemos considerar não só a feitura do cordel em si, mas todo o trabalho de visitação às escolas, palestras e oficinas que realizamos pelo País´, assinala o cordelista.

Além disso, Klévison destaca que vem crescendo o interesse das editoras em publicar cordel em formatos diferentes do habitual, onde se destaca a presença de capa dura, papel couchê e gravuras coloridas, não necessariamente seguindo os moldes das xilogravuras. ´O formato gráfico pode ser diferente, mas o texto se mantém com as mesmas características: métrica, rima, linguagem simples, narrativa e poesia popular. Não queremos fabricar poetas e nem tomar o lugar do folheto tradicional, mas explorar esses novos formatos, atender uma nova demanda, há mercado para isso. As editoras já estão se atentando para isso´.


LANÇAMENTOS

"A Ambição de Mcbeth e a maldade feminina"
Arievaldo Viana
R$ 27,00
36 páginas
Editora Cortez


"Os miseráveis "
Klévisson Viana
R$ 22,00
47 páginas
2008
Nova Alexandria

"O Alienista"
Rouxinol do Rinaré
R$ 22,00
48 páginas
Nova Alexandria

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Cordel e eleições (Mundim do Vale)



Esses tempos de eleição são um período fértil para a inspiração dos poetas. Recebi essa de MUNDIM DO VALE, freqüentador assídou de Mundo Cordel!


QUANDO ACABA A APURAÇÂO
Mundim do Vale


Assim que fecha a contagem
Tem candidato que diz:
- O filho de Zé Luiz
Não tá na minha listagem.
Como é que teve a coragem
De apertar minha mão,
Pedir chuteira e calção
E o voto não aparece.
Só comigo isso acontece
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.

Aquele que se elegeu
Bota o som em toda altura
Abalando a estrutura
Daquele que não venceu.
E o infeliz que perdeu
Fica na decepção
Sofrendo do coração
Com cara de estressado.
E ainda fica quebrado
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.

O candidato arrasado
Um gozador lhe aborda
Vai logo falando em corda
Em casa de enforcado.
O infeliz derrotado
Com a listagem na mão
Soma seção por seção
Pra confirmar o tormento.
É esse o pior momento
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.

É o maior carnaval
Na casa do vencedor,
Na casa do perdedor
Uma tristeza total.
Chega um cabo eleitoral
Com uma conta na mão,
De bebida e refeição
Consumida pelo povo.
E não sobra nem um ovo
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.

Até mesmo o doce lar
Que recebia eleitor
Parece que um trator
Passou lá pra derrubar.
Não há quem possa encontrar
O relógio do João,
A carteira de Antão
E o violão do Neto.
Se perde todo objeto
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.

Aquele que foi eleito
Já vai logo viajando
E o povo procurando
Assim que termina o pleito.
Procuram de todo jeito
Mas ninguém acha o fujão
E assim vem a frustração
De cada um militante.
Mas isso é fato constante
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.

As bombas num pipocado
Descendo e subindo morro
Incomodando cachorro
E prefeito derrotado.
Vereador mal votado
Tem subida de pressão,
Piadas de gozação
E a raiva da mulher.
Porque falta o que ela quer
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.

O eleito vai curtir
Na sua casa de praia
Tentando fugir da raia
Pra ninguém nada pedir.
Se um eleitor descobrir
Espalha no quarteirão
Gerando uma agitação
De revolta e de cobrança.
E eleitor é quem dança
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.

Candidato que vivia
Dando saco de cimento,
Pagando medicamento
E conta de energia.
Vive agora na agonia
Atrasando a prestação
Das contas da convenção
E contratos de esquema.
Coisas que só traz problema
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.

O candidato que sai
Fica meio constrangido
Mas um membro do partido
Diz: - na outra você vai!
Na outra vez voto cai
Como chuva em plantação,
Mas é só conversa em vão
Pra manter o candidato.
Coisa de estelionato
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.

A mocinha que dançou
Com a bandeira na rua
Rodando feito perua
Também foi quem vacilou.
O candidato pagou
A primeira prestação
E a segunda em questão
Só depois de apossado.
Porque tudo é complicado
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.

Chegando o verso ao final
Eu também quero explicar
Que não pude recusar
De ser cabo eleitoral.
Fui até imparcial
Quando havia uma questão,
Porque numa imposição
Precisa gente capaz,
Pra trazer de volta a paz
QUANDO ACABA A APURAÇÃO

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Rainha Ester em Cordel (Arievaldo Viana)


Rainha Ester em Literatura de Cordel
(Raízes - Edição n°. 2 - Março 2a. quinzena - 2008 - Adar Beit – 5768)

Por: David Salgado

Quem poderia imaginar a história de Purim contada em prosa e verso na literatura de cordel do nordeste brasileiro? Essa realmente me pegou de surpresa. Mas o que é em realidade a literatura de cordel. O velho Aurélio diz o seguinte: Romanceiro popular nordestino, em grande parte contido em folhetos pobremente impressos e expostos à venda pendurados em cordel, nas feiras e mercados. (Dicionário Aurélio Buarque de Holanda).
Trazida pelos portugueses que aportavam por volta de 1850 em terras tropicais, com o passar dos anos, essa literatura foi aos poucos se afirmando especialmente pelo seu baixo custo e hoje é encontrada praticamente em estados do nordeste como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia. Muitas vezes repleto de um belo tom humorístico e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região, a literatura dos livretos pendurados em cordas tipo barbante, daí o nome Literatura de Cordel, contagia a população nordestina e principalmente os turistas que por ali andam. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades, etc.
Pensando melhor, se formos parar pra pensar realmente, a história da Rainha Esther é sem dúvida um belo tema para um bom poeta da literatura de cordel desenvolver. Ela foi uma heroína do povo judeu, com coragem e muita determinação enfrentou a possível morte ao apresentar-se diante do Rei sem ter sido autorizada com o único intuito de salvar o seu povo do decreto perverso do ministro Haman.
Acrescentaria ainda um outro ponto importante. Talvez por sua conotação de salvação e pela facilidade de identificação com os exilados que viviam na antiga Pérsia, Purim e sobretudo o jejum de Esther, foram enormemente populares entre os Bnei Anussim. Não há dúvida que os conversos ibéricos viram Esther como a salvadora do povo judeu. Vale lembrar que a rainha Esther conseguiu ajudar seu povo justamente quando este se encontrava na clasdestinidade, ocultando sua própria identidade judaica. O que em outros contextos poderia apresentar um desafio à normatividade judaica, exatamente o fato de sua clandestinidade é que despertou nos Bnei Anussim, um alto grau de identificação com esta Festa.
No Ha-Lapid número 109 de 1942, o jornal organizado e elaborado para os então descobertos criptojudeus nas montanhas do norte de Portugal pelo idealizador da Obra do Resgate, Capitão Arthur Carlos de Barros Basto, encontramos um artigo de autoria de José A. Pereira Gabriel no qual ele escreve: “Sejamos como Mordechai; não tenhamos receio de nos dizermos judeus, pois a nossa lei, o nosso ideal, é de todos o mais perfeito, e o que moralmente a todos se impõe. Não tenhamos receio de divulgar a nossa (melhor que todas as outras) crença religiosa... isto é admirável!”.
Exatamente por isso a Festa de Purim é sem dúvida uma das mais conhecidas e preservadas pelos Bnei Anussim durante séculos.
Mas o que faria uma poeta de literatura de cordel se interessar por essa história e como ele a conhecia?
O despertar dos Bnei Anussim pelo mundo é um fato consumado hoje em dia. No Brasil, e principalmente no nordeste, historiadores e pesquisadores afirmam que a presença de seus descentes é numerosa já que um percentual respeitável dos brancos portugueses que vieram para colonizar o país eram cristãos-novos que escondiam sua verdadeira fé, eram portanto, criptojudeus. Seus descendentes estão por aí e com certeza muitos deles enraizados como trovadores, compositores e poetas da literatura de cordel. Assim, já estou mais tranqüilo e na verdade não tão surpreso de encontrar a História da Rainha Esther em Literatura de Cordel.

E com vocês... a “História da Rainha Ester” do Poeta da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Arievaldo Viana Lima.

Supremo Ser Incriado
Santo Deus Onipotente
Manda teus raios de luz
Ilumina a minha mente
Para transformar em versos
Uma história comovente.

Falo da vida de Ester
Que na Bíblia está descrita
Era uma judia virtuosa
E extremamente bonita
Por obra e graça divina
Teve venturosa dita.

Foi durante o cativeiro
Do grande povo Judeu
Um rei chamado Assuero
Naqueles tempos viveu
E com o nome de Xerxes
Na História apareceu.

O rei Assuero tinha
Pelo costume pagão
Um harém com muitas musas
As mais belas da nação
Mas era a rainha Vasti
Dona do seu coração...

Os interessados na continuação por favor acessem:
http://www.ablc.com.br/popups/cordeldavez/cordeldavez008.htm

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Machado de Assis em Cordel



O ALIENISTA EM CORDEL
FONTE: http://fotolog.terra.com.br/rinare

O Alienista em versão primorosa para o Cordel.

O conto - para muitos novela - O ALIENISTA, de Machado de Assis, foi vertido com êxito para a Coleção Clássicos em Cordel, da Editora paulistana Nova Alexandria.

O autor é o celebrado poeta cearense Rouxinol do Rinaré, um dos mais imaginosos da nova geração.


Trechos do cordel:


Ó Ser que tem me inspirado
Nos romances que já fiz,
Agora conduz meu estro,
Para que eu seja feliz,
Adaptando este conto
De Machado de Assis.

Deus, em sua onisciência
E seu saber soberano,
É quem pode perscrutar
(Sem incorrer no engano)
Os insondáveis mistérios
Da mente do ser humano!

No mais profundo da alma,
Mesmo na razão mais pura,
Há segredos, incertezas,
E assim, pois, se conjetura
Que até a mente mais sã
Tem um pouco de loucura...

Conforme antigos cronistas
No Brasil colonial,
Na Vila de Itaguaí
Tinha um nobre especial
Que foi o maior dos médicos
Do Brasil e Portugal.

Era Simão Bacamarte,
Um grande especialista,
Que estudara em Coimbra,
Um excêntrico cientista,
Famoso por seus estudos
Como médico alienista. (...)

MARCO HAURÉLIO (Organizador da Coleção "Clássicos em Cordel)