quarta-feira, 22 de julho de 2009

Quem sou eu?



Quanto o cabra é criativo, até uma simples apresentação vira poesia. Vi que Mundo Cordel tinha recebido um novo seguidor e fui olhar quem era. O nome: Danilo L. A apresentação transcrevi logo abaixo. Mas antes quero perguntar: Ô Danilo, de quem são esses versos?

Sobre mim


Eu?


Eu sou o que no mundo anda perdido,

eu sou o que na vida não tem norte,

sou o irmão do sonho, e desta sorte

sou o crucificado... o dolorido...


Sombra de névoa tênue e esvaecido,

e que o destino amargo, triste e forte,

impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendido!...


Sou aquele que passa e ninguém vê...

Sou o que chamam triste sem o ser...

Sou o que chora sem saber por quê...


Sou talvez a visão que alguém sonhou.

Alguém que veio ao mundo pra me ver

e que nunca na vida me encontrou.

sábado, 4 de julho de 2009

Crônica de Marcos Mairton



PEQUENA TRAGÉDIA NARRADA DO FINAL PARA O COMEÇO
Marcos Mairton

E tudo acabou ali. O corpo de um homem caído ao chão, morto, estendido ao longo do meio-fio de uma movimentada rua da cidade. Chamava-se Jorge. Fora atropelado. O carro que o atingiu havia se afastado rapidamente, em fuga. As pessoas que se aglomeravam em volta do corpo comentavam como tudo tinha acontecido.
– Foi muito rápido. Acho que o carro nem freou...
– Alguém anotou a placa?
– Parece que era 2501... Ou 2510, não sei...
Alguém observou que Jorge teria tentado atravessar a rua, mas estava olhando para o lado contrário àquele de onde vinham os carros. Andava depressa, quase correndo, como se perseguisse alguém, quando o acidente aconteceu.
De fato. As pessoas que estavam ali não sabiam, mas Jorge tentava alcançar Sonia. Seguia-a desde o estacionamento de um shopping próximo dali. Ela havia chegado em um carro preto, com vidros escuros que impediam a identificação do homem que estava à direção. Quando o carro se afastou, ela olhou para trás e deu de cara com Jorge, que a observava à distância.
Foi um choque. Jorge havia estacionado seu próprio carro e se dirigia para os elevadores do shopping, quando viu Sonia desembarcar. Antes de fechar a porta e se afastar, ela inclinou-se para dentro do carro. Mesmo de longe, Jorge pôde ver que se tratava de um beijo de despedida.
Mas, na verdade, aquela cena não havia sido totalmente uma surpresa para Jorge. Nos últimos dias, ele tinha estado nervoso, acompanhando cada vez mais de perto os passos de Sonia. Ficava atento às ligações que ela recebia no celular, para ver se percebia algo de suspeito. Mesmo quando as conversas dela ao telefone eram sobre os preparativos do casamento, ele disfarçava e ficava ouvindo, tentando identificar alguma linguagem em código. Jorge tinha ciúme de Sonia, e esse ciúme havia evoluído para a desconfiança. Certa vez havia dito para ela, em tom de brincadeira, mas segurando fortemente o seu braço:
– Se um dia vir você com outro, mato os dois. Primeiro você, depois ele.
– Que é isso, Jorge? Você está louco? – dissera ela sorrindo, mas sentindo que havia algo de verdadeiro na advertência que lhe fora feita.
Sonia sabia que Jorge andava desconfiado. Também sabia que havia motivo para isso. Era uma situação que já se arrastava há algum tempo. Estavam noivos há mais de um ano, mas, nos últimos dois ou três meses, Jorge notara comportamentos estranhos em Sonia. Já não mostrava tanta empolgação quando falava do casamento, diminuíra a quantidade de vezes que ia ao futuro apartamento do casal e – o mais sintomático – comumente deixava de atender as ligações de Jorge para seu celular, retornando apenas horas depois, sempre explicando que deixara o aparelho na bolsa ou estava em alguma situação que não podia atender. Jorge tentava não demonstrar, mas essas justificativas não o convenciam, especialmente porque, quando os dois estavam juntos, Sonia nunca deixava o celular tocar mais que três vezes. O mais comum era atender ao primeiro toque, deixando transparecer certa ansiedade, ainda que contida.
Tudo isso fazia com que Jorge já não visse em Sonia aquela noiva apaixonada de poucos meses atrás, que falava com ele quase o tempo todo sobre o casamento e mostrava com alegria pequenos utensílios comprados para a composição de seu futuro lar. Bandejas, pratos, copos, coisas às quais Jorge não dava a menor importância, embora procurasse demonstrar atenção quando ela exibia e explicava como cada objeto seria usado depois que estivessem casados. Fosse Jorge dotado dessa capacidade que as mulheres têm de se concentrar em detalhes, talvez houvesse observado que, aos poucos, a única parte do casamento que passara a merecer toda a atenção de Sonia era a programação musical da festa. Quase todo o dia ia à casa do cantor e produtor musical Giovanni Ramos, lá permanecendo por horas a fio, às vezes a tarde inteira.
Jorge não tinha conhecimento da frequencia com que Sonia se encontrava com Giovanni, embora já houvesse acontecido de procurá-la em casa e obter a informação de que ela teria ido à casa do músico.
– Fui pegar o DVD de um casamento onde ele se apresentou. Eu nem ia entrar, mas a namorada dele estava e me convidou para ver o filme com ela...
Jorge, que por esse tempo ainda não havia começado a desconfiar de Sonia, acreditou. Até ficou aliviado por não ter que assistir a mais uma cerimônia de casamento ao lado de Sonia, mormente quando o objetivo era apenas observar detalhes da decoração e das roupas, já que os noivos eram pessoas que eles nem conheciam.
Além do mais, Jorge dava-se muito bem com Giovanni. Foi ele quem apresentou o cantor à noiva. Uma de suas raras intervenções na organização da festa de casamento foi exatamente sugerir a contratação do músico para cantar na cerimônia.
Naquela noite, o casal recebera Giovanni na casa da mãe de Sonia e, enquanto os três estavam reunidos, Sonia sugeria as músicas mais românticas que conhecia. Giovanni não se furtava a interpretar trechos de algumas delas, às vezes ao violão – que sempre levava consigo nessas ocasiões – às vezes sem acompanhamento algum, “na capela”, como os artistas costumam falar. Era nesses momentos, quando apenas sua voz solitária ecoava pela casa, que Sonia mais se emocionava.
Foi no meio de uma dessas canções que Jorge afastou-se para atender ao telefone e o olhar de Giovanni se encontrou com o de Sonia por alguns segundos. Tempo suficiente para fazer disparar a série de acontecimentos que levaria à morte de Jorge dali a alguns meses.
Houvesse imaginado que isso poderia acontecer, Jorge jamais teria convidado Giovanni para ir à casa de sua futura sogra naquela noite. Os dois haviam se conhecido no dia anterior, pela manhã, quando Jorge levara seu carro para fazer uma revisão e aguardava o transporte que o conduziria para casa. Giovanni estava ali pelo mesmo motivo.
Antes de entrarem na van da concessionária, já haviam conversado o suficiente para Jorge saber que estava diante do cantor Giovanni Ramos, de quem Sonia havia falado há alguns dias, dizendo que o vira em uma apresentação no casamento de uma amiga e gostara muito.
– Rapaz, você tem que vir à casa de minha sogra! Minha noiva não vai acreditar nessa coincidência! – convidou Jorge, animado com a surpresa que faria a Sonia.
– Vou sim. Se depender de mim, vocês casam ao som da minha banda!
Era realmente uma grande coincidência. Justamente ele – que, apesar de querer muito casar com Sonia, não levava o menor jeito para a organização da festa – conhecer casualmente e se afinar tão bem com o cantor que ela tanto gostaria que participasse de seu casamento.
Mas aquela não havia sido a única coincidência daquele dia. A primeira havia acontecido quando Giovanni chegou à concessionária dirigindo um carro parecidíssimo com o de Jorge, um Corola preto, com vidros escuros. Percebendo a semelhança entre os dois automóveis, Jorge aproximou-se e comentou com o recém chegado:
– Bom dia, amigo! Desculpe eu estar olhando assim para o seu carro, mas é que estou impressionado com a semelhança com o meu. Aquele que está estacionado ali...
– É verdade. Mas aqui na concessionária aparecem muitos desses, não?
– Imagino que sim. Mas o seu tem outro detalhe que chamou mais ainda a minha atenção. Vou casar daqui a seis meses e minha noiva acabou de me ligar confirmando que já reservou a igreja. Pois não é que os números da placa do seu carro formam exatamente a data do casamento?!
– Vinte e cinco de janeiro? – admirou-se Giovanni.
– Exatamente. Vinte e cinco de janeiro...
Foi assim que tudo começou.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Cordel e Cangaço




O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ - TROVAS
Meu amigo Gilbamar de Oliveira Bezerra estará lançando em Mossoró o seu livro de trovas "O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ - Trovas", no próximo dia 27/06, às 19 horas, na Livraria Siciliano do Mossoró West Shopping. Tenho certeza que vai ser um evento pleno de poesia, alegria e amor pela vida. Para chegar a essa conclusão, basta frequentar costumeiramente o blog Gilbamar Poesias & Crônicas, e ver que Gilbamar é um apaixonado pela vida, que deixa essa paixão transbordar em todos os textos que produz, sejam eles em poesia, sejam em prosa.



Segue texto sobre o livro, publicado no site Melhor da Web em setembro de 2008 (http://www.omelhordaweb.com.br/poesias/pagina_textos_autor.php?cdPoesia=24103&cdEscritor=1856&cdTipoPoesia=&TipoPoesia=&rdBusca=&tbTxBusca=)



A LUTA DE LAMPIÃO CONTRA MOSSORÓ



Escrever um livro implica numa série de acontecimentos talvez inimagináveis pelos leitores. Primeiro vem o desenvolvimento da idéia a borbulhar na mente fértil do escritor, e ele vai anotando tudo que a inspiração lhe faz brotar n'alma. Depois, chega o momento de sentar-se diante do computador para dar início à trama fictícia. Então o tempo e a solidão serão os únicos companheiros do autor e seus personagens. Do romper da aurora até as primeiras horas da madrugada o pensamento do escritor estará voltado para a obra em andamento. Por vezes, até mesmo dormindo seu cérebro o faz sonhar com o desenrolar da estória, acordando-o muitas vezes para escrever algo que seus neurônios criaram em meio aos sonhos no tocante ao assunto que ele está a desenvolver. Depois de terminada a obra, acontecem as revisões, o livro é reescrito uma, duas, três ou mais vezes até que esteja na forma idealizada por seu autor. A seguir, caso o escritor seja iniciante, começará a árdua batalha para publicar seu trabalho por alguma editora alternativa ou de menor porte. Porque as grandes editoras, as medalhonas, jamais lhe darão qualquer oportunidade. Ele tem de pagar do próprio bolso, na maioria das vezes, a edição do seu livro. E sair vendendo por aí aos amigos, conhecidos e desconhecidos, tantas e tantas vezes recebendo um "não" indiferente. Algo parecido aconteceu com o meu livro recém publicado O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ - Trovas, com pequenas variações no tocante à editora. Para mim, relatar um acontecimento histórico todo em versos, no formato de trovas, que tem suas regras de rima e métrica, foi o desafio maior. Graças a Deus, depois de pesquisar sobre o acontecimento a ser narrado e trovar e tornar a trovar, mudando palavras e rimas, somando as sílabas, acrescentando termos coerentes, revisar e voltar a revisar várias vezes, finalmente vi os originais prontos. A publicação fragmentada no site do Recanto das Letras foi apenas uma das inúmeras versões até alcançar a que considerei ideal para ser editada em livro.Uma editora/livraria de Natal mostrou grande interesse na publicação do livro e eu, é claro, fiquei eufórico. Entreguei os originais, nova revisão foi realizada e esperei ser anunciada a data do lançamento. Quase um ano depois, sem me dar qualquer explicação nem devolver a cópia do original que lhe fora entregue por mim, malgrado minhas dezenas de telefonemas para conversar com o editor(prefiro não citar seu nome, é totalmente irrelevante e imerecido), soube que a editora/livraria havia sido vendida sem nenhuma palavra de desculpa ou explicação a mim relativa à não publicação do livro. E também não recebi a cópia enviada para o prelo(acho que nem chegou a ir ao prelo).Lá estava eu novamente a buscar quem se interessasse por meu trabalho, querendo desistir mas sem querer, afagando o sonho com um certo desânimo porque, afinal, tudo parecia tão difícil. Foi quando descobri, na internet, um site que recebe livros virtuais e os exibe a várias editoras que procuram novos talentos, e para lá enviei O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ - Trovas. Isso aconteceu em julho deste ano. No mês de agosto, quando eu ainda estava em Gramado, recebi um e-mail do site informando que havia uma editora interessada em publicar meu livro. O contrato com os parâmetros e condições da editora também estava anexo em uma mensagem que me foi enviada no mesmo dia após minha resposta.Depois de uma prolongada troca de e-mails, preenchimento de questionários, revisões e mais revisões do texto a ser publicado, acertos e conversas inclusive por telefone, finalmente minha obra O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ - Trovas foi publicada. Por enquanto as vendas estão concentradas somente pela editora, através do site www.biblioteca24x7.com.br .Bem, o sonho de publicar foi concretizado. Agora só falta realizar o desejo de ser lido por milhares de leitores admiradores das trovas e que gostem de ler obras sobre os cangaceiros e suas estripulias pelo Nordeste do Brasil.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Correspondência Recebida



GERALDO DE CAICÓ - RONDÔNIA


Aprendi com o Papa Luiz Berto, do Jornal da Besta Fubana, a publicar as correspondências recebidas neste formato. Aí vai a primeira delas:

Sou Geraldo de Caicó, codelista por natureza, estritamente filho do Seridó no Rio Grande do Norte. Moro hoje em Rondônia na cidade de Pimenta Bueno.Na próxima sexta-feira dia 12,farei uma palestra sobre Cordel a Literatura do povo. Já está tudo pronto para o evento.

R. Seja Bem vindo ao Mundo Cordel, Geraldo. Aproveite o contato e envie algum cordel para enriquecermos nosso site.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Clip do Projeto Enxofre



"NEUTRONS"

No tempo em que o mundo enfrentava um fenômeno chamado "Guerra Fria", as pessoas viviam sob o temor de uma guerra nuclear. Foi nesse tempo que escrevi a letra de "Neutrons", inspirado na bomba que tinha o mesmo nome.


Agora a música está gravada, com uma linda melodia de meu parceiro de rock'n roll Leo Carlos, e um arranjo fantástico do amigo Moisés Veloso.


Pesquisei na Internet vídeos e imagens que combinassem com a música de achei um vídeo já pronto em http://www.youtube.com/watch?v=7i06cWfmnrw.


Tirei a música original, pus a nossa "Neutrons", cortei um pedaço do final, para o vídeo ficar do tamanho da música, e o resultado foi o seguinte:


quinta-feira, 28 de maio de 2009

Cordel em Brasília



I ENCONTRO NORDESTINO DE CORDEL EM BRASÍLIA

Evento debaterá ações para o setor e trará para cidade
grandes nomes do repente e do cordel

O Teatro da CAIXA recebe nos próximos dias 28 e 29 de maio, o I Encontro Nordestino de Cordel em Brasília. Organizado pela Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do DF e Entorno (Acrespo), patrocinado pela CAIXA, e apoiado pelo Ministério da Cultura, o Encontro apresenta, com entrada franca, seminário, mesas-redondas, lançamento de livro, exposições de publicações em cordel e shows. São esperadas para a abertura oficial, no dia 28, as presenças do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do Ministro da Cultura, Juca Ferreira e da presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho.

O I Encontro Nordestino de Cordel em Brasília tem por objetivo valorizar, difundir e fortalecer as manifestações culturais do Nordeste a partir da linguagem do Repente e da Literatura de Cordel. Para isso, foi montada uma completa programação que engloba desde o debate e a proposição de ações estruturantes para o setor, até lançamento de livro, exposições de Cordéis e shows com cordelistas, repentistas e cantadores. À exceção da abertura oficial, restrita para convidados, os outros eventos são abertos ao público.

A atividade âncora do Encontro é a realização, no dia 29, do Seminário “Políticas Públicas para o Cordel”, que reunirá artistas, editores, professores, pesquisadores, gestores públicos, políticos, empresários, dirigentes de entidades do terceiro setor, entre outros interessados nos temas. O Seminário discutirá, em duas mesas-redondas, duas importantes ações para o setor: A proposta de criação da Cooperativa Nacional de Cordel em âmbito nacional como instância de integração, mobilização e proposição de ações comuns entre os diversos atores e iniciativas existentes no País ligados ao Cordel e suas linguagens afins; e, A mobilização em torno do pedido de registro, junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Repente e da Literatura de Cordel como patrimônios imateriais brasileiros.

Na parte artística, a Acrespo, organizadora do Encontro, celebra a relevância da ocasião apresentando ao público diversas manifestações que dialogam com o cordel. O Encontro abre espaço para o lançamento em Brasília, do livro “Lula na Literatura de Cordel”, do escritor Crispiniano Neto (RN) e para a exposição no foyer do Teatro de folhetos, CDs e outras publicações de editoras especializadas em literatura de Cordel. Por fim, o I Encontro Nordestino de Cordel em Brasília encerra com uma homenagem especial ao consagrado poeta popular do Nordeste brasileiro, Patativa do Assaré, no ano em que se comemora o seu centenário de nascimento.

PROGRAMAÇÃO

28/05 (quinta-feira)- Abertura oficial para convidados

18h- Recepção de Convidados – área externa da CAIXA Cultural
• com a Orquestra Marafreboi (Ceilândia/DF).

19h- Abertura Oficial – Teatro da Caixa Cultural
Mestre de Cerimônia: Chico Simões (Mamulengueiro).
• Execução do Hino Nacional em Frevo pela Orquestra Marafreboi e pelos alunos de música do Ponto de Cultura Menino de Ceilândia (Brasília).
• Apresentação dos repentistas Chico de Assis (DF) e Antônio Lisboa (PE).
• Fala do Presidente da Academia Brasileira de Cordel, Gonçalo Ferreira.
• Apresentação dos Repentistas Ivanildo Vila Nova (PE) e José Luis (RN).
• Fala em verso de Crispiniano Neto (Repentista/Secretário de Cultura do Estado do RN).

21h- Coquetel de lançamento do livro “Lula na Literatura de Cordel” – foyer do Teatro da CAIXA e abertura da exposição de livros e publicações de cordel.

29/05 (sexta-feira)
Seminário “Políticas Públicas para o Cordel”

9h – Abertura - fala de representantes institucionais: Francisco de Assis (Presidente da Acrespo) e Fabiano dos Santos (Secretaria de Articulação Institucional do Ministério da Cultura).

9h30 - Mesa-Redonda: “Criação da Cooperativa Nacional de Cordel – desafios e perspectivas”.
Mesa: Crispiniano Neto, cordelista e Secretário de Cultura do Rio Grande do Norte; Francisco de Assis, repentista e Presidente da Acrespo; e Tarciana Portella, chefe da Representação Nordeste do Ministério da Cultura.
Mediador: Gonçalo Pereira (Presidente da Academia Brasileira de Cordel).

10h30h - Debate com o público participante.

12h00 - Encaminhamentos sobre a proposta de criação da Cooperativa de Cordel (Crispiniano Neto, Francisco de Assis)

12h15 – Encerramento com apresentação dos Emboladores de Coco Roque (PE) e Teresinha (RN).

12h30 - Intervalo para almoço.

14h – Mesa-Redonda: “A importância da Literatura de cordel e do repente como Patrimônio Imaterial”.
Mesa: Luiz Fernando Amaral, Presidente do Iphan; e os repentistas Antonio Lisboa (PE) e João Bosco Bomfim (CE).
Mediador: Crispiniano Neto (Natal-RN).

16h00 - Debate com o público participante.

17h30 – Encerramento.

TRIBUTO A PATATIVA DO ASSARÉ
Homenagem aos 100 anos de nascimento do poeta Patativa de Assaré

19h30- apresentação de Cordelistas e Repentistas:
Paulo de Tarso (CE)
Ivanildo Vila Nova (PE) e José Luiz (RN)
Moreira de Acopiara (SP)
Antonio Lisboa (PE) e Ismael Pereira (CE)
Zé do Cerrado (PB) e Zé Maria de Fortaleza (CE)
Antonio Francisco (RN)
João Santana (DF) e Valdenor de Almeida (PB)
Arievaldo Viana (CE)
Marcus Lucenna (RJ)

Serviço
I Encontro Nordestino de Cordel em Brasília
Data: dias 28 e 29 de maio de 2009
Horário: ver programação
Local: Teatro da CAIXA - SBS Qd 4 lote 3/4, anexo do edifício Matriz da CAIXA
Recepção: 3206-9448 - Administração: 3206-9450
Maiores Informações: Produção do Evento

Seminário “Políticas Públicas para o Cordel”
Data: 29 de maio de 2009
Horário: das 9h às 17h30 (ver programação)
Local: Teatro da CAIXA - SBS Qd 4 lote 3/4, anexo do edifício Matriz da CAIXA
Inscrição gratuita: pelo telefone (61) 3522- 5202 ou pelo e-mail encontrodecordel@gmail.com

“Tributo a Patativa do Assaré”
Data: 29 de maio de 2009
Horário: 19h30 (ver programação)
Local: Teatro da CAIXA - SBS Qd 4 lote 3/4, anexo do edifício Matriz da CAIXA
Entrada franca
Classificação Etária: Livre

Assessoria de Imprensa do evento
Amanda Guerra e Luis Flávio Luz
(61) 8484- 3390/ (61) 7815- 5472/ (21) 7868- 6006
ID 97*1912 ID 97*1913

Assessoria de Imprensa
Caixa Econômica Federal
CAIXA Cultural - Brasília/DF
(61) 3206-8030 / 9895
(61) 9202-2144
imprensa.cultura@caixa.gov.br
www.caixa.gov.br/caixacultural

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Poesia de Anizão

Na falta de foto de Anizão, fui buscar essa de Campina Grande-PB
em www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=618601

O poeta Anizão sempre vem ao Mundo Cordel e posta comentários em versos. Mas esses versos não podem ficar só no espaço destinado aos comentários. Trago-os para o corpo de uma postagem, para que mais pessoas tenham acesso ao trabalho de Anizão. Quem quiser ver mais trabalhos do poeta, é só visitar o seu perfil no site Recanto das Letras.


A NATUREZA E O HOMEM

"A verdade que ninguém quer ver"


Natureza é o nome
Em geral mais conhecido
Mas pra nova geração
Já foi substituído
Chama-se meio ambiente
Todos já estão ciente
Desse fato ocorrido

Toda esta evolução
Que vem no mundo ocorrendo
Para o homem é natural
Nada demais está havendo
Veja quanta malvadeza
Eles não sabem a grandeza
Do mal que estão fazendo

Os mares estão poluídos
Rios cheios de venenos
O homem contaminando
Eles mesmos estão morrendo
Estar dentro do perigo
Sofrendo este castigo
Mas não estão percebendo

Inventou o automóvel
Toda nação aprovou
Mas o pior não pensou
Muitos milhões já matou
Com tanta inteligência
Só não descobre a ciência
Pra gerar paz e amor

Nossas matas estão sumindo
As florestas dizimadas
Nossos índios primitivos
São enganados por nada
Eles já foram os donos
Hoje estão no abandono
Nas tribos abandonadas

Os pássaros cantavam alegres
Hoje cantam de tristeza
O pomar não é lugar
Com frutas da natureza
Os mangues estão poluídos
Só tem um cheiro fedido
O ar não tem mais pureza

O aroma das campinas
Tinha um suave odor
As ramagens balançavam
Nos galhos cheios de flor
Hoje só tem os gravetos
Tudo virou esqueletos
Só resta tristeza e dor

As moças de antigamente
Os seios eram uns cones
Por obra da natureza
Sem precisar silicone
Hoje são todos caídos
As mamas não tem sentido
Parece até que deu pane

Às mulheres do passado
Tinham saúde e beleza
Pariam um monte de filhos
Mesmo sendo na pobreza
Tinham pernas torneadas
Não tinham veias quebradas
Bonitas por natureza

Nossa fauna era tranqüila
No seu habitar normal
Tinham espaço garantido
Toda espécie de animal
Mais o homem sem escrúpulo
Só quer vantagem e ter lucro
Destruiu causando mal

Doença nos animais
Por nome de zoonose
Só lá no mato existia
Sem perigo para nós
Hoje tem febre amarela
A Dengue dar na canela
Que perdemos até a voz

Na extração do minério
Grandes crateras é formada
A terra é mesmo um vulcão
Toda ela é transformada
No fabrico do carvão
Ferro para as construções
Toda terra é dizimada

A natureza faz coisa
Que nos faz admirar
São coisas bem pequeninas
Mas não sabemos explicar
É a barata Ter brilho
A galinha comer milho
Beber água e não mijar

O mar tem um movimento
Que vai pra lá, e pra car.
Isto é o tempo todo
Não tem hora pra parar
É o movimento da terra
Nunca para nem emperra
Mesmo sem lubrificar

O gato é um animal
Que nunca se ensinou
Fazer as necessidade
Porque nunca precisou
Mas ele quando apertado
Sai de casa vai cagar
Depois enterra o cocô

Na terra o homem ainda
É o maior predador
Destrói matas e campinas
É mesmo um destruidor
Sabendo que os animais
Sofre com o que ele faz
Mas ele não tem pudor

Se o homem entendesse
A língua dos animais
Tomaria uma lição
Não esquecia jamais
Aprenderiam a viver
Saudáveis com mais prazer
E só procurava a paz

O homem colhe da terra
Alimento em abundância
Mas do mesmo solo tira
Toda sua substância
Acaba a fertilidade
Veja só quanta maldade
Que tamanha ignorância

Segundo a bíblia sagrada
Deus quando o mundo criou
Fez o homem e a mulher
No paraíso botou
Pra viver só de beleza
No pomar da natureza
Mais Adão não suportou

Adão sozinho vivia
Sem nada para fazer
Eva nova e bonitona
Mas não sentia prazer
Os jovens obediente
Tentado pela serpente
Foram na maçã mexer

Aprenderam a brincadeira
Jamais pensaram em parar
Formaram uma geração
Para na terra habitar
Expulso do paraíso
Veja só o prejuízo
Que na terra foi causar

Deste primeiro casal
Formou-se uma geração
Povoou a terra toda
Formando toda nação
A vida era saudável
O problema hoje é grave
Com tanta poluição

O homem vive na terra
Causando destruição
Poluem o meio ambiente
Guerra virou diversão
A terra estar destruída
Não se dar valor a vida
Nem as crianças tem pão

Água o líquido precioso
Ta suja e contaminada
Nossa reserva na terra
É pouca não dar pra nada
Acabou-se a água boa
Parece que as pessoas
Vai beber água salgada

A luta neste planeta
É pela sobrevivência
O homem invade o espaço
Não usa a inteligência
O nosso ecossistema
Passou a ser um dilema
Por falta de competência

A terra estar ferida
Cheia de escavação
Na extração do minério
Formam cratera no chão
Não estando satisfeito
Dos rios aterram os leitos
Sem nenhuma precaução

Nossas fruteiras botavam
Seus frutos bem saborosos
Hoje estão contaminados
Com veneno e desgostosos
A onda agora é trnsgênico (a)
É mesmo um caso polêmico
Talvez até perigosos

O homem mexe com tudo
Até na reprodução
Já se fala em cronar gente
Mesmo sem ter relação
Existe animais cronados
Isto é fato consumado
Vamos ver a reação

Ó terra mãe gloriosa
És parte desta grandeza
Onde passamos a vida
Admirando a beleza
As vezes te ofendendo
Quando não reconhecemos
A tua grande nobreza

A beleza de seus mares
Eram cheios de pureza
Faz com que valorizamos
A nossa mãe natureza
Sendo ferida aos poucos
Perdoa aos homens loucos
Ó que imensa grandeza

Teus filhos são imaturos
Aqui fica o meu recado
Cuidado que no futuro
Todos serão castigados
O homem bagunça a terra
Mas nela mesmo se enterra
Para pagar seus pecados

Das crianças eu ouço o choro
Da terra ouço o gemido
Das bombas que estão soltando
Pêlos Estados Unidos
Testando a máquina de guerra
Querendo mandar na terra
Trazendo só prejuízo

Esses versos aqui retrata
A devastação da terra
Feita pela humanidade
Um mal que nunca se encerra
Já passou a ser cultura
Para as gerações futuras
Estudar como matéria

Essa cultura do homem
Não dar a terra valor
Mexe com todo vivente
Não importa onde for
Mexe no ecossistema
Que já virou até tema
E dúvida do criador

Tudo que foi relatado
Um dia será revisto
Por pessoas conscientes
Iluminadas por Cristo
Que tenha um coração
Que ame a preservação
Porque o fim é previsto

Calado eu fico pensando,
Jamais eu vou me conformar!
Levo comigo esta mágoa,
Calado não vou ficar!
Nem quero ser reprimido,
Pois nem tudo estar perdido,
Indo aos poucos chego lá.

Amigos, aqui retratei
Na linguagem popular
Imagens do que nós vemos
Zunindo aqui acolá
Isto é mesmo castigo
Preste atenção no que digo
Mãe Terra é pra respeitar

Sei bem que este recado
Alguém irá escutar
Nada será impossível
Talvez perto já estar
Ouvindo estes lamentos
Fará o seu julgamento
Sabe Deus o que fará

Aqui fica esta mensagem
Faça uma reflexão
Ame mais a natureza
Preserve com atenção
Não destrua quem lhe cria
Olhe mais com simpatia
Tenha mais compreensão.

Evite fazer queimadas
Não faça poluição
Colha da terra alimento
Sem fazer destruição
O planeta lhe agradece
Vai conservar as espécies
Pra futura geração.

Os terremotos começam
Os vendavais começou
Castigando esta nação
Que muito a terra explorou
É a resposta da terra
Matando mais que as guerras
Só num vento que soprou.

Se você não acredita
Se prepare seu doutor
A ciência sabe tudo
Mas a ninguém avisou
Pegou todos de sopesa
Pois é a mãe natureza
Obra do Deus criador.

Se você ler estes versos
Faça a crítica por favor
Que incentiva o poeta
Ao trabalho dar valor
É minha satisfação
Leia com muita atenção
Se esta obra aprovou

Monteiro, 25/10/2005
//Anizio
www.aniziosantos.recantodasletras.com.br