quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Livro de Walther Santos


O COLECIONADOR DE MANHÃS

No finalzinho do ano passado (2010), recebi pelo correio um belo presente de um bom amigo. O presente é o livro "O Colecionador de Manhãs" e o amigo é seu autor, Walther Santos.

A obra é em prosa, mas a maneira como Walther vai contando as histórias, de um jeito tranquilo, com as coisas acontecendo com suavidade, me fez sentir como se lesse poesia. Talvez poesia seja isso mesmo.

Está de parabéns o escritor Walther Moreira Santos por mais essa bela obra. Estou feliz eu, por ter amigos assim, que criam coisas maravilhosas e ainda me enviam de presente. Obrigado, Walther.

Do site da Editora Saraiva, colhi esses releases da obra e do autor:

Vencedor do Prêmio Luis Jardim de Literatura e destaque em mais três premiações no Brasil e em Portugal, este livro é destinado a leitores dos 8 aos 80 anos e fala do afeto, esse sentimento delicado como pássaro com asa quebrada. São duas histórias sobre a relação avô e neto, pai e filho, com a poesia e a criatividade que já consagraram o autor como um dos grandes nomes da prosa moderna. 
Em Você já viu um pastor de nuvens? , o menino Daniel conta que seu avô é um deles: com muita idade e já sem amigos vivos, ele usa seu tempo para ir à praça para olhar o céu e observar as mudanças de cores e das formas das nuvens. O colecionador de manhãs mostra como um menino, ao procurar um guarda-chuva para ir comprar jornal numa manhã chuvosa, encontra uma caixa de madeira esquecida numa cômoda. Ao abri-la, depara com cartões-postais e fotografias dos mais variados lugares do mundo, retratando o amanhecer todos assinados, datados e comentados pelo pai, que partiu para uma viagem, da qual nunca mais voltou, antes de ver o filho nascer. Emocionado, o menino guarda novamente a caixa para que, no futuro, seu filho ou seu neto também possam encontrá-la.



WALTHER MOREIRA-SANTOS

O pernambucano Walther Moreira-Santos é escritor e dramaturgo, com várias peças encenadas, duas delas também publicadas: E agora, rei papudo? (Paulinas, 2006) e O doce blues da salamandra (MXM, 2000); é vencedor de mais de 60 prêmios literários, dentre eles: Casa de Cultura Mário Quintana; Xerox do Brasil, Itaú Cultural, Fundação Cultural da Bahia, Prêmio Cidade do Recife e Prêmio José Mindlin de Literatura; publicou, dentre outros, os livros Ao longo da curva do rio (Cone Sul, 2001); Um certo rumor de asas (Nova Prova, 2003); Helena Gold (Geração Editorial, 2003); Dentro da chuva amarela (Geração Editorial, 2006); O Ciclista (Autêntica, 2008). Em 2000, começou a escrever para crianças o seu livro Para que serve um amigo? (Becca, 2000), o qual também foi premiado pela União Brasileira de Escritores e adotado pelo Governo do Estado de São Paulo, para distribuição em escolas. A partir daí, já escreveu e ilustrou mais de uma dúzia de livros para crianças. Conheça mais sobre o autor, visitando os seguintes endereços na internet: http://www.wmsbooks.blogspot.com/ e http://www.walthermoreirasantos.blogspot.com/.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Glosa de Gregório Filomeno de Menezes

SEM LICENÇA E SEM PERDÃO

Mote de um apologista fanfarrão
Gregório Filomeno de Menezes
(texto capturado da coluna do autor no Jornal da Besta Fubana)


Na festa de casamento
Da filha de um fazendeiro
Cujo noivo, um boiadeiro
Era estúpido e ciumento
Entrei, por atrevimento
Sem convite ou permissão
No auge da diversão
Mexí até na despença
(Entrei sem pedir licença
Saí sem pedir perdão)


Na vida de uma pessoa
Que não mais queria amar
Eu conseguí me enroscar
Prometendo vida boa
Foi uma aventura à-toa
Pra causar desilusão
Ferí mais um coração
Provoquei nova descrença
(Entrei sem pedir licença
Saí sem pedir perdão)


Um dia, em Serra Talhada
A terra de Virgulino
Guiado pelo destino
Entrei sem temer a nada
Fui mum forró de latada
Onde cantava Assisão
Risquei peixeira no chão
Fiz a maior desavença
(Entrei sem pedir licença
Saí sem pedir perdão)


Na Veneza brasileira
Por um acesso gripal
Fui levado ao hospital
Porém lá só fiz besteira
Destratei a enfermeira
Dei no médico de plantão
Não tomei uma injeção
Nem tratei minha doença
(Entrei sem pedir licença
Saí sem pedir perdão)


Nos palácios da Alvorada
Planalto e Itamaratí
A segurança iludí
E entrei sem crachá, sem nada
Fui bater na papelada
Dos mandarins da naçao
Descobrí, nessa incursão
Como é que o crime compensa
(Entrei sem pedir licença
Saí sem pedir perdão)

No pé de um grande serra
Me envolví numa contenda
Invadí uma fazenda
Com um grupo de sem-terra
Mesmo ganhando essa guerra
Foi perdida a invasão
Para a desocupação
Logo foi dada a sentença
(Entrei sem pedir licença
Saí sem pedir perdão)


Numa embarcação grã- fina
Sem nada me causar pânico
Todo mistério oceânico
Desvendei, virou rotina
Cruzei o mares da China
Fui às ilhas do Japão
Lá fiz como um tubarão
Em atividade intença
(Entrei sem pedir licença
Saí sem pedir perdão)


Entrei na delegacia
Pra delatar um bandido
Como fui mal recebido
Apelei pra grosseria
Troquei a diplomacia
Pelo cabo do facão
Dei sopapo e pescoção
Fui manchete em toda a imprensa
(Entrei sem pedir licença
Saí sem pedir perdão).

sábado, 22 de janeiro de 2011

Literatura de Cordel no Globo Rural

CORDELISTAS: REPÓRTERES DO SERTÃO


No primeiro domingo de 2011, o programa Globo Rural teve uma edição de aniversário. O tema central, para nossa alegria, foi a Literatura de Cordel. Hoje, no comentário à postagem "Cordel de Dalinha Catunda - A Invasão no Alemão", a leitora Rosário Pinto, parceira de Delinha no blog Cordel de Saia, me enviou o link do vídeo do programa no YouTube, e ainda sugeriu que eu fizesse uma postagem sobre ele.
Boa ideia, Rosário. Eis o vídeo, para todos os visitantes deste Mundo Cordel:


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A Literatura de Cordel enquanto veículo de contestação


O caso do cordel “Confusão no Cemitério”
(*) José Romero Araújo Cardoso


Marca indelével da cultura nordestina, a literatura de cordel traduz reações diversas, ao nível ficcional, de críticas a situações injustas e desejos internalizados em efetivar mudanças sociais praticamente impossíveis de se concretizarem no plano real.


O preconceito com relação à literatura de cordel impediu que um brilhante cordelista paraibano, radicado no Rio de Janeiro, conhecido por Raimundo Santa Helena, pudesse concorrer a uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Essa manifestação, com certeza, está ligada às condições materiais e sócio-econômicas da produção desse gênero literário, do qual possui vínculos, primordialmente, com as camadas menos favorecidas, sobretudo no Nordeste brasileiro, riquíssimo celeiro de cordelistas e repentistas, a exemplo de Leandro Gomes de Barros, considerado de fato o verdadeiro “príncipe dos poetas brasileiros”, na expressão simpática de Carlos Drummond de Andrade.


A arrogância do refinamento “erudito” impede que a literatura de cordel seja valorizada na forma exata como merece ser, principalmente devido a “má qualidade da impressão", o pouco caso com a “correção” lingüística, a presença marcante da oralidade, o fato de ser tradicionalmente vendida em feiras e o tipo de consumidor, em geral pessoas de baixo nível escolar.


No ensejo da resistência cultural empreendida pelos grandes menestréis das feiras e esquinas da maioria das cidades regionais, encontramos o homem e a luta pela afirmação da literatura de cordel personificados em José Ribamar Alves, um dos nobres guerreiros da cultura popular aquartelado em Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte.


José Ribamar Alves nasceu em 16 de março de 1962, no sítio Solidão, município de Caraúbas, Estado do Rio Grande do Norte, embora registrado em Severiano Melo, Estado do Rio Grande do Norte, onde foi criado. É filho de José Alves Sobrinho e Rosa Maria de Carvalho. Casado com Rita de Oliveira Carvalho, reside em Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte. Tornou-se repentista profissional a partir de 1983, sendo autor de diversos títulos de cordel, a exemplo de “Armadilhas do Destino”, “Pela Vida do Planeta”, “A Quebra de Silêncio”, “A Crueldade de Osama e A Vingança de Bush” e “Confusão no Cemitério”.


No cordel “Confusão no Cemitério” (Coleção Queima-bucha de Cordel – nº 10 – Março de 2002 – Mossoró - RN), cuja inovação na arte de capa, em xilogravura, se deve ao não menos renomado poeta popular Antônio Francisco, efetivada pelo artista plástico e poeta Laércio Eugênio, José Ribamar Alves expressa os pormenores do seu IMAGINÁRIO fantástico ao contestar a ordem estabelecida através de confusões na vida após a morte.


Um cemitério do Rio de Janeiro, cidade onde os contrastes são mais acentuados, imperando a violência urbana e a corrupção, as quais andam de mãos dadas em consonância com o recrudescimento das diferenças interclasses, serve de cenário para a narrativa.


As confusões de um coveiro atrapalhado, conhecido por “biriteiro”, são narradas na terceira pessoa do singular, as quais tiveram como veículo as confissões de um personagem que o autor deu o nome de Fernando de Risadinha.


Invocando contatos com o além, José Ribamar Alves traça o perfil da sociedade através da continuidade das relações de poder observadas no mundo dos vivos. O coveiro recebe visita de pessoa morta que vem lhe reclamar do serviço errado que o deixou com as costas viradas no túmulo, de cujo gesto de vingança consistiu em trocar as cruzes do cemitério, invertendo as identificações dos mortos das quais pertenciam.


A cruz de um marginal vai parar no túmulo de um Juiz Federal, enquanto um vigário e um pastor, após as inversões, acabam brigando, suscitando que faleceram desconhecendo o significado da palavra “amor”. Cartola desesperado com a confusão da troca de cruzes demonstra que tem poder, mesmo após a morte, convocando a repressão do aparelho do Estado, da mesma forma quando vivo, fazendo o maior escarcéu na necrópole, invocando ainda os poderes de um pai de santo, também falecido.


Como no mundo dos vivos, apenas pobres e excluídos sofrem com a algazarra das almas penadas, enquanto chefão de drogas, banqueiro de jogo, advogado e político não são molestados.


O desejo de revanche fica explícito quando a alma de um “cabra desassombrado” “Meteu um braço de cruz/ Na nuca dum delegado/ Que ele caiu por cima/ Da caveira dum soldado” (Confusão no Cemitério, estrofe XXII). Isso serviu para “despertar” os marginalizados da letargia em que se encontravam, atentando contra a ordem estabelecida e afirmando, dessa forma, a contestação ao status quo. Rebelam-se mundana, travesti e jogador, além de cego, maneta, perneta, mudo, gari, escritor, jornalista, motorista, prefeito e vereador. Na verdade, desencadeia-se uma revolta em todas as classes, condicionada pela hegemonia que desfrutam àqueles que detém o poder, levando o autor a indagar sobre a repetição, entre os mortos, das mesmas situações de desigualdades terrenas, quando o cordelista destaca que “Também sei que entre as classes/ Há muita desigualdade/ De tudo elas são capazes/ Mas pra falar a verdade/ Eu não sabia que os mortos/ São da mesma qualidade” (Confusão no Cemitério, estrofe XXIX).


A exclusão social, infelizmente, ainda é uma mácula na sociedade brasileira e o cordel, enquanto instrumento de afirmação das classes populares, cumpre o papel de bradar contra as injustiças e em favor das aspirações do povo brasileiro.


Em “Confusão no Cemitério” José Ribamar Alves sintetiza a cosmovisão popular e o seu imaginário quanto ao desejo de buscar a superação das distorções sociais que separam ricos e pobres num fosso indevassável da realidade criada pelas elites que se arvoraram em donas do poder desde nossa formação sócio-econômica.



(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. professor da UERN.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"O Quilombo do Encantado" na Cultura


CONVITE AOS VISITANTES

Prezado visitante deste Mundo Cordel,

Esse convite é para você: 25 de janeiro, terça-feira, às 19h30, no Auditório Livraria Cultura, em Fortaleza, "Bate-papo com o Autor", sobre o livro "O Quilombo do Encantado".

"O Quilombo do Encantado" é uma obra de ficção, mas que, tendo como pano de fundo o Brasil dos tempos coloniais, chama a atenção para uma questão histórica que vem sendo revisitada: a existência de escravos e quilombos no Ceará.


Então, conto com sua colaboração para passar convite adiante, principalmente para o pessoal que mora ou está de férias em Fortaleza.


A propósito, se você é jornalista, repórter, blogueiro, twiteiro ou editor de outras mídias, e quiser elaborar eventual matéria ou postagem, terei prazer em lhe encaminhar informações mais detalhadas.


O Jânio Alcântara, do blog DUS BONS, já postou, e disse o seguinte sobre o livro:


(...) Tive a oportunidade de ler em primeira mão esta bela estréia do autor no mundo da prosa e fiz na leitura uma viagem de volta à minha ancestralidade. Explico-lhes: Meus pais, avós e bisavós (paternos e maternos) nasceram na localidade Tremembés – hoje pertencente a Icapuí, antes Aracati, vizinho ao Estado do Rio Grande. Em Icapuí, desconfia-se da presença de holandeses – tal a brancura, a loirice e os olhos azuis de muitos que nasceram/nascem lá – que fugiram prá lá, após a expulsão pernambucana.


A trama de “O Quilombo do Encantado” gira em torno da vida de Antônio Carpinteiro, que nasceu escravo, mas, por causa de um desentendimento com um capataz, teve que se refugiar na floresta, onde descobriu a liberdade. Como cenário dos acontecimentos, o Forte de São Sebastião, no início da ocupação portuguesa do que viria a ser o Estado do Ceará, e a imensidão das terras brasileiras, já naquela época ocupadas por uma grande diversidade de povos, tais como tupinambás, tabajaras, potiguaras, tremembés, portugueses, africanos, holandeses e muitos mestiços.


Emocionei-me com a saga do Antonio – tudo permeado na forma educativa de explicar sobre as etnias e suas derivações. “O Quilombo…” me encantou.


Por enquanto é só. Um grande abraço!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Cariri tem primeira mulher na ABLC




Josenir Lacerda, do Crato, já tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel. É a segunda cearense


Crato. Uma região destaque na produção de cordéis passa a ter, pela primeira vez, uma representante na Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). Josenir Alves de Lacerda, do Crato, é a primeira mulher caririense a fazer parte da entidade, e a segunda cearense. Ela foi empossada na cadeira número 37, no Rio de Janeiro, no último mês de dezembro. A cordelista teve um grande incentivador na sua caminhada: o poeta popular Antônio Gonçalves da Silva, o conhecido Patativa do Assaré, que chegou a fazer rimas de elogios ao trabalho da poeta cratense.

Um momento de emoção, em que o Cariri passa a ter uma representante na ABLC. Para Josenir, que assumiu a cadeira do titular Gonçalo Ferreira da Silva, é uma honra hoje estar nesse lugar. [Nota do Blog: Em comentário a este post, a leitora Jordanna esclarece que a cadeira 37 da ABLC é de José Soares, o poeta repórter, e não de Gonçalo, que é o presidente da Academia]. Ela está preparando o cordel, já que essa é uma missão de quem assume um lugar na academia, do seu titular. A presença da mulher e dos cordelistas cearenses na academia têm uma ênfase feminina. Josenir, agora imortal, passou a fazer parte a partir do seu contato com outra cearense, há cerca de 30 anos morando no Rio de Janeiro, Maria de Lourdes Aragão Catunda.

Josenir, nesse momento, prepara dois novos trabalhos para serem lançados por grandes editoras do cordel do Brasil. O primeiro deles, com um tema exclusivo sobre o cangaço, e que traz uma de suas características de trabalho, que é a pesquisa apurada. A "Medicina no Cangaço" será lançado pela editora Luzeiro, de São Paulo. A cordelista está ampliando um cordel que fez anteriormente, já que o cordel, que será lançado pela editora paulista, tem um formato maior e requer pelo menos 100 estrofes. Ela utilizou livros de pesquisadores do cangaço para verificar um tema diferenciado para explorar no cordel.

Outro trabalho virá pela editora Ensinamentos, de Brasília. Uma reedição do cordel, em livretos, escrito em parceria com o cordelista João Nicodemos. O cordel "Segredos da Natureza" fará parte da coleção Cesta Básica da Cultura e do Conhecimento. Mas a também integrante da Academia dos Cordelistas do Crato tem trabalhos na sua carreira de sucesso e com várias edições publicadas.

Um deles é "Linguajar Cearense", na quinta edição. Duas delas pela Tupinambá Editora, Livro Técnico e o primeiro pela Academia de Cordelistas do Crato. Esse trabalho, em particular, fez um giro pela internet, e serviu mais ainda para divulgar esse trabalho de Josenir, também fruto de uma pesquisa de resgate da linguagem coloquial do cearense. Termos, que segundo a cordelista, já não se fala mais. Por isso, a importância desse e a contribuição do cordel para o resgate.

Ainda criançaJosenir iniciou cedo no cordel. A menina tímida que começou a escrever versos de verdade para extravasar a sua timidez aos poucos conquista o seu espaço. De pequena, quando lia os clássicos do cordel para a avó, veio o tempero do imaginário.

A memória passa a ser povoada pelos príncipes e princesas, reis e rainhas, os dragões, os heróis nordestinos, o Pavão Misterioso. Ela vive cercada pela arte. Em casa, tem uma pequena lojinha de artesanato. O local é ponto de encontro de artistas, onde podem ser encontrados vários exemplares de cordéis, inclusive os seus.

São 63 livretos escritos. Desses, 14 parcerias, 16 coletâneas e 33 particulares. A inspiração surge de repente e os versos começam a ser decantados, entrando pelas suas origens. Josenir é funcionária pública aposentada. No trabalho brincava com os seus versos.

Desde que assumiu a Academia de Cordelistas do Crato, a convite do mestre Elói Teles, relembra a importância do folclorista que lutou pela preservação da literatura de cordel, teve uma preocupação em incentivara a participação da mulher.

Elizângela Santos, repórter
MAIS INFORMAÇÕES 
Espaço Cordel e Arte, localizado na Rua José Carvalho, 168, Bairro do Centro, Município do Crato - CE
Telefone: (88) 3512. 0827 [Nota do Blog: No mesmo comentário a este post, a leitora Jordanna esclarece que o telefone correto é 3521.0827]




FONTE: 
Jornal Diário do Nordeste de 16.01.2011, Caderno Regional
Leia mais em: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=918371

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Cordel de Dalinha Catunda


A INVASÃO NO ALEMÃO
Dalinha Catunda
(Cordel citado no Globo Rural de 02.01.2011, no aniversário de 31 anos do programa)


1

Foi notícia nos jornais,
Mostrou a televisão
A desordem na cidade
A tamanha confusão
O ataque de bandidos
E o terror no Alemão.


2


Ó meu São Sebastião,
Mártir Santo Padroeiro,
Proteja a população
Deste Rio de Janeiro
Que sofre com a violência,
Dum grupo de bandoleiro.


3


É polícia pra todo lado
É bandido e caveirão.
Com essa violência toda
Quem sofre é a população
Que fica presa em casa
Com medo da situação.


4


É todo mundo botando
Em suas portas tramelas.
É bala comendo solto,
No asfalto e nas favelas.
Sofre pobre, sofre rico,
Fugindo destas Mazelas.


5


Por falta de segurança.
Escolas foram fechadas.
O terror é bem visível
Nas imagens propagadas.
Com tanta barbaridade,
Só com as forças armadas!


6


Até a igreja da Penha
Recinto de oração
Nesta guerrilha urbana
Foi vítima de invasão
Pelo espaço sagrado
Faltou consideração


7


Ônibus incendiados,
Motos, carros, também.
Com a revolta do povo,
A resposta logo vem.
Autoridades unidas,
Traçam planos que convem


8


Sofreu a Vila Cruzeiro,
E tremeu o Alemão.
Ao ver as autoridades
Tomando a decisão
De invadir a favela...
E houve a invasão!


9


Exército compareceu
Com seu verde esperança.
E mostrando sua força
A todos deu e confiança
Anunciando enfim
Que chegaria a bonança.


10


Bandido foi transferido,
Pra outra jurisdição.
Alguns foram mortos,
Com a polícia em ação.
E outros se entregaram
Indo parar na prisão.


11


O reboliço foi feio,
O bicho de fato pegou.
Teve até mãe de bandido
Que seu filho entregou
Querendo salvar a cria
Que um dia ela gerou.


12


Policiais e políticos,
E toda sociedade,
O povo todo unido,
Teve, sim, autoridade
Para colocar um fim
Na cruel barbaridade.


13


Eu não sei se realmente,
Mudará a situação,
E todo esse processo
Sem a continuação
Não ajudará em nada
O morro do Alemão.


14


Que essa comunidade,
Seja então pacificada.
Que crianças corram livres
Sem temer sua estrada.
E que os trabalhadores
Voltem a sua jornada.


15


Espero que os políticos
Cumpram a obrigação
De dar estudo, trabalho
A carente população,
Das pobres comunidades
Sedentas de solução.


16


Na favela tem bandido,
Isso é uma verdade.
Mas também tem gente boa,
Com sua dignidade.
Que merece nova vida
Com menos dificuldade.


17


Aonde o poder público,
Firme, não se manifesta,
E a tropa do mal chega
Fazendo a sua festa
No comando do lugar
Aparece sempre um testa.


18


Tanto pode ser bandido
Como algum miliciano.
Que lá na comunidade
Acaba então mandando.
E quem mora na favela
Sofre com este comando.


19


Mais uma vez eu convoco
Ao meu Santo padroeiro,
Que proteja a cidade
Que é o Rio de Janeiro.
Ó meu São Sebastião,
Livrai-nos deste salseiro.


20


Neste cordel eu registro.
Um caso que se passou
No fim de dois mil e dez.
E a todos apavorou,
Mas o Rio de Janeiro
Bem alegre ressuscitou.