segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Poesia de Marcos Mairton


ESTACIONAMENTO DE CARROÇA
Marcos Mairton
 
Nas cidades é normal
Haver sinalização,
Para que o trânsito tenha
Alguma organização.
Assim, placas e sinais
Vão indicando os locais
Por onde se deve andar,
Dizendo o que é proibido
E até onde é permitido
Nosso carro estacionar.

Mesmo no estacionamento,
As regras estão presentes,
Como as vagas dos idosos
E as dos deficientes.
É bom para a sociedade
Ter essa prioridade
Sendo sempre respeitada,
E que, em placas ou no chão,
Toda sinalização
Seja bem observada.

Mas achei, em Quixadá,
Bem no centro da cidade,
Uma placa que atiçou
Minha curiosidade.
Aquela placa indica
Que o lugar onde ela fica,
É um estacionamento.
Mas é todo reservado
Ao veículo puxado
Por um burro ou um jumento.

Não se pode estacionar
Nem carro nem bicicleta,
Nem van e nem caminhão
Tampouco motocicleta.
Até transporte escolar
Que precise estacionar,
Por ali talvez não possa,
Pois está determinado
Que o lugar foi reservado
Para estacionar carroça.

Esses versos não pretendem
Dizer que isso está errado.
Simplesmente observei
E achei muito engraçado
Que, apesar de, hoje em dia,
Tanta tecnologia
Influir em nossa vida,
Um espaço ainda existe
Onde a carroça resiste
Com sua vaga garantida.




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Seminário no Crato


Enquanto isso, por todo este fim semana, no Crato...



SEMINÁRIO DO VERSO POPULAR

A Academia dos Cordelistas do Crato realiza o 3º Seminário do Verso Popular por ocasião das comemorações de seus 21 anos de luta na defesa do cordel. 
O objetivo do evento é fazer uma avaliação das perdas e ganhos do cordel em duas décadas. Analisar a conjuntura atual e as tendências para o futuro. Saber que mudanças têm ocorrido com os poetas, xilógrafos e seus públicos. Entender melhor a contribuição do cordel para outras manifestações artísticas como a música, as artes cênicas, a pintura, a dança, etc. Analisar como o cordel vem sendo cobrado em vestibulares e outros concursos públicos. Discutir os direitos autorais dos cordelistas, bem como a lei que reconhece a categoria. Debater os editais e outras fontes de financiamento do cordel. Preparar a ACC para lidar com as mídias alternativas e para interagir com as redes sociais.

Programação

1º Dia
  14:00 h – Credenciamento
  15:00 h – Abertura da exposição Academia dos Cordelistas do Crato 21 anos de luta em defesa do verso popular
  16:00 h – Abertura da Feira da cultura popular
  18:00 h – Abertura do Seminário: Retrospectiva da luta da Academia dos Cordelistas do Crato:
  Aspectos históricos da ACC
  Contribuições da ACC para a cultura regional
  Fazendo escola: a ACC formando leitores e revelando talentos
  Diálogos da ACC com pesquisadores, poetas e entidades congêneres
  Homenagem aos companheiros falecidos
  História da gráfica “Coisas do meu Sertão”
  A produção xilográfica da Academia
  A contribuição da ACC para a educação ambiental;
  A ACC e o ICC;
  A ACC e o ICVC.
  20:00 h – Sessão de lançamento de cordéis
  21:00 h – Show artístico da família do verso popular


2º Dia
  08:00 h – Oficinas e mini-cursos
  Oficina de cordel
  Oficina de xilogravura
  Mini-curso direito autoral no mundo do cordel
  Mini-curso elaboração de projetos culturais
  08:00 h – Feira da cultura popular (continuação)
  08:00 h – Exposição Academia dos Cordelistas do Crato 21 anos de luta em defesa do verso popular (continuação)
  11:00 h – Mesa redonda: o cordel frente à indústria cultural.
  14:00 h – Painel: a família do verso popular e a regulamentação profissional – o que muda?
  15:00 h – Apresentação de trabalhos científicos (pôsteres)
  15:30 h – Sessão de vídeo
  16:00 h – Mesa redonda: o cordel e as redes sociais
  18:30 h – Mesa redonda: Como a arte popular pode concorrer com a arte erudita na captação de recursos?
  19:30 h – Painel: As complexas interrelações entre cordel e educação. 20:30 h – Debate: Tendências do cordel para a próxima década.
  21:30 h – Show artístico da família do verso popular: 




3º Dia
  08:00 h – Oficinas e mini-cursos
  Oficina de cordel 
  Oficina de xilogravura
  Mini-curso direito autoral no mundo do cordel
  Mini-curso elaboração de projetos culturais


  08:00 h – Feira da cultura popular (continuação)
  08:00 h – Exposição Academia dos Cordelistas do Crato 20 anos de luta em defesa do verso popular (continuação)
  11:00 h – Mesa redonda: Estado da arte dos programas de rádio e televisão que atuam no segmento do verso popular. 14:00 h – Painel: o mercado do cordel e da xilogravura no Brasil 15:00 h – Apresentação de trabalhos científicos (comunicações orais);
  15:30 h – Sessão de vídeo
  16:00 h – Mesa redonda: Análise da produção de cordel no Brasil na 1ª década do século 21. 19:00 h – Conferência: Programa Livro de graça na praça, uma experiência de sucesso. Prof. José Mauro (Belo Horizonte)
  20:00 h – Sessão de encerramento
  21:00 h – Show artístico da família do verso popular:, 
Informações e Inscrições:
Envie a ficha de inscrição devidamente preenchida para o e-mail: 
iiiseminariodoversopopular@gmail.com.




Tornaram possível este evento:


- Ministério da Cultura. Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel
- Academia dos Cordelistas do Crato
- Sesc - Crato

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Poesia de Dalinha Catunda

Dalinha Catunda é uma grande colabora deste Mundo Cordel, sempre enviando seus versos para compartilhar com os leitores que por aqui aparecem. 

Embora vivendo há tempos no Rio de Janeiro, sempre usa sua poesia para retratar as coisas, os costumes e as pessoas do sertão nordestino, especialmente do Ceará, sua terra natal, como faz hoje, com a poesia, a qual, aliás, veio acompanhada de foto tirada em Ipueiras.

Obrigado, Dalinha, por colaborar com este Mundo Cordel e por tudo o que faz pela difusão e reconhecimento da Literatura do Cordel!


ANDANDO PELO SERTÃO
Dalinha Catunda

Eu voltei ao Ceará
Fui rever o meu rincão.
Passeei pelas caatingas
Pisei com gosto em meu chão
Coloquei o meu chapéu
O sol ardia no céu
No calor do meu sertão
*
Subi no pé de caju
Como fazia em menina.
Peguei no pé de angico
Um pouquinho de resina
Abracei carnaubeira
A conhecida palmeira
Desta terra alencarina.
*
No caneco de alumínio
Água de pote bebi.
Tinha pedras no caminho
Em cima duma subi
Fiz uma farra danada
Andando pela estrada
Da terra em que eu nasci.
*
O tempo passou bem rápido,
Achei que passou ligeiro,
Pois já estou novamente
É no Rio de Janeiro!
Terra de são Sebastião
Distante do meu sertão
Ô destino aventureiro!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Decassílabos de Pedro Ernesto Filho




Esses decassílabos do poeta Pedro Ernesto Filho também chegaram à minha caixa de e-mails poucos dias depois da publicação da matéria assinada por Alex Pimentel no Diário do Nordeste de 29.01.2012.
Foi mais uma grande alegria para mim. Pedro Ernesto foi meu colega como advogado do Banco do Nordeste, cargo que ocupei de setembro 1995 a janeiro 1998. 
Enquanto eu ficava em Fortaleza, o poeta trabalhava no Núcleo Jurídico de Juazeiro do Norte, responsável por todo o Cariri cearense.
Naquele tempo, ele já fazia belíssimas glosas aos mais variados motes e publicava em folhetos, eu apenas lia ou escrevia para amigos e familiares. 
Hoje, posso dizer que somos colegas de poesia e fico muito feliz de ter suas glosas neste Mundo Cordel.
Para saber mais sobre Pedro Ernesto Filho e admirar mais de sua poesia, visite o seu site, que traz no título o mote "A vida é flor com espinho, nem todos sabem pegar".


SE EU NASCESSE DE NOVO PEDIRIA
PRA VIVER NO PAÍS DA CONSCIÊNCIA
Mote em decassílabo glosado por
Pedro Ernesto Filho


Onde a flor exarasse mais perfume,
onde a planta o ar puro respirasse,
a disputa infiel não prosperasse,
perdoar fosse o dom do bom costume,
o amor não murchasse com ciúme,
arrogância perdesse a existência
onde o pássaro exibisse a inocência
sem das armas temer à pontaria
- Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde a força da paz esteja antes
do que a mágoa de um povo entre em atrito,
e as ações criminosas de um mosquito
não superem a missão dos governantes,
entre si, sejam os homens vigilantes
combatendo o rigor da violência,
e o valor destinado à previdência
não engorde o padrão de quem desvia
- Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde o homem não volte sem a feira,
a mãe pobre, de parto, não faleça,
o machado sisudo reconheça
que seu cabo possante é de madeira,
onde as cores históricas da bandeira
sejam vistas com alma e incumbência,
e a política, no todo, uma ciência
de capricho, vergonha e harmonia,
- Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Seja o jovem o raiar da esperança
e os poderes se sintam mais unidos,
os impostos nos sejam devolvidos
em escola, saúde e segurança,
a justiça conserve na balança
nível, ética, razão e procedência;
e os poetas frustrados, com decência,
reconheçam que os outros têm poesia
- Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde a fauna liberta possa estar
e onde a flora não sofra ataque errôneo,
a Igreja divida o patrimônio
como diz nos discursos do altar,
a disputa na hora de votar
aconteça sem ódio e renitência,
onde o povo exercite a preferência
sem suborno, agressão nem baixaria
- Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde o preso não use das escutas
para ornar o comando dos ativos,
não existam cartões corporativos
ensejando desvios de condutas,
hajam mais igualdades nas disputas,
otimismo aconteçam com freqüência,
os ministros demonstrem transparência
sem engodo, façanha ou fantasia,
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde o povo conquiste o seu direito
e a imprensa detenha a liberdade,
concorrente demonstre lealdade
sem sentir seu rival como suspeito,
entre filhos e pais haja respeito,
nos casais reine a paz na convivência,
e no rol da infância e adolescência
não se fale na droga nem orgia
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde a Bíblia Sagrada seja lida,
o direito autoral reconquistado,
tenha o jovem um emprego assegurado,
seja a renda melhor distribuída,
onde o médico não seja um homicida
por agir com descuido e negligência,
que a justiça use a mesma inteligência
para o jogo do bicho e loteria
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde os homens se entendam e se organizem
ensejando amor, paz e liberdade,
nos negócios não falte a igualdade
e os costumes legais se realizem,
as janelas, de grades, não precisem,
e se distingam cadeia e residência,
o poder determine providência
inibindo o sensor da ousadia
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde o índio exercite o seu direito,
os costumes dos outros, respeitados,
o patrão valorize os empregados,
não exista racismo ou preconceito,
onde o homem depois de ser eleito
não renegue a seu povo a assistência,
entre as classes perdure a coerência
e a Nação cumpra tudo o que anuncia
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde reine humildade e mais sossego
e a palavra ao ser dita permaneça,
crime bárbaro e cruel não aconteça,
não se fraude o seguro desemprego,
a criança não perca o aconchego
e seja isto da lei uma exigência,
professores preservem a sapiência
ensinando fazer democracia
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde àquele que queira trabalhar
nunca falte na lida o que fazer,
quem faz pão tenha o pão para comer;
quem faz casa, uma casa pra morar,
onde a vida não custe um celular
e a traição não impere a resistência,
a justiça não sofra a influência
do fuzil, do dinheiro ou da chefia
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde a terra só seja disputada
por aqueles que queiram trabalhar;
o pirata, inibido de imitar;
e a indústria transgênica, rotulada;
a miséria se sinta amordaçada
pelos laços fiéis da diligência,
seja um livro o mandão da preferência,
tenha o pobre remédio e moradia
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde a lei seja pura e respeitada,
não se tire proveito das mazelas,
não se jogue um menor pelas janelas
e a doméstica não seja apedrejada,
do mendigo que dorme na calçada
não se faça fogueira sem clemência,
magistrado com sua prepotência
não dispare uma arma no vigia
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Da polícia se expulsem os marginais
e os apelos não entrem no sucesso,
onde os túneis não sirvam de acesso
às agências bancárias federais,
não se veja nas portas de hospitais
paciente morrer sem paciência,
testemunha não minta em audiência
protegendo do crime a autoria
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Nas escolas por rico freqüentadas
favelado também se matricule,
nota falsa em comércio não circule,
as ações desonestas, rejeitadas;
as notícias benéficas, divulgadas,
CPI não padeça inconseqüência,
quem a arma entregou por aderência
do governo receba garantia
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde o juro não seja especulante
não se apele às ações da moratória,
não se faça medida provisória
todo mês, todo dia e todo instante,
gasto público não seja horripilante,
não se fale em propina e truculência,
não se oculte uma boa antecedência
e haja lei pra punir pedofilia
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.


Onde o leite é vendido sem mistura,
boa marca mereça confiança,
candidato não aja com lambança
e a poesia transite sem censura,
não se louvem as ações da ditadura
num regime que ancora a presidência,
as fronteiras combatam entorpecência
carnaval ceda espaço à cantoria
-Se eu nascesse de novo pediria
pra viver no país da consciência.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CORDEL NO DN: REPERCUSSÃO



Congratulações do Centro Cultural de Cordelistas do Nordeste - CECORDEL

A matéria que saiu no último domingo, no Diário do Nordeste, me rendeu várias manifestações de apoio e congratulações.

Tem algumas, em versos, que preciso mostrar aos leitores deste Mundo Cordel.

Esse tipo de manifestação me da uma alegria muito grande para permanecer apenas comigo.

Vou começar com o e-mail recebido do Centro Cultural de Cordelistas do Nordeste - CECORDEL - assinado por PPardal e Guaipuan Vieira. Este, aliás, talvez ainda não soubesse, mas já havia sido publicado cordel seu por aqui.

Segue o e-mail:

Ilmº Snr. Dr. Juiz juiz Marcos Mairton,

Nossos Parabéns:

Ter um juiz de direito
nas fileiras do cordel                                      
é ato de menestrel
que por Bragi foi eleito;
Assim preserva o conceito
de poeta popular
e com a rima exemplar
de meu povo tem aval
é mais um intelectual
que o cordel vem abraçar.

Guaipuan Vieira
------------------------------
Cordel é poesia discreta
Que na mente do poeta
Deixa gravado o seu jeito.
Não estranhe minha gente
Se cordel sair da mente
De um juiz de direito!

Parabéns para o juiz
Que através do cordel diz
Que sabe fazer poesia.
Nós cordelistas dizemos
O quanto orgulho teremos
Se o conhecermos um dia.
 PPardal

Site: www.cecordel.com.br

Desde 1987 publicando e divulgando a literatura de cordel 

Atenciosamente,

Guaipuan Vieira

domingo, 29 de janeiro de 2012

CORDEL NO DN



O Diário do Nordeste deste domingo (29.01.2012) trouxe matéria a respeito de minhas aventuras cordelísticas, o que me rendeu uma quantidade de acessos bem acima da média para um domingo, além de vários e-mails de pessoas interessadas em saber mais sobre minhas obras, elogiar ou apenas comentar.

Agradeço ao repórter Alex Pimentel - a quem eu ainda não conhecia pessoalmente - pela iniciativa da reportagem, e aos sites e blogs que replicaram a matéria, especialmente Diário do Cariri, DireitoCE, Diário Sertão Central, Acaraú pra Recordar, Foixico.com e Blog do DiomAraújo, que lhe deram especial atenção.
Segue a reportagem.

Juiz federal se destaca na literatura de cordel


Conciliando o interesse pelo cordel e a atividade de magistrado, o juiz Marcos Mairton já publicou várias obras

Quixadá - A responsabilidade do juiz titular da 23ª Vara Federal, neste Município, Marcos Mairton da Silva, 46 anos, vai muito além das 15 audiências realizadas diariamente e os mais de quatro mil processos a apurar juntamente com um colega magistrado nesta cidade do Sertão Central. Apesar da exaustiva rotina judiciária, este fortalezense ainda tem disposição para criar cordéis. Hoje, já são dezenas de publicações. Algumas delas já estão sendo utilizadas como material paradidático, em escolas de Iguatu, no Ceará, e Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Ele ainda tem o seu próprio blog, onde divulga suas obras e incentiva os trabalhos de outros amantes da literatura nordestina.


Quando herdou dos pais o hábito de ler cordéis, além do gosto pelas estórias rimadas, escritas na maioria das vezes por poetas populares, Marcos Mairton percebeu o dom de criar seus próprios contos. Mas o destino havia lhe reservado muitas surpresas, pessoais e profissionais. Apesar do talento, faltava a oportunidade para publicar suas primeiras estrofes. Somente oito anos após se formar em Direito pela Universidade de Fortaleza (Unifor), e outros cinco após iniciar sua carreira de juiz federal, já no exercício do magistrado, finalmente conseguiu publicar seu primeiro cordel, intitulado "O advogado, o diabo e a bengala encantada", em 2005.

Sentença

Mas seu maior desafio no mundo literário surgiu quando decidiu proferir sua primeira sentença em versos, em fevereiro de 2002, quando ainda estava em estágio probatório. Outro juiz federal, Carneiro Albim, então vice-presidente do Tribunal Federal do Rio de Janeiro, o felicitou pela inovação. Em 2005, "A Sentença" virou folheto. Atualmente o texto está disponível no blog dele, Mundo Cordel.

A ousadia lhe rendeu elogios e a admiração de um colega do Poder Judiciário, o juiz Nagibe Melo Jorge, que estava escrevendo um livro jurídico sobre técnicas na elaboração de sentenças cíveis. Marcos Mairton ofereceu-se a ajudá-lo. Acessou o sistema de processos eletrônicos, apanhou o primeiro que estava pronto e rapidamente escreveu um cordel sobre uma sentença civil.

Atividade artística

Desde então, sua arte vem se fortalecendo. Uma de suas obras, "Os dois soldados", um cordel ilustrado publicado pela Ensinamento Editora, foi inserida no programa Cesta Básica da Cultura e do Conhecimento (CBCC). De acordo com o autor, trata-se de um projeto de incentivo às empresas. Elas adquirem os exemplares e distribuem para os funcionários, trabalhadores, juntamente com os alimentos.

O juiz recorda de citações de seus trabalhos inclusive no continente europeu. Ele se refere ao cordel ilustrado "Uma aventura na Amazônia", da editora Imeph, com ilustrações de Rafael Limaverde. A obra utilizada em uma palestra de um professor de Letras, na Universidade de Coimbra, em Portugal.

Marcos Mairton também se dedica a contos, crônicas e até compõe músicas. Os cordéis, podem ser adquiridos na Livraria Oboé ou então na Livraria Cultura, em Fortaleza. Boa parte do material também está disponível em seu blog.

FIQUE POR DENTRO

Sentença proferida em forma de cordel

Um dos momentos que mais marcou a atividade artística do juiz Marcos Mairton da Silva foi ter proferido, em 2002, uma sentença em forma de cordel. Em 2005, o texto tornou-se folheto e sua versão integral pode ser encontrada no blog do magistrado. Trecho da publicação:

"A poesia é presente
No olhar do acusado
Seja quando ele é culpado,
Seja quando é inocente.
Na testemunha que mente,
E na que fala a verdade.
Na imparcialidade
Que todo juiz queria.
Veja quanta poesia
Em nossa realidade."

Mais informações
Marcos Mairton da Silva
Juiz de Direito da Justiça Federal
Quixadá
E-mail: marcos.mairton@uol.com.br   
Blog: http://www.mundocordel.com

ALEX PIMENTEL
COLABORADOR

sábado, 28 de janeiro de 2012



Obra do poeta Elmo Nunes 
chega à Fundação Biblioteca Nacional
Por Marcus Peixoto 
Jornalista, escritor, Redator do Diário do Nordeste e Assessor de Imprensa da Prefeitura de Fortaleza 

“Agradecemos esta importante contribuição para a preservação e a guarda da produção intelectual nacional”. Essas foram as palavras de Daniele Del Giudice, chefe da Fundação Biblioteca Nacional, ao anunciar iniciativa que contempla cordéis de autoria do poeta Elmo Nunes de Poranga, no Ceará. Três títulos do poeta foram selecionados para ocupar espaço na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, os quais são: “Amigos na Estrada” 1ª edição, “Preservando Para Melhorar” 2ª edição e “No Combate ao Mundo das Drogas”2ª edição, cordel reeditado para lançamento-2012, em virtude do “prêmio Patativa do Assaré” do qual o poeta é vencedor na categoria “criação e produção” pelo Ministério da Cultura. O cordel que aborda temática sobre as drogas, será lançado por seu autor nas escolas municipais e estaduais de Poranga, seu próprio município, enquanto o Ministério da Cultura fará a distribuição nas Bibliotecas Públicas do País referente a 10% sobre a tiragem de 7000 mil exemplares. Além dessa deferência ao artista popular de Poranga, Município quase vizinho ao Estado do Piauí, há uma retomada da literatura de cordel nas escolas públicas brasileiras e, em particular, do Ceará. O fenômeno é acompanhado pelo professor aposentado da Universidade Federal do Ceará (UFC) e estudioso da Cultura Popular, Gilmar de Carvalho, como um movimento promissor, uma vez que se rompe com os estigmas de que o cordel se tratava de para-literatura, anti-didático (como, por exemplo, seus sucessivos erros de concordância), e agora passando a lidar com o que faz parte do imaginário mais antigo da nordestinidade. Ou seja, alarga fronteira para se conviver com outras formas de expressão. "Quem não teve uma babá, uma ama de leite, um tio que não contou histórias a partir do cordel? Indaga Gilmar de Carvalho. No mundo digital, em que a leitura no papel vem cada mais sendo negligenciada não vê como um paradoxo se retomar esse segmento cultural, uma vez que muitos artistas estão sintonizados com as novas tecnologias. Cita vários cordelistas que hoje publicam suas obras em blogs. Contudo, Gilmar chama a atenção para se formar um mix com a literatura canônica. Ler Guimarães Rosa, Machado de Assis é algo que se deve ser somado à arte que se manifesta das raízes populares. "O bom leitor é aquele que é inquieto", afirma Gilmar.


CONFIRAM TRECHOS DOS CORDÉIS CITADOS NO TEXTO:


AMIGOS NA ESTRADA

Meus companheiros leitores
Que apreciam meus cordéis
Sou muito grato por tê-los
Como leitores fiéis
Que adquirem meus folhetos
E de amigos menestréis.

Menestréis que vou lembrar
Com prazer no coração
Eles que são meus amigos
Trovadores do sertão
Por isso elevo a todos
Esta minha saudação.

Pequeno diante deles
“Sou semente que deu grão”
Pois, papai como poeta
Plantou-me em fecundo chão
Pra nascer e crescer forte
Em um vertente rincão.



PRESERVANDO PARA MELHORAR
(Montado para peça teatral)

Caro amigo poranguense
Quero chamar-lhe atenção
Para os erros cometidos
Que o homem faz em vão
Destruindo nossa terra
Sem fazer preservação.

Ouça com muita atenção
O que quero lhe falar
Sobre esse problema sério
Que estamos a passar
Mas sabendo que na vida
Tudo pode melhorar.

E pra melhorar depende
De nós uma boa ação.
Pra amenizar o problema
Em conscientização
Contra o tal desmatamento
E a cruel poluição.

José – Mas sabemos que tem gente
Que não sabe preservar,
Por faltar conhecimento
Ou não querer se informar.
Inclusive meu compadre
Que danos vive a causar.

João - "Compade" José me diga
Mas que falação é essa?
Que erro tô cometendo?
Me fale sem "munta" pressa
Porque vivo a "trabaiá"
E o "sinhô" só tem conversa.

José - Compadre João, por favor,
Preste muita atenção,
Que eu vou lhe ensinar
A cuidar da plantação
Sem ter que provocar mais
A cruel poluição.



No Combate ao Mundo das Drogas  

Para combater as drogas
É preciso seriedade
De quem eu aqui aponto
Para se ter na verdade
Um mundo com esperança
E saudável sociedade.

Por isso é que eu envolvo
Três coisas neste poema:
Política mídia e justiça
Na luta contra o problema,
Ainda organizações
Não descarto deste tema.

Com respeito autoridades
Chamo aqui sua atenção
Confiante em seus deveres
Mesmo na legislação.
Não vou fechar os meus olhos
Pois também sou cidadão.

Muitas iniciativas
Sei que estão sendo tomadas
Nas políticas de controle
Mas precisam ser lembradas
Pra que ORGANIZAÇÕES
Sejam beneficiadas.

Para isso é necessário
Os recursos obter
Pra organizações que lutam
Ajudando a combater
Este caso problemático
Impedindo-o de crescer.

São recursos financeiros
Mesmo governamentais.
Também no funcionamento
Dos conselhos estaduais.
O Legislativo deve
Ter eficácia demais.
  
Não devemos desprezar
Os que já são usuários
Porque quem usa é doente
E apoios são necessários
Para que a vida renasça
Basta sermos solidários.