sábado, 11 de agosto de 2012

Poesia de Elmo Nunes


LIÇÃO DE ESTUDANTE
Elmo Nunes

Sei que o estudo é importante
E é constante o meu penar
Mas, consciente sigo em frente
Pois sei que a vida vai melhorar.

Esta certeza traz esperança
E não se cansa quem sabe amar
A própria vida que está contida
No modo lógico de educar.

Sinto, porém que eu sou um forte
E o meu esporte traz a lição
De resistência e persistência
Pra ver no mundo transformação.

Quero, portanto com humildade
Ser na verdade um vencedor
Firme na luta, cuja conduta:
Será respeito, paz e amor.

Assim o mundo será melhor
E bem maior com educação,
Sigo uma seta que indica a meta
Para eu ser um bom cidadão.

E além do mais é um privilégio
Vir ao colégio para estudar
Neste caminho não estou sozinho
Tenho colegas pra partilhar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Mote de Francisco Itaerço


MELHOR QUE MORRER CHEIROSO
SÓ MESMO ESCAPAR FEDENDO

Já falei aqui várias vezes da riqueza que é o Jornal da Besta Fubana, cheio de gente criativa, conhecida na Comunidade Fubânica como "bando de malassombrados".

Mas, eu também faço cá minhas malassombrações, e acho que essa foi uma delas.

Aconteceu o seguinte: Francisco Itaerço, lá conhecido como Cardeal Itaerço, em razão do seu cargo na Igreja Católica Apostólica Sertaneja, propôs o seguinte mote

Melhor que morrer cheiroso
Só mesmo escapar fedendo.  

Vários fubânicos fizeram glosas ao mote, cada qual a melhor, mas quando fui fazer as minhas, veio à cabeça uma historinha que gostei de ter feito.

Ficou assim:

Eu conheci um rapaz
que se tornou meu amigo,
mas gostava do perigo,
e hoje não o vejo mais.
É que há uns tempos atrás,
ele andou enlouquecendo
e andava sempre dizendo:
“Gosto do que é perigoso,
Melhor que morrer cheiroso
Só mesmo escapar fedendo”.


Assim, foi paraquedista
e também mergulhador,
de leões foi domador,
depois tornou-se alpinista.
perseguiu até a pista
dum monstro grande e horrendo.
Em perigos se metendo,
dizia sempre, orgulhoso:
“Melhor que morrer cheiroso
Só mesmo escapar fedendo”.


Com seu jeito diferente,
já não tinha namorada.
“Mulher, só se for casada,
e do marido valente”,
dizia sempre pra gente,
a mão no peito batendo,
e, de fato, andou comendo
a mulher do Zé Manhoso.
Melhor que morrer cheiroso
Só mesmo escapar fedendo.


Terminou assassinado
esse rapaz tão valente
e, misteriosamente,
foi o corpo encontrado,
pois estava encharcado
de um óleo perfumoso.
Perguntado, Zé Manhoso
disse: “Nada estou sabendo.
Mas, quem escapa fedendo,
às vezes morre cheiroso”.

sábado, 4 de agosto de 2012

Poesia de Laécio de Medeiros


MUNDO CORDEL E 
SEUS VISITANTES POETAS

Já disse aqui outras vezes que tem alguns comentários de visitantes deste Mundo Cordel que não podem ficar apenas no espaço destinado aos comentários. Este, de autoria de Laécio Ferandes de Medeiros, de Mossoró, é um deles:

Com a palavra, Laécio de Medeiros:


ESCREVER EM VERSO E RIMA
NA LEITURA DO CORDEL
É MUITO GRATIFICANTE
CADA RIMA UM PITEL
BRINCAMOS DE APRENDER
ESCREVENDENDO NUM PAPEL

É BONITO DE SE VER
TODO MUNDO EMPOLGADO
TENTANDO FAZER SEUS VERSOS
CADA UM INTERESSADO
TENTANDO COM A RECEITA
TIRAR UM APRENDIZADO

FICO MUITO ANIMADO
GRANDE É MINHA EMOÇÃO
EM VER O CORDEL NAS REDES
GANHANDO PROPAGAÇÃO
FALANDO QUALQUER ASSUNTO
COM HUMOR E DIVERSÃO

SEJA QUAL INFORMAÇÃO
ANTIGA OU ATUAL
SEJA TRISTE OU ALEGRE
NO PAPEL OU VIRTUAL
O CORDEL DESCREVE TUDO
DO LÚDICO A VIDA REAL

ISSO É SENSACIONAL
E QUERO ACRESCENTAR
O POETA CORDELISTA
TEM MENTE ESPETACULAR
FALA TUDO EM VERSO E RIMA
SEM DEIXAR NADA ESCAPAR

VAMOS PARABENIZAR
AQUI TIRO MEU CHAPEL
PARA TODOS OS POETAS
TODOS SÃO MENESTREL
CONTINUEM PROPAGANDO
A LEITURA EM CORDEL.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Poesia de Dalinha Catunda


MEU CANTO CRESCENTE 
*
Sou lua nova crescendo
Do Jeitinho que eu queria
Assim vou resplandecendo
Nos braços da poesia.
*
Minha cantiga de amor
Eu canto na lua cheia
Porque tenho meu barqueiro
Que me chama de sereia
Com ele cato conchinhas
Que o mar sacode na areia.
*
Em noite de plenilúnio
Eu dispenso meu colchão.
No alpendre, numa rede,
 Eu me deito em meu sertão
Pra ver a lua surgindo
De prata à noite tingindo
Com seu mágico clarão.
*
Eu sou uma retirante
E da minha terra amante.
Foi numa lua minguante
Que deixei o meu rincão.
Caminhei léguas a fio
Senti sede senti frio
Mas venci o desafio,
E voltei pro meu sertão.
*
A lua é sua madrinha
Me disse mamãe um dia
Confirmou a minha tia
E acreditar me convinha,
Pois quem se chama Dalinha,
E foi no sertão parida,
É pra lua prometida
Reza a lenda do lugar.
Eu que não vou contestar!
Gosto de ser iludida.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Lançamento de Livro


CANGAÇO: uma ampla bibliografia comentada,
 uma publicação IMEPH,
do pesquisador Melquíades Pinto Paiva.

Dia 31 de julho de 2012, 19h, na Editora IMEPH,
Rua Carlos Vasconcelos, 1926
Fortaleza-CE

Confirmar presença pelo número
(85)3261-1002
ou imeph@imeph.com.br

domingo, 29 de julho de 2012

Trovas de Nealdo Zaidan


TROVAS
Nealdo Zaidan

Eis aqui, duas respostas
para uma morte de repente.
Vento forte, pelas costas;
- e uma sogra pela frente...

Enche-me a vida de brilhos,
e a mágoa logo se vai.
Ouvir a voz dos meus filhos
quando me chamam de pai!

Para evitar nova arenga,
e tudo que prometeram.
É melhor votar na quenga:
que os filhos nada fizeram!...

Adão saiu-se a contento,
mas Eva que barro usou?
No primeiro “pé-de-vento”:
Eva – coitada – rachou...


domingo, 22 de julho de 2012

Mote de Cícero Cavalcanti



GLOSAS EM PROFUSÃO
NO JORNAL DA BESTA FUBANA

Tem um lugar na Internet onde os talentos proliferam e a criatividade fez moradia. É tanto poeta, escritor, compositor, cantor e tantas outras modalidades de artistas que a gente até se admira.


Estou falando do Jornal da Besta Fubana, comandado pelo grande Luiz Berto Filho, também conhecido como Papa Berto I, já que acumula a função de editor do JBF com a de Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja.


Esta semana o Cardeal Cícero Cavalcanti propôs o seguinte mote:


"Por essa mulher que eu amo
Eu viro o mundo do avesso"


Pra incentivar o pessoal, ele mesmo fez essa glosa, na qual se percebe uma nítida vocação limeiriana, ou seja, influenciada pelo estilo de Zé Limeira, o poeta do absurdo:


Eu bato em sete petista
Com surra de muê macho
Sete cruzado nas vista
Quatro em riba e três em baxo
Depois parto pro esculacho
E cago em sete endereço
E pra provar meu apreço
Cago, ando e esparramo
Por essa mulher que  amo
Eu viro o mundo do avesso.


Não demorou para chegarem as glosas dos outros fubânicos. Deixei junto ao nome do autor a data e hora da postagem de cada glosa, para os visitantes deste Mundo Cordel terem noção do movimento.


Lá vai!


Dom Capeta Cardeal Marco di Aurélio Diz: 
11 julho 2012 às 18:47
Eu já num bato em ninguém
cum medo de apanhar
sete cruzado eu num tem
tivesse num ia gastar
perciso mermo é de reza
é disso que mais careço
e vivo rezano um teço
pra ver se vou escapando
“por essa mulher que amo
eu viro o mundo do avesso”.


Monsenhor Fred Monteiro Diz: 
11 julho 2012 às 18:55
Queria ser um poeta
Mas poeta de verdade
Com muita capacidade
e o brilho de um esteta
Porém é difícil a meta
de poetar sem tropeço
custou-me um amargo preço
que eu pago e não reclamo
Por essa mulher que amo
Eu viro o mundo do avesso.


Monsenhor Fred Monteiro Diz: 
11 julho 2012 às 19:02
Mas de repente eu me arreto
se vejo que a coisa é braba
pelos chifre eu pego o cabra
e derrubo ele no chão
dou-lhe cinco bufetão
quebro o braço e boto o gesso
se reclamar do tropeço
chamo o viado de gamo
“por essa mulher que amo
eu viro o mundo do avesso”


Dom Capeta Cardeal Marco di Aurélio Diz: 
11 julho 2012 às 19:08
Um pueta que nem eu
que apanha da mulé
só faz o que ela quer
e por isso não morreu
um cristão virar ateu
por pagar tão alto preço
condenado não mereço
por isso na terra clamo
“Por essa mulher que amo
eu viro o mundo do avesso”.


Fred,
Meta a xibanca, doidiça também é poesia, visse?


Cardeal Huytamar Diz: 
11 julho 2012 às 19:11
Só mesmo sendo um pateta
pra na peleja querer entrar
num tenho veia de poeta
preciso mesmo me conformar
falta o talento que faz rimar
correndo o risco de tropeço
me arrisco a pagar o preço
acompanho o Capeta meu amo
e Por essa mulher que amo
Eu viro o mundo do avesso


Dom Capeta Cardeal Marco di Aurélio Diz: 
11 julho 2012 às 19:21
O Cicim tacou foi fogo
assoprando na coivara
e a lua nem é clara
ele não é demagogo
soube começar o jogo
ele é mole eu endureço
eu cum ele não pareço
ele vai e eu não chamo
“Por essa mulher que amo
eu viro o mundo do avesso”.


Huytamar,
Um dia vosmecê se encosta. Vá treinando!


Monsenhor Fred Monteiro Diz: 
11 julho 2012 às 19:25
Capeta eu meto a xibanca,
pá, enxada e estrovenga
gosto de entrar na arenga
e meter minha alavanca
de muié gosto das anca
mas nunca que eu reclamo
nuns peito vou lá e mamo
pois é coisa que eu mereço
“eu viro o mundo do avesso
por essa mulher que amo”


Monsenhor Fred Monteiro Diz: 
11 julho 2012 às 19:31
Ô Dom Marco eu já tava cum saudade
das peleja qui nóis fez pur aqui
tarde inteira naquele ti-ti-ti
que acordou meia dúzia de cidade
e que deu a maior felicidade
prum poeta que é só meia-caneta
pois da bala não sou nem espoleta
sou somente aprendiz de tanto fera
que na Besta Fubana prolifera
com a força de mais de mil Capeta!


Monsenhor Fred Monteiro Diz: 
11 julho 2012 às 19:36
Seu Ciço entre na roda
e vamo fazê fuá
tu só fez foi começá
e nu’instante entrou na “coda”
e o Capeta se incomoda
não vá entrar na retranca
porque se fechar a tranca
nossa roda vai murchar
e se a rima se acabar
eu guardo minha xibanca


Dom Capeta Cardeal Marco di Aurélio Diz: 
11 julho 2012 às 20:17
Cicim botou um retrato
meio lusco, mei velado
uma ôreia em cada lado
cabelo camim de rato
camisa – um desacato
de uma cor que eu derramo
de baitola não lhe chamo
ele é meio travesso
“Eu viro o mundo do avesso
pela mulher que eu amo”.


CARDEAL CÍCERO CAVALCANTI Diz: 
11 julho 2012 às 20:17
Eu não fujo da retranca
Nem mijo fora do caco
Papagaio e currupaco
Comigo num bota banca
Se eu subir na tamanca
De lá de riba te chamo
Mulé me bate que eu gamo
Me xinga que eu bem mereço
Por essa mulher que amo


CARDEAL CÍCERO CAVALCANTI Diz: 
11 julho 2012 às 20:32
Eu taco fogo na igreja
Por conta da minha sina
Depois chumbrego a menina
Tomano a minha cerveja
Não há um só ser que seja
Que faça o fim no começo
Por isso é que em meu tropeço
Eu quase nunca reclamo
Por essa mulher que eu amo
Eu viro o mundo do avesso


Dom Capeta Cardeal Marco di Aurélio Diz: 
11 julho 2012 às 20:57
Tacaram fogo na igreja
trocaram o sino na sina
acunharam na menina
tomaram minha cerveja
essa alma não se alveja
nem chamando Itaerço
o fim já tá no começo
e esse peixe eu não descamo
“Por essa mulher que eu amo
eu viro o mundo do avesso”.


Cardeal Itaerço Diz: 
11 julho 2012 às 21:12
Só vou glosar este mote
Porque o pedido foi feito
Com carinho e com respeito
Por um poeta de cepa
Sem rodeio, sem mutreta,
Sem gracejo, sem tropeço…
Pedido assim nao tem preço
Por isso gloso e não reclamo:
“Por essa mulher que eu amo
Eu viro o mundo do avesso”


Ciço, meu mestre, foi o que deu pra arrumar.


monsenhor procopio Diz: 
11 julho 2012 às 21:17
Pra’ cabá minha tristeza
mode eu mi sinti vivo
vorto increve no Besta
num momento não festivo
tento me enturmá dinovo
sabendo que tem um preço
essa minha istripulia
podi sê um distempero
“Por essa mulher que eu amo
eu viro o mundo do avesso”.


Monsenhor Fred Monteiro Diz: 
11 julho 2012 às 21:19
Por essa mulher que eu amo
eu troco a ordem do mote
porque não tem redingote
nem tem renda de mucamo
faz tempo que eu não te chamo
pra ouvir banda em retreta
mas numa festa porreta
baiano não tem tropeço
tiro a criança do berço
viro o mundo pelo avesso


Marcos Mairton Diz: 
11 julho 2012 às 22:27
O mote do Cardeal
é bonito que é danado
e o verso limeirizado
o deixou fenomenal.
Eu não vou fazer igual
mas, se limeirar mereço,
do fim eu faço um começo
e da raiz faço um ramo.
Por essa mulher que eu amo.
eu viro o mundo do avesso.


Dum martelo eu faço um prego
Duma jaca uma pitomba
Dum rabo eu faço uma tromba
Dum receber um entrego.
Se duvidar eu esfrego
minha pé no meu cabeço,
desmancho, faço aconteço,
do que for bom eu reclamo.
Por essa mulher que eu amo.
eu viro o mundo do avesso.
Eu viro o mundo do avesso


Marcos Mairton Diz: 
11 julho 2012 às 22:44
Certa vez vi uma cobra
engolindo uma bacia,
mas o pescoço fazia
muita prega e muita dobra.
Juntei o que foi de sobra,
e comi, pra ver se eu cresço.
Se for pra subir eu desço,
se for pra voltar nos vamo,
por essa mulher que eu amo
eu viro o mundo do avesso.


Madre Superiora Glória Braga Horta Diz: 
12 julho 2012 às 0:04
Eu bato em sete muié
com força de hômi gay
e só mexê com quem é
no momento o meu rei.
A rainha que eu amei,
Minha Mãe que me deu berço
e a quem a vida agradeço,
eu disse ao mundo com clamo:
Por essa mulher que amo
Eu viro o mundo do avesso.


Monsenhor Fred Monteiro Diz: 
12 julho 2012 às 10:38
A Besta é uma mulher
amada por todos nós
eu vivo perdendo a voz
de tanto dizer que é
ovelha gritando méé
cachorro brabo eu conheço
mas mordida eu não mereço
assim mesmo não reclamo
por essa mulher que amo
eu viro o mundo do avesso


Goiano Diz: 
12 julho 2012 às 17:22
Ela se foi para longe
E não deixou endereço,
Mas eu não vou virar monge,
Se preciso, rezo um terço,
Faço oferenda, me agacho
pago prenda, ponho preço.
Seus carinhos eu reclamo
Sabendo que não mereço:
Por essa mulher que amo
Eu viro o mundo do avesso