segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Cordel de Marcos Mairton



Não é de hoje que sou apaixonado por esportes de lutas, principalmente o boxe.

Assim, sabendo que sábado, 15 de setembro de 2012, acontecerá pela primeira vez em Fortaleza uma disputa de título brasileiro de boxe, não poderia deixar de registrar o fato, usando, para tanto, o talento de cordelista que Deus me deu.

Como nos velhos tempos, quando as notícias chegavam ao sertão pelos versos dos cordelistas, que este Cordel possa viajar pelo sertão da Internet, contando essa história, cujo capítulo final ainda não aconteceu.


HISTÓRIA INCOMPLETA 
DE UM LUTADOR
Marcos Mairton

Era uma vez um menino
que vivia em Salvador,
riqueza ele nunca teve
mas sempre teve valor.
E deu-se que esse menino
escolheu como destino
se tornar um lutador.

Começou a treinar boxe
na pequena academia
que havia em seu bairro
e aos poucos aprenderia,
jabs, diretos, cruzados,
e ganchos bem aplicados,
Era isso o que queria!

Esse menino cresceu
e, de fato, conseguiu
fazer do boxe o caminho
que em sua vida seguiu
para chegar à vitória,
e, assim, a sua história
ele mesmo construiu.

Mas, quando já era adulto,
quis trabalhar registrado,
e foi para Fortaleza,
onde fora contratado.
Trabalhou quase dois anos,
mas, mudaram os seus planos
ao ficar desempregado.

Então, longe da familia,
vivendo em outra cidade,
pensou: “Posso até chegar
a passar necessidade.
Mas, jamais desistirei,
e logo conseguirei
outra oportunidade”.

Procurou um novo emprego,
dia e noite, noite e dia,
mas não encontrava nada
do que ele pretendia.
Se não fosse um rapaz forte
ao enfrentar a má sorte
depressa desistiria.

Foi então que ele lembrou
que o boxe podia ser
o caminho para essa
situação reverter.
E, pensou: “Vou ensinar
a nobre arte de usar
os punhos para vencer!”.

Confiante no projeto,
Foi a uma academia,
e explicou para o dono
o que ele pretendia.
A ideia agradou aos dois
e, ali, dias depois,
a ensinar começaria.

Muitos alunos vieram
para aprender a lutar
com o professor de boxe
que acabara de chegar.
Tornou-se, assim, treinador
e também o professor
mais querido do lugar.

Mas, faltava uma coisa
para que esse guerreiro,
realizasse o seu sonho,
por completo, por inteiro.
E começou a pensar,
em um dia enfrentar
o campeão brasileiro.

Quando ele falou isso,
muita gente duvidou
Mas, assim como outras coisas
que nosso herói já sonhou,
ele seguiu sempre em frente
buscando incansavelmente
aquilo que desejou.

O trabalho rendeu frutos
e hoje a luta está marcada,
Aqui mesmo, em Fortaleza,
para ser realizada.
Ele espera por vocês,
dia quinze deste mês,
para a luta tão sonhada.

O lutador de quem falo
se chama Flávio Leal,
Vive aqui no Ceará,
morando na capital.
Quer o título brasileiro
de meio-médio-ligeiro
do boxe profissional.

Para isso enfrentará
um valoroso oponente,
que é Lázaro Ferreira,
campeão atualmente.
Os dois estão preparados
e logo estarão postados
cara a cara, frente a frente.

Como termina essa história
É uma interrogação.
Mas o leitor, se quiser,
Saber em primeira mão,
vá ao Paulo Sarasate
ver quem apanha e quem bate
e quem será campeão.




domingo, 9 de setembro de 2012

Poesia de Dideus Sales



HOMENAGEM A NELSON RODRIGUES, 
JORGE AMADO E LUIZ GONZAGA
Dideus Sales


Nelson Rodrigues, cronista,
Dramaturgo iluminado;
O genial Jorge Amado,
Fulgurante romancista;
Luiz Gonzaga, um artista
Da sanfona e da canção,
Três notáveis na invenção,
Três gigantes, três arcanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.

Três símbolos deste país
Deixaram enorme lacuna:
Amado, de Itabuna,
Do Exu, o rei Luiz,
Nelson deixou seu matiz
Na robusta produção.
Os três com certeza não
São sagrados nem profanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.

Três corcéis soltos sem rédea
Nos campos férteis das artes,
Três cetros, três estandartes
Três estros além da média
Nelson deu alma à comédia,
Luiz criou o baião,
Jorge leu com emoção
Os sentimentos baianos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.

Três bússolas, três timoneiros
Três videntes, três estetas
Três sonhadores poetas
Três autênticos brasileiros
Três mágicos, três feiticeiros
Três luzes na amplidão
Três sementes de emoção
Lançadas em solos planos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.

Três cascatas, três rochedos
Três rapsodos etéreos
Três enigmas, três mistérios
Três boêmios, três aedos
Três decifráveis segredos
Três bombas numa explosão
Três invernos no sertão
Três destinos, três ciganos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.

Três plantadores de sonhos
Três jardineiros, três lagos
Três caminheiros, três magos
Três vencedores medonhos
Três estafetas risonhos
Três aves de arribação
Três faróis na escuridão
Três naus em três oceanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.

Três geniais nordestinos
Três astros incandescentes
Três jazidas, três torrentes
Três lentes, três paladinos
Três artistas genuínos
Três monstros da criação
Três mundos de inspiração
Três deuses, três soberanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.

Jorge Amado absoluto
Em seu ideal político;
Nelson Rodrigues um crítico
Controverso e muito astuto;
Luiz Gonzaga um matuto
De apurada aptidão,
Os três legaram à nação
Feitos quase sobre-humanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Marcos Mairton na TV Diário




Neste domingo, 9 de setembro, participarei mais uma vez do programa AO SOM DA VIOLA, na TV Diário, sob o comando do poeta Geraldo Amancio.


Dessa vez, irei apenas para cantar. Claro que não poderá faltar a sempre pedida "Coração de Frango"!




terça-feira, 4 de setembro de 2012

Cordel de P. S. Assis


Um dos monólitos de Quixadá

DO ALTO DAQUELA PEDRA
P S Assis


Eu subi naquela pedra
Para ver o visual
Fui tomado de uma paz
Quase sobrenatural
Acho que naquele instante
Tinha derrotado o mal

Não lembrava de contendas
Muito menos desaforo
Minha alma estava quieta
Foi se embora o agouro
Eu parecia algum casal
Em inicio de namoro

Nunca na minha vida
Vi um lugar tão bonito
Tendo só a companhia
Do gigante de granito
Pude admirar o céu
E o oceano infinito

A maré estava calma
Parecendo uma piscina
O sol se refletindo
Sob a água cristalina
Parecendo um menino
Abraçado a uma menina

A praia quase virgem
Preservava toda flora
Fez eu esquecer do tempo
Nem sabia qual à hora
Se pudesse ali morar
Juro que não ia embora

Aquela maravilha
Me deixou extasiado
Já passava o meio dia
E eu em pé ali parado
Contemplando a natureza
E seu mar abençoado

Só pensava em coisas boas
Tipo a brisa da manhã
Uma doce melodia
Ou um abraço da irmã
Aquecendo o meu corpo
Feito casaco de lã

Eu pude ver os peixes
Fugindo da traineira
Eram tantos que formava
Uma imensa fileira
Mas do jeito que pulavam
Parecia brincadeira

O vento que soprava
Transmitindo calmaria
Borrifando no meu rosto
O sabor da maresia
Na verdade me contava
Que chegara o fim do dia

Ainda fui presenteado
Por um lindo por do sol
Baixando lentamente
Pelas costas do farol
Tingindo o espelho d’água
De vermelho arrebol

Mar, de tão misterioso
Deixa a mente fascinada
Agora entendo por quê
A sereia apaixonada
E o valente pescador
Fazem dele sua morada

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Convite para Evento



21 de setembro de 2012, na Casa do Ceará:
1º Encontro dos Escritores Cearenses em Brasília

Os escritores cearenses residentes em Brasília terão oportunidade de encontrar seus leitores em 21 de setembro quando a Casa do Ceará em Brasília, com o apoio da Confraria dos Cearenses, promoverá o 1º Encontro dos Escritores Cearenses, em Brasília que terá como convidado o juiz Marcos Mairton (Quixadá), poeta, cordelista e cantador e o médico Josué de Castro. O evento se realizará na sede da Casa, na 909/910 Norte, entre 18 e 22 horas.

Na oportunidade será homenageado o jornalista e escritor cearense Luciano Barreira (Quixadá), nascido em Fortaleza-CE, 18/11/1926 e falecido em 20/08/2009, em Brasília, tendo sido o fundador e por mais de 20 anos diretor do Jornal Ceará em Brasília.

A Casa do Ceará oferecerá aos participantes um coquetel com comidas e bebidas típicas, incluído no cardápio tapioquinha com carne do sol, caldos de jerimum e macaxeira, camarão empanado, vinho, uísque, cachaça do Ceará, refrigerante, água mineral, água de coco e cajuína e queijo de coalho com rapadura. 

O cantor Beto Alencar tocará e cantará MPB do Ceará e forró.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Convite para Evento



Edições Demócrito Rocha lançam catálogo 2012-2013 
com palestra da escritora Socorro Acioli
Fonte: O POVO


As Edições Demócrito Rocha (EDR) lançam, no próximo sábado, 25, às 17 horas, no Espaço O POVO de Cultura & Arte, o Catálogo 2012/2013.  A escritora Socorro Acioli, autora de vários livros infantis publicados pelas EDR, receberá os convidados com a palestra A aventura de ler em Monteiro Lobato e conversará com a plateia sobre estratégias de leitura no ambiente escolar e familiar. A escritora autografará seus livros após a palestra. Entre eles o recém lançado Aula de Leitura com Monteiro Lobato (Editora Biruta, 2012).

Títulos da EDR são adotados nacionalmente
No início deste mês, dois livros das Edições Demócrito Rocha venceram o edital do PNLD-2013 Obras Complementares.

Um deles é o “A quarta-feira de Jonas”, da escritora Socorro Acioli e o outro o “Um sapo dentro de um saco”, do cordelista Marcos Mairton.

O edital é responsável pela compra de livros de literatura infantil para bibliotecas de todo o País. A expectativa é entregar ao Ministério da Educação, cerca de 50 mil livros de cada título.

O “Quarta-feira de Jonas” também foi adotado, via edital, pela Secretaria da Educação de São Paulo, assim como  “O Mistério da professora Julieta”,  também selecionado. Ambos são de autoria da escritora Socorro Acioli e farão parte dos projetos de leitura para 2013 daquele estado.

Do edital, participaram 2,2 mil títulos de editoras de todo o Brasil. Destes, 675 títulos foram escolhidos para projetos da secretaria do governo paulista.  As obras foram analisadas e selecionadas pela Coordenadoria de Gestão da Educação Básica da secretaria.

Serviço:
Lançamento do Catálogo 2012/2013 das Edições Demócrito Rocha
Sábado, 25, às 17h
Espaço O POVO de Cultura & Arte (Av. Aguanambi, 282, Joaquim Távora)
Palestra com a escritora Socorro Acioli
Informações: (85) 3255 6270

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cordel de Antonio Barreto


TORCIDA ORGANIZADA:
TRAGÉDIA ANUNCIADA
Antonio Barreto
Pescado da coluna "Repentes, Motes e Glosas", de Pedro Fernando Malta,
do Jornal da Besta Fubana

Houve um tempo em que a torcida
Dos times de futebol
Se alegravam nos estádios
Na belas tardes de sol
Sentindo a brisa do vento
E o canto do rouxinol.

Não havia violência
Era um clima de amizade
As famílias reunidas
Gente de toda idade
Embelezando os estádios
Mesmo com a rivalidade.

As bandeirolas enfeitavam
Rua, beco, avenida…
O povo soltava fogos
E rolava até bebida!
Mas a paz era reinante
No coração da torcida.

Gente de todas as classes
Em perfeita comunhão
O estádio era de todos
Sem haver separação
Quando o jogo terminava
Só rolava gozação.

Vencedores e vencidos
Não ficavam estranhados
Saíam juntos pra casa
Até mesmo abraçados
Porém já se foi o tempo
De homens civilizados.

Hoje tudo está mudado
Prevalece a ignorância
O ódio já nos domina
E também a arrogância.
O mundo do torcedor
É o mundo da discordância.

A violência constante
Causa medo ao torcedor
Pois o que era alegria
Transformou-se em terror.
Torcidas organizadas
Desconhecem o que é o amor.

E no mundo virtual
Muito torcedor investe…
Tem até comunidades
Criadas na Internet
Incitando a violência
Onde eles pintam o sete.

Essa turma violenta
De torcida organizada
Precisa ter consciência
E ser mais civilizada.
Que exemplo vai ser dado
Para toda a criançada?

Se a torcida organizada
Criar líder de valor
Gente séria e responsável
Que ouça o nosso clamor:
O clima dos torcedores
Vai ser de paz e amor.

A arma do torcedor
É mesmo a reclamação
Chamar o técnico de burro
O juiz de bom ladrão
Jogador de preguiçoso:
Já é boa solução!

Devemos reconhecer
Que a torcida organizada
Tem o seu grande valor
Quando conscientizada,
Mas pra isso é preciso
De gente civilizada.

A torcida organizada
Também pode pressionar
À direção do seu time
Podendo então opinar.
Basta que todos aprendam
O verbo dialogar.

Pode até fiscalizar
Torcedores violentos
Cambistas usurpadores
E também maus elementos
Que visam tirar o brilho
Dos nossos grandes eventos.

Mas partir pra violência
Pontapé, soco, pedrada
Sacar revólver e dar tiro
Invasão, bomba e facada:
Deixa de ser futebol
Pra ser guerra anunciada.

Perda de mando de campo
Jogos com portões fechados
Para punir as equipes
Não gera bons resultados.
Essa punição só deixa
Os times prejudicados.

Manifestação de ódio
De torcedores rivais
Aos poucos tiram do estádio
Aqueles que prezam a paz.
Parece até que os fanáticos
Se transformam em animais!

A arquibancada já
Não é mais lugar seguro
É palco de violência
De torcedor imaturo.
Ali ficarão somente
Os marginais no futuro.

Parece que copiamos
Os hooligans lá da Europa
Sinônimo de violência.
Até nos jogos da Copa:
Assassinos disfarçados
Atacando sempre em tropa.

O ódio vai se espalhando
Pelos campos do Brasil.
Os jovens vão aderindo
À violência febril
Aumentando dia a dia
O comportamento hostil.

Logo, logo tem fuzil
Metralhadora, canhão…
Até mesmo a criançada
Vai querer usar facão!
Mas chegado este dia:
Estou debaixo do chão!

Talvez haja solução
E o torcedor melhore
Transformando o vandalismo
Simplesmente em folclore!
Mas é preciso que a Lei
Seja séria e não demore.

A preservação do esporte
É de valor cultural
Desse modo a Justiça
Tem que ser imperial:
Evitando que a alegria
Transforme em guerra campal.

Em BAVI, FLAFLU, GRENAL
Seja o clássico que for
Não importa o resultado
Derrotado ou vencedor…
Não havendo violência:
Lucrará o torcedor.

Tanto faz a Fonte Nova
Pituaçu, Barradão
Morumbi, Parque São Jorge
Maracanã, Mineirão
Orlando Scarpeli, Aflitos
Pacaembu, Castelão,

Rei Pelé, Palestra Itália,
Beira-Rio, Ressacada
Ilha do Retiro, Arruda
Mangueirão, Serra Dourada:
O que importa é união
Com ou sem ‘organizada’!

Brasileiros não se matem
Aproveitem o bom momento.
Recarreguem as energias
Rindo do seu sofrimento!
E deixem de incoerência:
Transformem em benevolência
O seu gênio violento!