terça-feira, 13 de novembro de 2007

Minha poesia e o violão de Nonato Luiz



ENCONTRO DA MÚSICA COM A POESIA

Era um sábado à tarde – e isso já faz quase um ano – quando eu estava na casa do amigo Samuel Facó, advogado em Fortaleza, e comentei com o compositor e violonista Nonato Luiz, nosso amigo em comum, sobre a intenção de gravar meus cordéis em um CD, especialmente para as pessoas que não sabem ler a poesia em seu ritmo característico.

Nonato imediatamente pôs à disposição suas músicas, para funcionarem como cenário das declamações, e fez a sugestão, que para mim foi um comando: “A poesia OS CINCO SENTIDOS você vai declamar ao som de RUBI GRENÁ”.




Depois disso, “letrei” uma música de Nonato, e fico todo orgulhoso quando ele me chama de “parceiro”. Afinal, Nonato Luiz é “um dos instrumentistas brasileiros mais respeitados no circuito europeu, onde vem desenvolvendo, ao longo dos anos, inúmeros concertos em violão, elogiados pela crítica especializada. Suas músicas já foram gravadas por violonistas de todo o mundo (Brasil, Tchecoslováquia, Estados Unidos, Inglaterra, China, Argentina, Alemanha, Áustria, França etc.). É um dos privilegiados brasileiros a lançar na Europa um livro reunindo as partituras de suas composições entitulado 'Suíte Sexta em Ré Para Guitarrra', editado pela Henry Lemoine, em Paris-França”, conforme registra seu site.

Bem, o CD ainda não saiu, mas o encontro de OS CINCO SENTIDOS com RUBI GRENÁ eu fiz no clipe acima.

Segue o texto da poesia:

OS CINCO SENTIDOS
(para Natália Guberev)

Com os meus cinco sentidos
Percebo a natureza.
Boca, olhos e ouvidos,
Pele e nariz na certeza
De captar o sabor
A beleza, o odor,
A textura, a melodia
Das coisas que a cada dia
Eu encontro em minha vida,
E da mulher tão querida,
Que me enche de alegria.

O PALADAR
Existem muitos sabores
Pra agradar o paladar:
Bebidas finas, licores,
Vinho tinto e caviar.
Mas nada tem o sabor
Dos beijos do meu amor,
Quando vem e me abraça.
Com os braços me enlaça,
Encosta seu corpo ao meu,
E eu pergunto: quem sou eu
Pra merecer essa graça?

A VISÃO
Fazendo a comparação
De onde há mais beleza.
Na água, no ar, no chão,
Em toda a natureza,
Nunca vi coisa tão bela
Como o sorriso dela,
Da minha doce amada.
Ela vem tão delicada,
E fala ao meu ouvido:
És meu príncipe querido,
Eu quero ser tua fada.

A AUDIÇÃO
A música nos alcança
Por meio da audição.
Pelos ouvidos avança,
Pra chegar ao coração.
Mas, o som que mais me agrada
É a voz da minha amada,
Quando fala ao meu ouvido.
Cada sussurro ou gemido,
Cada agudo e cada grave
É uma nota suave
Me deixando embevecido.

O TATO
O tato é que nos revela,
Na escuridão mais escura,
Do veludo e da flanela,
A maciez e a textura.
Mas não há tecido ou fio
Que possa ser mais macio
Que a pele da minha amada.
Fica comigo abraçada,
Se transforma em cobertor,
E o frio vira calor
No meio da madrugada.

O OLFATO
Num jardim com muitas flores,
É grande a diversidade
De essências e odores
De toda variedade.
Mas não existe uma flor
Com o cheiro do meu amor,
Quando vem pra minha cama.
Vem falando que me ama,
E me diz suavemente:
Tu és a centelha quente
Que acende a minha chama.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Cordel e atualidades: as prisões


QUEM ESTÁ DENTRO E QUEM ESTÁ FORA DAS PRISÕES?

Perguntei ao poeta Marcos Mairton, autor deste blog, se ele me faria versos falando sobre as prisões brasileiras. Ele pediu um tempo para pensar, e no dia seguinte me enviou um e-mail com os versos abaixo:

No jornal vi a notícia
Que não chega a ser surpresa:
“Muita gente que está presa
Não dá sossego à polícia”.
Com engenho e com malícia
E com muita ousadia
Os bandidos, quem diria,
Dão golpe por telefone.
Acho que nem Al Capone
Esperava isso um dia.

Traficantes poderosos
Também dão continuidade
À sua atividade
Seus negócios criminosos.
Auxiliares ciosos
Vão cumprindo as missões
Que recebem dos chefões
Que estão dentro dos presídios
Seqüestros e homicídios
São suas ocupações.

Já o cidadão de bem
Esse vive assustado,
Na sua casa trancado,
E até no carro, quem tem,
Ali se tranca também,
Levanta o vidro e então
Segue com o coração
Batendo muito ligeiro,
É assim o carcereiro
Da sua própria prisão.

Cercas eletrificadas
Se estendem sobre os muros
Que já não deixam seguros
Seus lares, suas moradas.
Janelas bem gradeadas,
Também não dão segurança.
Vai morrendo a esperança
De em nossa sociedade,
Reinar a tranqüilidade
De quando eu era criança.

Vendo isso acontecer
Reflito sobre o problema:
Por que o nosso sistema,
De punir e de prender
Não consegue resolver
A questão da violência?
Será só incompetência
Dos governos da nação?
Ou existe outra razão
E nós não temos ciência?

Eu sei que essa questão
Envolve outros fatores
Que também são causadores
Do problema em discussão.
Desemprego, educação,
Ou melhor, a falta dela,
Abandono da favela
Ao poder dos traficantes,
São fatores importantes
Para por em nossa tela.

Compondo esse cenário
Se destacam as prisões.
Lotadas, sem condições,
Seu estado é bem precário.
Nelas o presidiário,
Em vez de se arrepender,
E nunca mais cometer
O ato que o condenou,
Sai pior do que entrou
Do crime passa a viver.

Não precisa ser doutor
Pra saber dessa verdade,
Quem diz, na realidade,
É o próprio infrator.
O Pedrinho Matador,
Que já matou mais de cem
Certa vez disse a alguém,
Com muita convicção:
“A cadeia, meu irmão,
não recupera ninguém”.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Cordel e Xilogravura


XILOGRAVURA NA LITERATURA DE CORDEL

Uma das muitas coisas boas que pude encontrar na Feira do Livro de Mossoró foi o livro XILOGRAVURA POPULAR NA LITERATURA DE CORDEL, de Jeová Franklin, em comemoração aos 100 anos da xilogravura popular na literatura de cordel, editado pela LGE Editora.

Apresentando obras dos principais xilogravadores nordestinos, o livro traz ainda um DICIONÁRIO ONOMÁSTICO DE XILOGRAVADORES POPULARES DO NORDESTE.

Segue um trecho do livro:

A gravura popular utilizada na literatura de Cordel apareceu no Nordeste em 1907, sem festas e completou o primeiro centenário, quase 200 anos depois da chegada da imprensa ao Brasil. A primeira xilogravura apareceu no folheto de Francisco das Chagas Baptista em setembro de 1907. Foi editado na Imprensa Industrial instalada na Rua Visconde de Itaparica, números 49 e 51 no Recife.

Na página interna onde era impressa a xilogravura, não havia título e nenhum tipo de apresentação, apenas a legenda pura e simples com o nome Antonio Silvino. Um homem vestido de chapéu de couro, com bacamarte na mão e espada na cintura, mais parecido com o tipo europeu.

Ao imprimir o enredo poético de 48 páginas, sem outros anexos, o folheto trazia na capa o nome do autor, o título em horizontal e abaixo dele o seguinte aviso: A história de Antonio Silvino, contendo o retrato e toda a vida de crimes do célebre cangaceiro, desde o seu primeiro crime até a data presente – Setembro de 1907.

Tanto os folhetos com xilogravura ou sem xilogravura fazem parte dos primeiros enredos datados e arquivados no Brasil. Os poetas pioneiros em poesia popular, Antonio Pirauá de Lima, Francisco das Chagas Baptista e Leandro Gomes de Barros, não deixaram cópias escritas dos poemas populares editados no final do século XVIII.

A Fundação Casa de Rui Barbosa mantém na Literatura popular em versos o folheto produzido por Chagas Baptista em 1904, com o nome a Vida de Antonio Silvino, editado pela Imprensa Industrial. Nele está o enredo impresso em oito páginas, acrescido dos poemas Anatomia do Homem e mais as poesias Chromo (para Hortência Ribeiro) e Amor Materno (à minha mãe), com 16 páginas.

Em 1908, Chagas Baptista lançou em Recife A História de Antonio Silvino (novos crimes) “Contendo todas as façanhas do célebre quadrilheiro desde setembro de 1907 até junho de 1908” e depois A morte de Cocada e a prisão de suas orelhas e a política de Antonio Silvino.

A partir de 1911, Chagas Baptista passou a editar o cordel na Paraíba. O primeiro com o título Novas Lutas de Antonio Silvino, editado pela Livraria Gonçalves Penna localizada na rua Maciel Pinheiro, na cidade hoje chamada de João Pessoa. Neste, o enredo impresso em 16 páginas prometia continuar na Segunda Luta de Antonio Silvino com uma onça. Na segunda página vinha a gravura de Antonio Silvino com traços esmaecidos como se fosse produto da passagem da gravura original por diferente processo de produção.

Com as gravuras sempre na segunda página, as histórias de Chagas Baptista prosseguiam. Em 1912 com a imagem mais deformada. No ano de 1925, também em página interna, a mesma figura de Antonio Silvino passou a ilustrar a História Completa de Lampião só que desta vez traçada em nova xilogravura com pequena e gorda imagem, mais parecido com o homem nordestino. Ela está impregnada de forte tinta no alto relevo de matizes de madeira, que viriam a se transformar em prática atual dos xilogravadores populares.

Nos folhetos de Chagas Baptista as gravuras só vieram para a capa a partir de 1925, quando Chagas aderiu à zincografia (matizes metálicas) nos livretos Conselhos do Padre Cícero a Lampião e O marco de Lampião.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Cordel, repente e Direito

Antonio Francisco, Marcos Mairton, Gustavo Luz, Ivanildo Vilanova, Zé Luís e esse rapaz, de azul, que não estou lembrando o nome, bem que poderia mandar um email para eu completar a informação.

DIREITO, CORDEL, REPENTE E UM DESAFIO AO CONTRÁRIO

Desde que se referiram ao meu cordel “O ADVOGADO, O DIABO E A BENGALA ENCANTADA” como sendo de autoria de um juiz do Rio Grande do Norte, sem sequer mencionar meu nome, nem o fato de eu ser poeta, fiquei meio ressabiado em publicar poesias tratando de assuntos jurídicos.
Mas hoje não dá pra evitar. Depois de receber uma visita do grande Zé Luís, um verdadeiro repentista da advocacia – ou um advogado do repente – não há como não misturar as ciências jurídicas e poéticas.
Por exemplo, olha como é que Zé Luís abre o livro MEDIDAS LIMINARES NO PROCESSO CIVIL, escrito em parceria com José Herval Sampaio Júnior:

Realçou Carnelluti o quanto importa
Ver que o tempo é danoso e temerário
Impedindo o Poder Judiciário
De atender os que vão à sua porta;
A Sentença, ao surgir, é natimorta,
O Processo se torna ineficaz...
Rui Barbosa, um dos mestres geniais,
Já dizia ao Brasil antigamente:
“A Justiça tardia é simplesmente
Rematada injustiça e nada mais!”

Precisamos levar Direito aos lares,
Melhorando a Justiça da República
Com Ação Popular, a Civil Pública,
Liminar nas Medidas Cautelares;
Porque são as Medidas Liminares
Supressão do efeito temporal;
Na Tutela Específica, Interdital,
No Writ, afinal, em todos esses,
Solução dos conflitos de interesses,
Recompondo o tecido social!

Mesmo humilde, esta obra traz em si
Carlos Mário Veloso, mas Cretella,
J. J. Calmon, Scarpinella,
Celso Antonio Bandeira e Teori;
Theodoro, Rangel, Buzaid, Hely,
Nelson Nery e Marcato, outra potência;
Castro Nunes, sublime inteligência;
Encontra-se, leitor, no livro inteiro,
O melhor do Processo Brasileiro
Dissecando as Tutelas de Urgência!

Quando foi me entregar o meu exemplar, Zé Luís, que tinha acabado de ler o meu livro UMA SENTENÇA, UMA AVENTURA E UMA VERGONHA, fez a dedicatória em forma de decassílabo, nela fazendo referência a várias das poesias que escrevi. Ficou assim:

Parabéns a você, poeta nato,
Que em sonhos, ouviu, entre outros nomes,
Aderaldo, Martins, Leandro Gomes,
Lhe instigando a cantar pétala e regato;
A sentença do estelionato;
O galope, um trabalho muito bom;
Ofereço a você, que nasceu com
Força, garra, talento, luz e fé,
Ser Juiz Federal, qualquer um é,
Ser poeta, só é quem trouxe o dom...

Hoje, Zé Luís me apareceu com glosas ao mote DE DIA É SENTENCIANDO/ DE NOITE É NO VIOLÃO. Sem pedir sua licença, amigo Zé Luís, vou apresentar suas glosas intercaladas com as minhas, sobre o mote DE DIA É ADVOGANDO/ E DE NOITE É NO REPENTE, como se fosse um desafio. Mas é um desafio ao contrário, pois, ao invés de se depreciarem, os contendores não economizam elogios mútuos:

ZÉ LUÍS:
A Consulex publica:
No agravo houve reforma!
Abre o Código, estuda a norma,
Lê, interpreta e aplica;
O Tribunal notifica
Pra prestar informação,
Saber se é verdade ou não
O que as partes tão falando
DE DIA É SENTENCIANDO,
DE NOITE É NO VIOLÃO.

MARCOS MAIRTON:
Repentista de talento,
Advogado renomado,
Convence qualquer jurado,
Rebate qualquer argumento.
Zé Luís é cem por cento,
Criativo, inteligente,
Não vejo quem o enfrente
Na tribuna ou cantando
DE DIA É ADVOGANDO
E DE NOITE É NO REPENTE.

ZÉ LUÍS:
Sei que Mairton é aquele
Que supera grandes nomes
Só João e Leandro Gomes
Foram tão bons quanto ele.
Tem outro do nível dele:
É Catulo da Paixão,
Fernando Pessoa, não,
Ele é melhor que Fernando...
DE DIA É SENTENCIANDO,
DE NOITE É NO VIOLÃO.

MARCOS MAIRTON:
Zé Luís só exagera
Quando elogia um amigo
Por isso, canta comigo,
Me dizendo que eu sou fera.
Mas, meu Deus, ai quem me dera,
Saber lhe imitar, somente,
Eu já fico bem contente
Só de lhe ouvir cantando,
DE DIA É ADVOGANDO
E DE NOITE É NO REPENTE.

ZÉ LUÍS:
Mairton é quem veste a toga
Com calma e percuciência
Despacha, faz audiência
Cita o réu e lhe interroga;
Condena o Barão da droga,
Recebe a apelação,
Faz e revoga a prisão,
Prendendo gente e soltando
DE DIA É SENTENCIANDO,
DE NOITE É NO VIOLÃO.

MARCOS MAIRTON:
Certa vez, vi Zé Luís,
Enfrentando dura prova
Com Ivanildo Vilanova
Cantador de quem se diz
Ser o maior do país.
Mas, naquele dia quente,
Ficou do tamanho da gente
E o Zé se agigantando
DE DIA É ADVOGANDO
E DE NOITE É NO REPENTE.

ZÉ LUÍS:
Se são tráficos estrangeiros
Ele adverte aos agentes:
“- Descreva os entorpecentes.
As lavagens de dinheiro,
Os nomes dos quadrilheiros,
A rota que as drogas vão,
Detalhe a operação:
Como, quem, aonde e quando...
DE DIA É SENTENCIANDO,
DE NOITE É NO VIOLÃO.

MARCOS MAIRTON:
Zé Luís faz petição,
Faz sustentação oral,
Faz recurso especial
Agravo e apelação.
Sua fundamentação,
Desmantela o oponente.
Quem estiver pela frente
É bom ir se preparando
DE DIA É ADVOGANDO
E DE NOITE É NO REPENTE.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Literatura de cordel e educação



LITERATURA DE CORDEL PARA CRIANÇAS

Terminou ontem a FEIRA DO LIVRO DE MOSSORÓ, versão 2007. Lá estive no sábado (27) à noite e gostei do movimento. Muita gente visitando as lojas e no Circo da Luz também.
Demorei especialmente no stand da Editora Queima Bucha, conversando com meu amigo Gustavo Luz sobre o mundo da literatura de cordel. Saí com uma sacola cheia de cordéis, desde clássicos, como A PELEJA DE RIACHÃO COM O DIABO e a HISTÓRIA DE JUVENAL E O DRAGÃO, de Leandro Gomes de Barros, a obras mais recentes, como PAULO, O FARISEU QUE VIROU CRISTÃO e A HISTÓRIA DO COMEÇO DO MUNDO – A TEORIA DO BIG BENG, de Fernando Paixão, aliás, ambos de ótima qualidade em rima, métrica e oração. Cabra bom esse Fernando Paixão!
Mas de tudo o que vi, chamou-me particularmente a atenção a edição de cordéis voltados para o público infantil, publicados pela
Editora IMEPH, de Fortaleza. Com linguagem simples, métrica e rima perfeitas, e gramática correta, os livros ainda vêm com ilustrações muito bem trabalhadas. As obras que vi são as seguintes, e as capas estão na imagem acima:
A SEMENTE DA VERDADE: adaptação do conhecido conto de mesmo título, escrita por Fernando Paixão, com ilustrações de Arlene Holanda;
O PAVÃO MISTERIOSO: adaptação do romance de cordel de José Camelo, escrita por Arievaldo Viana, com ilustrações de Jô Oliveira.
UM CURUMIN, UM PAJÉ E A LENDA DO CEARÁ: de Rouxinol do Rinaré, com ilustrações de Rafael Limaverde.
É muito bom ver o cordel sendo utilizado na educação das crianças, sem falar que elas adoram e se divertem muito com a leitura.
Parabéns a todos que vêm apoiando essas iniciativas!
Segue um trecho de

UM CURUMIN, UM PAJÉ E A LENDA DO CEARÁ

Vento que sopra do mar
Enquanto a tarde desmaia
Vem contar-me a antiga lenda
Que corre da serra à praia
A Lenda do Ceará
“Terra onde canta a Jandaia”.

Dizem que há muito tempo
No mais distante passado
Onde hoje é o Ceará
O nosso querido Estado
Era um chão virgem, somente
Por nativos habitado.

Nossos índios eram livres,
Dos litorais às ribeiras,
Nos sertões e altas serras
Viviam tribos guerreiras
E as Jandaias cantavam
Pelas copas das palmeiras.

Até que um dia homens maus
Chegaram aqui pelo mar,
Vindos de outras nações
Para esta terra explorar
E pela força e astúcia
Puderam, enfim, dominar.

Nossos índios reagiram
Aos tais colonizadores,
Uns morreram, outros fizeram
Acordo com os invasores...
Pois os vencidos se tornam
Escravos dos vencedores!

Num tempo ainda distante,
Mas já próximo do presente,
Quando com a posse das terras
Ficou o branco somente,
No litoral tinha ainda
Uma tribo remanescente.

E nessa tribo um costume
Ainda era preservado
Sentava-se um Pajé velho
Por curumins rodeado
Junto à fogueira e contava
As histórias do passado.

E assim segue a história, contando a lenda que retrata a história daquela tribo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Poesia popular e estrangeirismo



ESTRANGEIRISMO


Pra fechar a semana, esse intressante vídeo, de Carlos Silva e Sandra Regina, que peguei do Yahoo! Vídeo.

Para saber mais sobre os autores, veja http://www.sacpaixao.net/visualizar.php?idt=644022.

Bom fim de semana!

ou Have a nice weekend!


quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O Poeta do Absurdo na Literatura de Cordel


TAPIOCA RECHEADA COM POESIA DE CORDEL

Deslocando-me de Mossoró para Fortaleza, parei pertinho da capital cearense - já na parte onde a CE-040 se confunde com a Avenida Washington Soares - para comer uma tapioca com chocolate quente. Geralmente, toma-se a tapioca com café, mas não gosto de café.
Cheguei já pensando na tapioca recheada com queijo e ovo, mas, na entrada do estabelecimento, outro recheio completou o repasto: o cordel “A PELEJA DE ZÉ DO JATI COM ZÉ LIMEIRA”, de Anchieta Dantas, o “Zé do Jati”, conhecido personagem do Programa Garras da Patrulha, da TV Diário, de Fortaleza.

Pra quem não conhece, Jati é uma pequena cidade situada bem no sul do Ceará, quase na divisa com os Estados de Pernambuco e da Paraíba, onde no passado mandavam os índios Kariris.


Já tive oportunidade de incluir Jati em meus versos, quando falei da chegada da Justiça Federal ao Cariri:

Pois a Vara Federal,
Instalada em Juazeiro,
Cidade de muita fé,
Que acolhe tanto romeiro,
Tem sua jurisdição
Começando no sertão
E subindo pelas serras,
Até chegar a um lugar
De onde dá pra olhar
Pernambuco e suas terras.

Começando seu alcance
Nas terras do centro-sul,
A partir de Acopiara,
Passando por Iguatu,
Se estende até Mauriti,
De Brejo Santo a Jati,
Alargando suas fronteiras
Baixio, Ipaumirim,
Farias Brito e Jardim,
Campos Sales e Porteiras.

Sobre o Zé do Jati, disse a jornalista Lea Queiroz, “é autor dos livros NÓS E A METRÓPOLE, O PASSAGEIRO DO TEMPO e RANCHO NOVA ESPERANÇA. Diz a JORNALISTA ISABEL PINHEIRO, que acompanha seus feitos literários há 20 anos, trata-se de uma obra literária que desperta a atenção e mexe com as emoções mais escondidas”.

Para saber mais sobre Zé Limeira, visite http://www.revista.agulha.nom.br/otejo.html .

Segue um trecho da “peleja”:

ZÉ LIMEIRA
Getúlio Vargas morreu
Foi com saudade da esposa
Lampião inda tá vivo
Morando perto de Sousa
Por detrás do Sete-Estrelo
Tem um casal de raposa.

ZÉ DO JATI
Foram amigos e compadres
Julio César de Lampião
E sócios em uma fábrica
De chocolate e sabão
E um dia de madrugada
Ficaram sem fazer nada
Numa noite de São João.

ZÉ LIMEIRA
Santo Antonio foi pescar
Mussú no rio Jordão
Quando jogou o anzol
Arrastou um camião
Deu-lhe uma caimbra no pé
Nisso passou São José
Com três abrroba de pão.

ZÉ DO JATI
Nelson Piquet comprovou
Que é um grande vaqueiro
São Tomé já fez promessa
Pra pagar no Juazeiro
E São José numa vã
Faz lotação de manhã
De Cabrobó a Salgueiro.

ZÉ LIMEIRA
Jesus ia rezar missa
Na capela de Belém
Chegou Judas Carioca
Que viajava de trem
Trazia trinta macaco
Botou tudo num buraco
Não tinham nenhum vintém.

ZÉ DO JATI
Jesus nasceu em Belém
Pertinho de Cabrobó
Quando passou Jati
Já era “quage” de maió
Passou dirigindo um jipe
Com febre e com muita gripe
Em busca de Mossoró.