sexta-feira, 15 de março de 2013

Crônica de Newton Silva


Estava lendo hoje o Jornal da Besta Fubana e encontrei este texto de Newton Silva. Não é em versos, mas é tão nordestino, tão cearense, tão oportuno nesses dias de seca, mudança de Papa e proximidade do Dia de São José (19 de março), que eu não poderia fazer outra coisa que não fosse trazê-lo para este Mundo Cordel.
Boa leitura!


PAPA JOSÉ
Newton Silva

Sentado na varanda, o velho sertanejo olhou para o curral e viu o pé de ipê todo amarelo, bonito, parado na paisagem seca. Não tinha um pé de vento. Sentiu só o mormaço vindo das coivaras e das capoeiras. Uma tristeza medonha lhe invadiu o coração, também seco, sem esperança. Bebeu um gole da água morna e barrenta, a mesma água que ele dividia com os bichos, afinal era tudo “fi de Deus”, como ele dizia. A mulher dele estava lá, ouvindo o radinho de pilha, acompanhando o conclave que iria eleger o novo papa.

- Êita seca desgraçada! – pensou. Os olhos secos nem chorava. Sofria só de ver os bichos morrendo um a um.
A mulher entrou eufórica. O papa tinha sido eleito. A fumacinha branca tava lá, saindo na chaminé, diziam no rádio. Ele nem se levantou da cadeira. Viu uma fumaça branca rodopiando no terreiro. Era a poeira ciscando no chão seco.

A mulher entrou outra vez, mais eufórica ainda. Já sabiam quem era o novo papa.

- Hôme, se alevanta daí e vem ouvir! O nome do novo papa é Francisco! São Francisco lá de Canindé! Graças a Deus! Deus seja louvado!

Ele se acomodou na cadeira e olhou para o serrote. Só galhos secos e pedras. Só estava florido mesmo o desgraçado do pé de ipê. Era um mau presságio. Quando o ipê flora é sinal de que o inverno não vai ser bom. Porém, havia uma última esperança para o sertanejo: Dezenove de março, o dia de São José já estava chagando.  Dia de São José sempre chove e aí o inverno pega de vez.

- Bem que eche papa podia se chamar José, de São José, Padroeiro do Ceará. Pru mode Nosso Sinhô olhar para essa terra véia ressequida e mandar chuva, pro sertão num morrer de vergonha e sede.

- Ôxente! Hôme de Deus! O que é que tu tá praguejando aí?

- Né nada não, muié. Ôxe! Tava só aqui pensano alto.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Poesia de Marconi Pereira de Araújo



MARÇO, 14, QUE DIA!
Marconi Pereira de Araújo

Vou falar de tudo um pouco
De vida, riqueza, magia
Planta, semente, esperança
De amor que contagia
De papa, pipa e papado
Até de tira tarado
Pra traduzir poesia

Vou viajar na palavra
Antes que seja tardia
A homenagem que faço
De tudo enfim falaria
De fenda, finta e de fonte
Vislumbrarei horizonte
Pra festejar este dia

Que dia maravilhoso
Você não sabe? Eu sabia
Ele é tão especial
Que eu jamais permitiria
Sabe o que? Vou ser bem franco
Que passasse assim em branco
O dia da poesia!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Poesia de Dalinha Catunda




SECA E FALTA DE VERGONHA
Dalinha Catunda
*
Estou esperando a chuva
Porém a chuva não vem
Meu açude já secou
E o meu riacho também
Sem chuva no meu sertão,
É triste a situação
Felicidade não tem.
*
A passarada sumiu
A jurema já murchou
Onde a água escorria
Hoje é só chão que rachou
Perante tanta quentura,
Acabou-se a fartura
Meu sertão esturricou.
*
E se Deus não der um jeito
Eu não sei o que será
Pois mais uma vez padece
O meu pobre Ceará
Agora só muita fé
E apelar pra São José
Que é padroeiro de lá.
*
O subsolo é bem rico
É só explorar o chão
O que falta é vergonha
Nos mandantes da nação
Estes seres abjetos
Que ignoram projetos
Para irrigar o sertão.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia da Mulher: poesia de Marcos Mairton



A UMA MULHER
Marcos Mairton
Dedicado à minha mulher, Natália Guberev, em homenagem a todas as mulheres

No Dia Internacional
Às mulheres dedicado
Meu verso é direcionado
A uma em especial.
Uma mulher genial,
Esposa e mãe dedicada,
Minha amiga e namorada
E fonte de inspiração.
Natália, esses versos são
Para ti, ó minha amada!

Tu, que sempre estás comigo
Me apoiando em minhas lutas.
Que, com paciência escutas,
As bobagens que eu te digo,
Me alertarás do perigo,
Quando algum perigo houver.
Mas, se a batalha vier,
Enfrentarás sem receio,
Eu hoje te homenageio
Pelo Dia da Mulher!

Pois contigo quero estar
Nos lugares onde estejas,
Em paisagens sertanejas,
Ou na praia, olhando o mar.
Se quiseres viajar,
Deixaremos Fortaleza,
Visitaremos Veneza,
Outras cidades da Itália,
Se vens comigo, Natália,
Vai ser bom, tenho certeza.

Mas, se não puderes vir,
Até Paris perde a graça,
Não há monumento ou praça
Capaz de me distrair.
Sem razão para sorrir,
Vou-me embora irritado,
No quarto fico trancado,
E espero passar o dia,
Desprovido de alegria,
Sem ter você ao meu lado.

Hoje em dia, felizmente,
Ficar longe é raridade.
Pra minha felicidade,
Ficar junto é mais frequente.
E, ficando junto, a gente
Tem mais tempo pra se amar
Assim, sigo a desejar
Que haja, se Deus quiser,
Muitos Dias da Mulher
Para te homenagear.


quinta-feira, 7 de março de 2013

Dalinha Catunda homenageia as mulheres


Tinha certeza que Dalinha Catunda faria versos para o Dia Internacional da Mulher. Essa poeta guerreira não poderia passar esse dia tão importante para a luta das mulheres por seus direitos sem soltar a sua voz e a sua pena.



TODAS AS MULHERES
Dalinha Catunda
*
Mulher melindrosa
Bonita e faceira
Safada brejeira,
Rude perigosa
Desfila garbosa
Com sua bandeira
Na missa na feira
No lar no bordel
Cumpre seu papel
Com ar de guerreira.
*
Mulher mal-amada
Sem eira nem beira
Que fala besteira
E desatinada
Se diz estudada
E bate no peito
Botando defeito
Em tudo que ver
Não sabe crescer
Mas deve ter jeito.
*
Mulher atrevida
Que ri e graceja
Que toma cerveja
Que é seduzida
Que gosta da vida
De amor e paixão
Sem elo ou prisão
Tem autonomia
E sem ser vadia
Respira emoção.
*
A mártir do lar
Mulher não quer ser
Aprendeu bater
Pra não apanhar
Se o homem tentar
Ele entra na lenha
Maria da Penha
É lei que vigora
Quem bate agora
Algema desenha.
*
Mulher quer carinho
Não foge do laço
E sem embaraço
Refaz seu caminho
Quer flor sem espinho
E quer ser querida
Ser reconhecida
Em tudo que faz
Ser igual lhe apraz
Por ser aguerrida.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Homenagem ao Dia da Mulher






Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
Zé Ramalho e Otacílio Batista


Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Alexandre figura desumana
Fundador da famosa Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor

A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor
Se não fosse a mulher mimosa flor
A história seria mentirosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Virgulino Ferreira, o Lampião
Bandoleiro das selvas nordestinas
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

sexta-feira, 1 de março de 2013

Canção de Hélio Crisanto

Preparo essa postagem em meados de fevereiro deste 2013. A chuva que caiu até agora no Nordeste este ano foi pouca. Aqui no Ceará, quase nenhuma. Ficam as esperanças para março, mês de São José. 
Enquanto esperamos, vamos ver e ouvir Hélio Crisanto transformando o sertão em poesia, em canção...

VAZANTE
Hélio Crisanto e Camilo Henrique