terça-feira, 17 de setembro de 2013

Contribuições de visitantes

Mais uma vez garimpando os comentários feitos a este Mundo Cordel, encontrei a poesia "Eu sou do mato", que aparece com a assinatura de Carlos Silva, poeta cantador.
O Carlos Silva cantador que conheço é o autor da canção Estrangeirismo, que já postei aqui mesmo, em "Poesia Popular e Estrangeirismo".
Bem, amigo, não sei se você é o mesmo Carlos Silva, mas gostei dos seus versos. Se puder comparecer novamente para esclarecer se é você o autor do Estrangeirismo, contribuiria mais ainda para nosso blog.


EU SOU DO MATO
Carlos Silva

Seu moço eu sou la do mato
Sou filho deste sertão
Sou cabra bom na labuta
Medo nenhum tenho não
So creio naquilo que passa
Quando o destino traça
Na palma da minha mão

Nasci cá no oco do mundo
Sem conhecer fidalguia
Trilhei nas grotas do tempo
Na vida fiz moradia
Eu desconheço embaraço
Num verso simples eu faço
Minha melhor alegria

Sou cabra respeitador
Filho de homem de bem
Ou trilho certeiro na lida
Feito uma roda de trem
Sem medo e sem disparate
Vencendo o bom combate
Seguinte sempre além

Daqui das terras tão Boas
Nos beiços deste torrão
Amado por natureza
Sem trauma e sem ambição
Vivo compondo meu verso
Descubro novo universo
Nas cordas do meu vioão

Assim eu canto Gonzaga.
Eterno rei do baião
Do xote aboio e modinhas
Que tocam no coração
Cem anos O Lua Faria.
Se chance tivesse irmão

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Poesia de Ismael Gaião

Mais uma vez trago para este Mundo Cordel preciosidades postadas no Jornal da Besta Fubana, de meu amigo Luiz Berto Filho.
Ismael Gaião é um poeta que dispensa comentários, tamanha a qualidade de suas obras. Mas, de vez em quando, ele ainda surpreende, como nesses versos que muito me emocionaram.


EU TENHO PENA DE MIM
Ismael Gaião
Publicado por Luiz Berto em COLCHA DE RETALHOS

(Adaptação de textos de Cleide Canton e Rui Barbosa)

Eu tenho pena de mim…
Por ter sido um sonhador,
Por lutar por nosso povo
Que ainda é tão sofredor,
Por ter sempre batalhado
Por justiça, com pudor.

Por sempre compactuar
Com a honra e a honestidade…
Por querer que nosso povo
Primasse pela verdade
E por vê-lo enveredar
Pela desonestidade.

Eu tenho pena de mim…
Por ter feito parte um dia
De uma era que lutou
Em prol da democracia.
Por sonhar com a liberdade
Que pra seus filhos queria.

Eu tenho pena de mim…
Por entregar, simplesmente,
A derrota das virtudes
Nas mãos dos filhos da gente,
Pra se julgar a verdade
Com insensatez, somente.

Por permitir que a família,
Seja negligenciada
Pensando apenas no “eu”
De forma demasiada
E na tal “felicidade”
A qualquer custo, buscada.

Buscada pelos caminhos
Eivados de desrespeito
Para com o nosso próximo
E ainda “encher o peito”…
Esquecendo que existe
Essa palavra: respeito.

Eu tenho pena de mim…
Por tanta passividade.
Por não despejar meu verbo,
Indo em busca da verdade,
A tantas desculpas dadas
Pelo orgulho e vaidade.

Eu tenho pena de mim…
Por fingir não escutar
A tantos “floreios” feitos
Para se justificar,
Tantos atos criminosos
Que costumam praticar.

A falta de humildade
Para se reconhecer
Um erro já cometido
Fingindo desconhecer
Que aquele erro brutal
Tenha feito outro sofrer.

E também a relutância
Em não querer mais lembrar
Da antiga posição
Insistente em “contestar”,
Sem querer voltar atrás,
Para o futuro mudar.

Eu tenho pena de mim…
E isso me faz sofrer,
Pois faço parte de um povo
Que estou sem reconhecer,
E o vejo ir por caminhos
Que eu nunca quis percorrer…

Eu tenho pena de mim…
Por ver a minha impotência,
A minha falta de garra,
O meu cansaço e demência…
E as minhas desilusões
Para viver com decência.

Não tenho para onde ir
Porque amo esse meu chão
E vibro ao ouvir seu Hino
Que é meu de coração
E representa essa terra
Que eu tenho como Nação.

Mas jamais minha Bandeira
Eu usei para enxugar
As lágrimas desse meu rosto,
Quando tive que chorar,
Por ver as futilidades
No meu país avançar.

E ao lado dessa tristeza
Que me deixa tão ordeiro,
E dessa pena de mim
Que enrubesce o corpo inteiro…
Eu tenho pena de ti,
Nobre povo brasileiro.

Que só vê as nulidades
Sem virtude, triunfar…
Que sempre vê a desonra,
Dentre os homens, prosperar
E também a injustiça
Cada vez mais aumentar.

E por ver nas mãos dos maus,
Em detrimento do resto,
O Poder agigantar-se
Sem haver nenhum protesto,
Rir-se da honra e ter
Vergonha de ser honesto!

domingo, 1 de setembro de 2013

Livros de Rafael Castellar


PATOS E DESCE MAIS UMA!

Rafael Castellar das Neves é uma dessas pessoas multifacetadas que andam por aí, misturadas às outras, e a gente nem desconfia do que carregam de talento e versatilidade.

Quem olhar o perfil dele no LinkedIn, imaginará que está diante de um bem qualificado profissional do ramo de Tecnologia da Informação. E estará mesmo, mas não apenas isso.

É que Rafael é também um escritor de mão cheia, editor do Blog "Desce Mais Uma!" e com vários livros publicados.

A foto acima registra o dia em que nos conhecemos pessoalmente, em São Paulo, abril de 2013, depois de muito contato mantido pela Rede.

Agora Rafael disponibilizou os seus livros GRATUITAMENTE na Internet.

Recomendo aos visitantes deste Mundo Cordel que façam o download (clicando aqui) e aproveitem.

Boa leitura!!!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Livro de Pedro Ernesto Filho





Abri ansioso o pacote, pois sabia que o livro que me chegava às mãos vinha repleto de poesia.

O autor havia me dado a honra de escrever as orelhas:

Quando eu ainda nem pensava em escrever meu primeiro folheto de cordel, Pedro Ernesto Filho já desenvolvia motes sobre os mais variados temas, unindo talento e técnica com um equilíbrio que, quando eu lia seus versos, sentia como se estivesse ouvindo o som das violas e a voz dos cantadores nos terreiros das fazendas.
Aliás, para mim, é isso que um poeta ser grande: o talento, com o qual extrai poesia das fontes mais improváveis; e o domínio da técnica, que o permite expressar essa poesia usando com destreza e sensibilidade a sua ferramenta, as palavras.
Em seu livro Por Dentro da Cantoria, Pedro Ernesto Filho mostra sua generosidade ao compartilhar com o leitor tanto uma coisa como a outra.
Nos quatro capítulos que compõem o livro, fala da evolução da cantoria e exibe dezenas de gêneros poéticos utilizados, orienta sobre como desenvolvê-los e ainda apresenta inúmeros de seus poemas. Uma riqueza para quem quer sorver a sua poesia, para quem deseja estudá-la ou para quem sente o germe da poesia em seu ser e pretende seguir esse caminho.

 É exatamente o que penso da obra.

Antes de escrever esta postagem, dei uma busca no Google, pra ver se alguém já tinha escrito alguma coisa e encontrei esses versos do próprio Pedro Ernesto em sua página:

Quando fiz Cidadania
disse: estou feliz demais,
senti o prazer da paz
nas entranhas da poesia;
Por dentro da Cantoria
também me deixa contente
porque o dom do repente
refina o que produzi
- Por tudo o quanto escrevi
estou feliz novamente.

Daquela época pra cá
escrevi sobre amizades,
referenciei cidades
que compõem o Ceará,
fiz alusão como está
a paz no meu continente,
e as graças do Onipotente
no meu coração senti
- Por tudo o quanto escrevi
estou feliz novamente.

Descrevi o dom da arte,
conceituei a cultura,
cantei a literatura
e dos heróis, falei em parte;
o peso do bacamarte
e o seu uso antigamente,
crime contra adolescente
que sem querer assisti
- Por tudo o quanto escrevi
estou feliz novamente.

Falei um pouco da história
de quem tem versos de lavra e
das virtudes da palavra
no reforço à oratória,
registrando na memória
a mágoa que um povo sente
quando elege um presidente
como alguns dos que eu já vi
- Por tudo o quanto escrevi
estou feliz novamente.

Retratei uma emoção
de quem volta à sua terra e
da casa do pé de serra
que exigiu evolução
e que na reconstrução
prendeu a atenção da gente
porque lembrava parente
que nunca mais eu revi
- Por tudo o quanto escrevi
estou feliz novamente.

Sobre as qualidades boas
que brilham na humanidade,
como o dom da humildade
no coração das pessoas,
também transformei em loas
o passado e o presente,
iluminando a vertente
do pouquinho que aprendi
- Por tudo o quanto escrevi
estou feliz novamente.

Engrandeci escritores,
prefaciei muitas obras,
critiquei grandes manobras
que reprimem os eleitores,
rejeitei os dissabores
que surgiram em nossa frente,
defendi severamente
o torrão onde eu nasci
- Por tudo o quanto escrevi
estou feliz novamente.

Prestei homenagem a gênio,
defendi nossa Nação,
fiz uma avaliação
da mudança de milênio,
e da falta de oxigênio
que afeta o meio ambiente,
do que vem futuramente
narrei como percebi
- Por tudo o quanto escrevi
estou feliz novamente.

Transformei discurso em verso,
dos sonhos disse a grandeza,
prestei honra à natureza
percorrendo o universo,
do ódio eu fiz o inverso
pregando o que um vate sente,
fiz da poesia uma lente e
por ela um poema eu li
- Por tudo o quanto escrevi
estou feliz novamente.

Mas o que mais me engrandece
é conservar no que fiz
o mundo grato e feliz
escutando a minha prece;
pois o bom leitor merece
apoio mais consistente
e uma oração consciente
dita do jeito que ouvi
- Por tudo o quanto escrevi
estou feliz novamente.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Livro de Beth Baltar


E saiu do forno o novo livro 
de Beth Baltar!


A autora informa que o livro encontra-se à venda no site da Editora Appris.  


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Canção de Marcos Mairton



TANTAS VEZES

Quinze de agosto é o aniversário do meu filho Álvaro.

Certa vez, quando ele ainda era bem pequeno, fiquei com saudade dele e comecei a solfejar uns versos que tinham um jeitão meio bossa nova.

Passou o tempo. É da natureza do tempo passar.

Uns dias atrás, eu estava pensando nisso e lembrei que Álvaro já vai fazer treze anos e está quase terminando o ensino fundamental. 

Quando eu menos esperar, estará fazendo faculdade, trabalhando, seguindo seu próprio destino, como já vem acontecendo.

Sei que continuarei ficando feliz com as suas realizações, tendo saudade dele e desejando que a gente esteja sempre se encontrando para passar bons momentos juntos. Aliás, os momentos que passo na companhia do Álvaro são sempre muito bons.

Foi pensando nessas coisas que terminei recentemente a canção que havia começado há uns anos. O nome da canção é "Tantas Vezes".

Meu mestre Wanderley Freitas deu uma ajuda fundamental na produção musical. Sérgio Medeiros e Antenor também ajudaram, no estúdio, cada um do seu jeito. 

O resultado está nesse vídeo: 
uma canção que nasceu de um amor de pai para filho. 

Mas o amor é universal e a saudade também. Quem conhece os dois - amor e saudade - vai ouvir a canção e lembrar de alguém que ama. 

Se esse alguém estiver por perto, que coisa boa! Se não estiver, fica a expectativa pelo reencontro.



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Feira do Livro do Mossoró