terça-feira, 15 de outubro de 2013

Petição e decisão em versos


O CASO DO FURTO DAS GALINHAS

Estava fazendo minha costumeira leitura do blog Jornal da Besta Fubana, no qual tenho uma coluna literária intitulada “Contos, Crônicas e Cordéis”, quando me deparei com um pedido de relaxamento de prisão que o advogado VICENTE ALENCAR RIBEIRO dizia ter ajuizado na Comarca de Bonito de Santa Fé, na Paraíba.

Uma beleza de peça, rimada e metrificada em quadras de sete sílabas, narrando com precisão o caso do indivíduo conhecido pela alcunha de “Nego Nona”, que teria roubado dois frangos (ou duas galinhas, isto não está muito claro) do quintal da avó, mas terminou preso em flagrante.

Vendo aquela peça toda em versos, desejei ser juiz de Bonito de Santa Fé, só para poder decidir na mesma toada.

Mas, o que não acontece no mundo real pode acontecer livremente no campo da imaginação, então a sequência de petição, decisão e nova petição ficou assim:

PEDIDO DE RELAXAMENTO DE PRISÃO
Vicente Alencar Ribeiro

Excelentíssima Senhora,
Julgadora de Direito,
Desta exaltada Comarca,
Que tenho grande respeito.

Protocolo este meu pleito,
Por entender relevante,
Um pedido de soltura,
Pra relaxar um flagrante.

Em nome do assistido,
De alcunha “Nego Nona”
Por se encontrar recolhido,
O meu afã vem à tona.

Ontem dia vinte cinco,
Veio à comunicação,
Que o meu ora assistido,
Fora levado á prisão.

Segundo diz a polícia,
Foi no dia vinte cinco,
De setembro deste ano,
Digo a verdade não minto.

Que “Nego Nona” furtou,
Dois frangos de sua avó,
Não tinha ninguém com ele,
Confessa que estava só.

Mas no caso existem dúvidas.
Se o crime aconteceu,
Pois em interrogatório,
Diz que sua avó lhe deu.

E ainda mais Excelência,
A res furtiva voltou,
Para as mãos de sua dona,
Pois “nego Nona” entregou.

De mérito vamos supor,
Se o furto for verdadeiro,
“Nego Nona” não vai ser,
O último nem o primeiro.

É coisa de pouca monta,
Subtrair duas galinhas,
Sem olvidar de lembrar,
A fome que ele tinha.

É o próprio crime famélico,
Alguém furtar pra comer,
Com necessidade urgente,
Podemos depreender.

É uma ação relevante,
Não vou dizer seja bela,
Furtar para saciar-se,
Res furtiva, bagatela.

Será que vai compensar,
Manter injusta prisão?
Quero ouvir o Promotor,
Conheço o seu coração.

É um homem reto e puro,
De alto conhecimento,
E sei que vai entender,
De “Nego Nona” o tormento.

De ficar dentro do cárcere,
Por furtar duas galinhas,
Que nem chegou a comê-las,
Pois devolveu à vozinha.

Admoesto que a vítima,
Quer que solte o seu netinho,
Ele é sua companhia,
Tem-lhe amor e carinho.

O acusado está preso,
E a pobre vítima em vigília,
Pois que o seu neto é,
O esteio da família.

Diligente Magistrada,
A quem a justiça exalta,
Que só promove o direito,
Bom senso nunca lhe falta.

Empós manifestação,
Do dono da ação penal,
Liberdade dê ao “Nona”,
Pois o pedido é legal.

Tenho certeza Excelência,
Que o meu clamor vai ouvir,
Devolvendo a “Nnego Nona”,
O direito de ir e vir.

É somente o que requesto,
Com afinco e com lisura,
Mande soltar “Nego Nona”,
Dê-lhe o alvará de soltura.

Ex positis pra encerrar,
Depois desse meu lamento,
Nada mais tenho a pedir,
Senão só deferimento.

Espero com ansiedade,
Submerso em alegria,
Vicente Alencar Ribeiro,
Membro da Defensoria.

Bonito de Santa Fé,
De setembro vinte seis,
Do ano dois mil e treze,
Hoje a justiça se fez.


DECISÃO
Marcos Mairton

Vicente Alencar Ribeiro
Protocolou petição
Por meio da qual requer
Que se relaxe a prisão
De um rapaz preso em flagrante,
Que, Vicente me garante,
Não merece punição.

“Nego Nona” é a alcunha
Pela qual é conhecido,
E da sua avó teria
Dois frangos subtraído
Mas a polícia o pegou,
Em uma cela o trancou
E lá está recolhido.

Mas, alega o defensor,
Que furto não ocorreu,
Pois, segundo “Nona”, os frangos
Foi sua avó quem lhe deu.
Mas, houve esse quiproquó
E os tais frangos da avó
Ele até já devolveu.

Dessa forma bem sucinta
Eis o caso relatado.
Passo então a apreciar
O pedido formulado,
Pelo ilustre defensor
Para o suposto infrator
De pronto ser libertado.

Preliminarmente, informo
Que dispenso o parecer
Do promotor de Justiça
Para a causa resolver,
Porque já neste momento
Firmei meu convencimento
Conforme passo a dizer.

Nesse sentido, advirto:
Não me sensibilizou
A versão de que os frangos
Da avó “Nona” ganhou.
Parece mais com desculpa,
Para encobrir sua culpa
Quando a polícia o flagrou.

Ao que parece, a avó,
O seu neto perdoou,
Já que em favor de “Nona”
Também se manifestou,
Entretanto, essa versão,
Da suposta doação,
Ela jamais confirmou.

Se houvesse acontecido,
A alegada doação,
A avó confirmaria
Certamente essa versão,
E talvez nem aceitasse
Quando o neto lhe falasse
Em fazer devolução.

Parto, assim, do pressuposto
Que o dito furto ocorreu.
E que, só depois de preso,
O “Nona” se arrependeu,
E então, cada galinha,
Que furtara da avozinha
Bem depressa devolveu.

Nessa linha, eu acredito
Que a questão fundamental
É mesmo saber se o “Nona”,
Pelo seu ato imoral,
Deve vir a ser punido,
Condenado, reprimido
Pelo Direito Penal.

Diz a defesa que o furto
Não deixou grande seqüela.
Só prejudicou a avó
Ou, na verdade, nem ela.
Nisso o defensor se apega
Quando em seu pedido alega
O crime de bagatela.

E parece que a defesa
Nesse ponto tem razão.
Pois o valor das galinhas
Teria mais projeção
Se as criaturas aladas
Já fossem consideradas
Animais de estimação.

Mas, no caso, ao que parece,
Eram galinhas normais,
Que viviam no quintal,
Junto aos outros animais,
Para um dia, na panela,
Cozidas “à cabidela”
Servirem aos comensais.

E a dona dessas galinhas,
Em sua avançada idade,
Disse que “Nona” a ajuda
Com muito boa vontade.
E se pudesse escolher
Queria mesmo era ver
O seu neto em liberdade.

Por isso, penso que, embora
Na esfera da moral,
A conduta desse “Nona”
Cause repulsa total,
Não existe fundamento
Para se dar seguimento
A uma ação criminal.

Ainda mais no Brasil,
Onde tem tanto ladrão
Que navega livremente
No mar da corrupção,
Parece coisa mesquinha
Manter ladrão de galinha
Trancado em uma prisão.

E já tem tanto processo
No Poder Judiciário,
Anda tão abarrotado
O sistema carcerário,
Será que compensaria
Gastar nossa energia
Com esse crime aviário?

Melhor acabarmos logo
Com esse co-ro-co-có,
Libertando o “Nego Nona”
E alegrando a sua avó,
Que sofreu forte emoção
Ao ver o neto ladrão
Recolhido ao xilindró.

Já que o fato em julgamento
Teve pouca gravidade,
Vamos dar ao “Nego Nona”
Nova oportunidade
De agir, daqui pra frente,
Como um cidadão decente
Sendo posto em liberdade.

Fundado nessas razões,
Decreto o relaxamento,
Do flagrante efetuado
Pelo policiamento
No Alvará de Soltura
Vai a minha assinatura,
E a ordem de cumprimento.

Publique-se a decisão,
E expeça-se mandado.
Intime-se o defensor
E também o delegado,
Depois, vista ao promotor
Que, nada tendo a opor,
Seja o processo arquivado.


PETIÇÃO
Vicente Alencar Ribeiro

Meu preclaro julgador,
Muito ínclito magistrado,
O seu ato de Justiça,
De passagem bem rimado,
Foi sem dúvida consciente,
E por demais pertinente,
Deve ser elogiado.

Quero lhe comunicar,
Que depois da decisão,
A avó de Nego Nona
Mandou minha refeição,
Feliz com sua soltura,
Um exemplo de fartura,
De galinha e de pirão.

Assiste muita razão,
Ao nobre julgador,
Liberando Nego Nona,
Reconhece o seu valor,
Prometo à luz da verdade,
Que nessa oportunidade,
Nego Nona se apegou.

Prometeu-me de joelhos,
Nunca mais irá furtar,
Todo domingo ir a missa,
Com afinco trabalhar,
Ser um homem verdadeiro,
E nunca mais no chiqueiro,
Os seus pés irão pisar.

Por último meus parabéns,
Por sua peça tão bela,
Eu sei que Vossa Excelência,
Pela moral sempre vela,
Não estou lhe adulando,
Mas por aí tá chegando,
De uma galinha a titela.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Cordel de Elmo Nunes

Estava mexendo na minha cordelteca pessoal quando me deparei com o cordel "No Combate do Mundo das Drogas", do poeta cearense Elmo Nunes.
De acordo com os dados anotados no folheto, Elmo Nunes nasceu em 21.09.1979, em Buritizal, Poranga-CE, onde vive até hoje. Além do cordel sobre o combate às drogas, já publicou "Preservando para Melhorar" e "Conversando Entre Amigos", dentre outros.
Segue um trecho do cordel de Elmo Nunes, além da bela capa desenvolvida por Audifax Rios.



NO COMBATE AO MUNDO DAS DROGAS 
Elmo Nunes

Para combater as drogas 
É preciso seriedade 
De quem eu aqui aponto 
Para se ter na verdade 
Um mundo com esperança 
E saudável sociedade. 

Por isso é que eu envolvo 
Três coisas neste poema: 
Política mídia e justiça 
Na luta contra o problema, 
Ainda organizações 
Não descarto deste tema. 

Com respeito autoridades 
Chamo aqui sua atenção 
Confiante em seus deveres 
Mesmo na legislação. 
Não vou fechar os meus olhos 
Pois também sou cidadão. 

Muitas iniciativas 
Sei que estão sendo tomadas 
Nas políticas de controle 
Mas precisam ser lembradas 
Pra que ORGANIZAÇÕES 
Sejam beneficiadas. 

Para isso é necessário 
Os recursos obter 
Pra organizações que lutam 
Ajudando a combater 
Este caso problemático 
Impedindo-o de crescer. 

São recursos financeiros 
Mesmo governamentais. 
Também no funcionamento 
Dos conselhos estaduais. 
O Legislativo deve 
Ter eficácia demais. 

Não devemos desprezar 
Os que já são usuários 
Porque quem usa é doente 
E apoios são necessários 
Para que a vida renasça 
Basta sermos solidários. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Concurso de Poesia


IX CONCURSO PLÍNIO MOTTA DE POESIAS

A Academia Machadense de Letras (Machado-MG/Brasil) comunica a realização em novembro de 2013 de seu IX Concurso de Poesias. 
As inscrições encerram-se no dia 14 de outubro (2013). 
Para receber gratuitamente o regulamento em arquivo PDF, entre outras informações, favor entrar em contato através do e-mail: machadocultural@gmail.com

O tema é livre e aberto a todos de Língua Portuguesa e Espanhola e a taxa de inscrição é de R$5,00


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Cordel de Marcos Mairton


Já comentei em outra ocasião, aqui mesmo, neste Mundo Cordel, que, em novembro de 2010, participei de uma oficina com uns vinte cordelistas de todo o Brasil, em Barbalha-Ce, organizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, entidade ligada à Organização das Nações Unidas, com o objetivo de transpor para a linguagem da Literatura de Cordel pontos essenciais do Relatório de Desenvolvimento Humano Brasil 2009/2010.

Também comentei que nessa ocasião criei "CORDEL DO ZÉ PENUDO", que conta a história de um menino que tinha vontade de melhorar o Brasil, e levou esse sonho o mais longe que pôde.

O que eu não cheguei a dizer foi que o Relatório do PNUD foi publicado, nele incluído o cordel do Zé Penudo. E não comentei porque não sabia que o Relatório, além de publicado, estava disponível na Internet, em arquivo PDF.

Até que, outro dia, pesquisando na Rede, achei o Cordel do Zé Penudo no blog de Psicologia do Taleyrand Silva, em um post de 31.07.2013.

Fui ao site do PNUD e lá estava o Relatório, com o cordel na página 84!

Gostei. É bom ver que o trabalho que fizemos foi aproveitado e hoje está à disposição do mundo.

Só me resta agradecer ao Taleyrand Silva e compartilhar com os visitantes deste blog o Cordel do Zé Penudo e o Relatório do PNUD.



ZÉ PENUDO E O 
DESENVOLVIMENTO HUMANO NO BRASIL
Marcos Mairton

Era uma vez um menino
Que tinha pena de tudo
Do pobre, por não ter nada,
E do rico, por ter tudo.
Por ser tão penalizado
Logo foi apelidado
Com o nome “Zé Penudo”.

Penudo se preocupava
Vendo que o povo sofria,
Sem poder dormir de noite,
Sem querer sair de dia,
E vendo na sociedade
Faltar solidariedade,
Tolerância e alegria.

Zé Penudo então cresceu,
Estudou, fez faculdade,
Depois arranjou emprego
Em uma grande entidade,
Onde lhe deram a missão
De estudar uma nação
E sua sociedade.

Foi na ONU o emprego
Que Penudo conseguiu
E, ao saber de sua missão,
Ficou feliz e sorriu.
Disseram que ele estudasse,
Entendesse e explicasse
Os problemas do Brasil.

Mas falar só de problemas
Não iria lhe agradar,
Penudo, então, resolveu
Às pessoas perguntar:
“De tudo o que você viu,
O que mudar no Brasil
Para a vida melhorar?”.

Assim, quando alguém falasse
Das suas preocupações,
Apontaria os problemas,
E daria condições
De, na mesma ocasião,
Fazer uma previsão
Das possíveis soluções.

Pensando dessa maneira,
Penudo pegou a estrada.
De cidade em cidade
A pergunta era levada.
E as respostas que eram dadas
Eram todas anotadas,
Foi assim sua jornada.

Zé Penudo percorreu
Todo o solo brasileiro
Dos pampas à Amazônia
De Belém a Juazeiro.
Com o relatório pronto
O Brasil, de ponto a ponto,
Fora visto por inteiro.

Mas não foi só viajando
Que Penudo trabalhou,
Através da Internet
Ele também perguntou
E, assim, quinhentas mil
Pessoas, pelo Brasil
Zé Penudo entrevistou.

Foram muitas as respostas,
Que Zé Penudo ouviu,
Para essa mesma pergunta
Que ele sempre repetiu:
“Para a vida melhorar,
Você pode me apontar
O que mudar no Brasil?”

Estudando as respostas
Mostrou-se uma evidência,
Duas coisas no Brasil
Tiram nossa paciência:
Em toda a nossa nação,
Tá faltando educação,
Tá sobrando violência.

Outra coisa importante,
Que também foi percebida
No estudo de Penudo,
Não deve ser esquecida:
É que muitas coisas boas
Dependem só das pessoas
Pra melhorar nossa vida.

De acordo com a pesquisa,
As pessoas apontaram
Coisas muito valiosas
Que elas consideraram.
Coisas como a amizade,
Respeito e tranquilidade,
Elas sempre desejaram.

São bens que não se adquirem
Pela força do dinheiro
E nem o governo tem
Para dar ao brasileiro.
Precisam ser conquistadas
Pelas ações praticadas
Todo dia, o ano inteiro.

Governo faz uma escola,
Hospital, delegacia,
Organiza a previdência,
Intervém na economia.
Mas a família é que ensina
O menino e a menina
A saudar com um “Bom dia!”.

Não pense, então, que o Governo
Cura todas nossas dores
Pois dos fatos sociais
Nós também somos atores
E a pesquisa de Penudo
Já mostrou que, sobretudo,
Precisamos de valores.

Valores nos orientam
Ao tomarmos decisões
E nos servem como guias
Para todas as ações.
Moldam o comportamento
E nos levam ao momento
Das grandes transformações.

Valores como a esperança,
O amor, a liberdade,
O respeito pelo outro
Chamado de alteridade,
Não se compra nem se vende
Na família é que se aprende
Desde nossa tenra idade.

Foi assim que, Zé Penudo,
Concluiu, em sua pesquisa:
Desenvolver os valores
É o que o Brasil precisa.
Com valores se avança,
Pratica-se a esperança
E tudo se realiza.

Penudo ficou feliz
Com a sua conclusão
E agora está cuidando
De toda a divulgação
Das coisas que concluiu,
Contando para o Brasil
Como foi a sua missão.

Dizer que a vida melhor
Que estamos desejando,
Se alcança com atitude,
Com todo mundo ajudando,
Cada um faz sua parte,
Assim, com engenho e arte,
A vida vai melhorando.

Você, que leu essa história,
Já mostrou que tem pendor
Para de grandes mudanças
Ser um colaborador.
Por isso está convidado
A também dar o seu recado
E mostrar o seu valor.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Contribuições de visitantes

Mais uma vez garimpando os comentários feitos a este Mundo Cordel, encontrei a poesia "Eu sou do mato", que aparece com a assinatura de Carlos Silva, poeta cantador.
O Carlos Silva cantador que conheço é o autor da canção Estrangeirismo, que já postei aqui mesmo, em "Poesia Popular e Estrangeirismo".
Bem, amigo, não sei se você é o mesmo Carlos Silva, mas gostei dos seus versos. Se puder comparecer novamente para esclarecer se é você o autor do Estrangeirismo, contribuiria mais ainda para nosso blog.


EU SOU DO MATO
Carlos Silva

Seu moço eu sou la do mato
Sou filho deste sertão
Sou cabra bom na labuta
Medo nenhum tenho não
So creio naquilo que passa
Quando o destino traça
Na palma da minha mão

Nasci cá no oco do mundo
Sem conhecer fidalguia
Trilhei nas grotas do tempo
Na vida fiz moradia
Eu desconheço embaraço
Num verso simples eu faço
Minha melhor alegria

Sou cabra respeitador
Filho de homem de bem
Ou trilho certeiro na lida
Feito uma roda de trem
Sem medo e sem disparate
Vencendo o bom combate
Seguinte sempre além

Daqui das terras tão Boas
Nos beiços deste torrão
Amado por natureza
Sem trauma e sem ambição
Vivo compondo meu verso
Descubro novo universo
Nas cordas do meu vioão

Assim eu canto Gonzaga.
Eterno rei do baião
Do xote aboio e modinhas
Que tocam no coração
Cem anos O Lua Faria.
Se chance tivesse irmão

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Poesia de Ismael Gaião

Mais uma vez trago para este Mundo Cordel preciosidades postadas no Jornal da Besta Fubana, de meu amigo Luiz Berto Filho.
Ismael Gaião é um poeta que dispensa comentários, tamanha a qualidade de suas obras. Mas, de vez em quando, ele ainda surpreende, como nesses versos que muito me emocionaram.


EU TENHO PENA DE MIM
Ismael Gaião
Publicado por Luiz Berto em COLCHA DE RETALHOS

(Adaptação de textos de Cleide Canton e Rui Barbosa)

Eu tenho pena de mim…
Por ter sido um sonhador,
Por lutar por nosso povo
Que ainda é tão sofredor,
Por ter sempre batalhado
Por justiça, com pudor.

Por sempre compactuar
Com a honra e a honestidade…
Por querer que nosso povo
Primasse pela verdade
E por vê-lo enveredar
Pela desonestidade.

Eu tenho pena de mim…
Por ter feito parte um dia
De uma era que lutou
Em prol da democracia.
Por sonhar com a liberdade
Que pra seus filhos queria.

Eu tenho pena de mim…
Por entregar, simplesmente,
A derrota das virtudes
Nas mãos dos filhos da gente,
Pra se julgar a verdade
Com insensatez, somente.

Por permitir que a família,
Seja negligenciada
Pensando apenas no “eu”
De forma demasiada
E na tal “felicidade”
A qualquer custo, buscada.

Buscada pelos caminhos
Eivados de desrespeito
Para com o nosso próximo
E ainda “encher o peito”…
Esquecendo que existe
Essa palavra: respeito.

Eu tenho pena de mim…
Por tanta passividade.
Por não despejar meu verbo,
Indo em busca da verdade,
A tantas desculpas dadas
Pelo orgulho e vaidade.

Eu tenho pena de mim…
Por fingir não escutar
A tantos “floreios” feitos
Para se justificar,
Tantos atos criminosos
Que costumam praticar.

A falta de humildade
Para se reconhecer
Um erro já cometido
Fingindo desconhecer
Que aquele erro brutal
Tenha feito outro sofrer.

E também a relutância
Em não querer mais lembrar
Da antiga posição
Insistente em “contestar”,
Sem querer voltar atrás,
Para o futuro mudar.

Eu tenho pena de mim…
E isso me faz sofrer,
Pois faço parte de um povo
Que estou sem reconhecer,
E o vejo ir por caminhos
Que eu nunca quis percorrer…

Eu tenho pena de mim…
Por ver a minha impotência,
A minha falta de garra,
O meu cansaço e demência…
E as minhas desilusões
Para viver com decência.

Não tenho para onde ir
Porque amo esse meu chão
E vibro ao ouvir seu Hino
Que é meu de coração
E representa essa terra
Que eu tenho como Nação.

Mas jamais minha Bandeira
Eu usei para enxugar
As lágrimas desse meu rosto,
Quando tive que chorar,
Por ver as futilidades
No meu país avançar.

E ao lado dessa tristeza
Que me deixa tão ordeiro,
E dessa pena de mim
Que enrubesce o corpo inteiro…
Eu tenho pena de ti,
Nobre povo brasileiro.

Que só vê as nulidades
Sem virtude, triunfar…
Que sempre vê a desonra,
Dentre os homens, prosperar
E também a injustiça
Cada vez mais aumentar.

E por ver nas mãos dos maus,
Em detrimento do resto,
O Poder agigantar-se
Sem haver nenhum protesto,
Rir-se da honra e ter
Vergonha de ser honesto!

domingo, 1 de setembro de 2013

Livros de Rafael Castellar


PATOS E DESCE MAIS UMA!

Rafael Castellar das Neves é uma dessas pessoas multifacetadas que andam por aí, misturadas às outras, e a gente nem desconfia do que carregam de talento e versatilidade.

Quem olhar o perfil dele no LinkedIn, imaginará que está diante de um bem qualificado profissional do ramo de Tecnologia da Informação. E estará mesmo, mas não apenas isso.

É que Rafael é também um escritor de mão cheia, editor do Blog "Desce Mais Uma!" e com vários livros publicados.

A foto acima registra o dia em que nos conhecemos pessoalmente, em São Paulo, abril de 2013, depois de muito contato mantido pela Rede.

Agora Rafael disponibilizou os seus livros GRATUITAMENTE na Internet.

Recomendo aos visitantes deste Mundo Cordel que façam o download (clicando aqui) e aproveitem.

Boa leitura!!!