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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cordel de Dalinha Catunda


CORDEL NO EMBALO DAS REDES 

1
Meu cordelzinho matuto
Das feiras do meu sertão
Hoje reina absoluto
Tem farta divulgação
Com seu jeitão enxerido
Agora todo exibido
Brilha na televisão.


2
Aparece ledo e belo,
Nos mais diversos canais.
Sem deixar de ser singelo
Vai estampando jornais
Com sua xilogravura
Mostrando sua cultura,
Que nunca será demais.


3
Um programa inteirinho
No “Globo Rural” ganhou.
E o “Salto Pro Futuro”,
O seu valor realçou.
No “History Channel”,
Detalhes do cordel
A história revelou.


4
Hoje é tema de novela,
Este cordel encantado,
De rainhas e princesas,
E do cangaço falado.
No reino da poesia
Um passado de magia
Será então resgatado.


5
Como fico orgulhosa
Em ver meu matutinho,
Sendo bem reconhecido
Mesmo fora do seu ninho.
Está fazendo bonito,
No cordel eu acredito
Pois ele é meu caminho.


6
Escutei cordel em feiras
E rodas de cantoria.
Em encontros com poeta
Onde reinava alegria.
Agora mais abrangente
Continua imponente
Disseminando magia


7
A internet chegando,
Vestiu de asas o cordel,
Que voou pra todo canto,
Como um alado corcel,
Com toda desenvoltura,
Aproveitou a abertura
Para firmar seu papel.


8
Um dia virou folheto
O que era apenas oral.
Chegou à televisão,
A revista, ao jornal.
E na internet brilha
Seguindo a nova trilha
Neste mundo virtual.


9
Na internet impera,
A real democracia,
Lê-se o contemporâneo,
E o antigo se aprecia
Com a multiplicidade
O cordel vira verdade
Que na rede contagia.


10
O cordel de trajes simples
Ou vestido a rigor
Sempre será respeitado
Sempre terá seu valor
Trazendo erudição,
Ou apenas inspiração
Traz na rima seu calor.


11
O cordel de trajes simples
Reside no interior.
Nas emissoras de rádio
Na boca do locutor.
No sorriso e na alegria
Que de fato contagia
Quem lá no campo ficou.


12
O cordel vestido a rigor
Usa terno e gravata
Não é de fazer bravata,
Seu espaço conquistou
Traz no seu falar polido
Um linguajar tão sabido
Que a escola adotou.


13
Este cordel que desponta,
E chegou para ficar.
Inserido nas escolas
E ajudando a ensinar
Traz na bagagem magia
É o novo que contagia,
Ajudando a educar.


14
Quais as faces do cordel?
Quem poderá me dizer?
Não diga que é só matuto
Nisso eu não posso crer!
Não diga que é erudito
Pois também não acredito.
Mas tudo poderá ser.


15
O Cordel é um alento
Para o forte Nordestino.
Cultivador de saudade
Um eterno peregrino.
Que leva no coração
As histórias do sertão,
A saga do seu destino.


16
É a gritante saudade 
Da farinha no surrão.
É a saudade da paçoca
Bem pisada no pilão
Da pamonha, da canjica
Do amor a terra que fica,
Grudado no coração.


17
É a cantilena brejeira
De quem viveu no sertão.
Tudo que passou um dia
Vivendo em seu torrão
Morando na capital
O cordel vira jornal,
A fonte de informação.


18
O cordel é identidade
Do homem do interior
Que veio para cidade
Estudou pra ser doutor
Mas apesar de formado
Recorda bem o passado
E as raízes dá valor.


19
Preso com os pregadores
Pendurado em cordão.
Avistava-se o cordel
Nas feiras do sertão.
Agora bem editado,
Ricamente ilustrado
Não falta divulgação.


21
O cordel é oração,
É reza é ladainha.
É a história de um povo
Que incansável caminha
Registrando sua história
Para guardar na memória
Que oralmente retinha.


22
A internet chegou
Para o cordel socorrer
E zombar de quem dizia
Que o cordel ia morrer.
Acompanhando o progresso
Um cordel sem retrocesso
É o que de fato se ver.


22
Eu sou Dalinha Catunda,
Também me assino Aragão.
Amante da poesia
Que germinou no sertão
Em Ipueiras nascida
Ao cordel dou guarida 
Pois ele é minha paixão.

domingo, 10 de abril de 2011

Ciranda do Cordel de Saia

CORDEL VELHO & CORDEL NOVO!

O cordel hoje está mais em foco do que nunca e precisamos aproveitar este momento. Na verdade, sempre estivemos caminhando, isto desde nossos idos tempos lá das arábias, Europa, América Latina e nós, no BRASIL. Aqui, ele ganhou fisionomia e carteira de identidade própria, etc...e tal... Há, realmente, muito que falar desse nosso favorito gênero literário, que acabou por influenciar todos os nossos mais ilustres literatos.
CORDEL DE SAIA leva a polêmica aos poetas.

CORDEL - NOVO & VELHO
1
Tem nosso cordel escrito
Mais de cem anos de idade.
Dos primeiros rudimentos
Até a modernidade
Projeta-se no infinito,
Pois o cordel é escrito
Sem prazo de validade.
(Gonçalo Ferreira da Silva)
2
Velho cordel do passado
É o pai dos novos cordéis
Que hoje se apresentam
Em rebuscados painéis
Mas tem a cor do sertão
Estampando a evolução
Nos mais distintos pincéis.
(Dalinha Catunda)
3
O cordel bem feito é
Poesia sofisticada,
Que adensa o conhecer
Com a cultura aplicada.
Cheira qual fruta madura
Só comparado a ternura
Das flores da madrugada.
(Pedro Monteiro)
4
O cordel velho tem raiz
Nos romances medievais
Nas histórias sertanejas
Muito antes dos meus pais
O novo fala das ciências
Recheado de influências
Destas mídias digitais.
(Ivamberto Albuquerque)
5
Os antigos menestréis
Que vinham de Portugal
Exibiam seus folhetos
Pendurados no varal.
Ninguém imaginaria
Que fosse existir, um dia.
Até cordel virtual.
(Marcos Mairton)
6
O Cordel é atemporal
todo tempo é sua idade
velho ou novo é magistral
por sua diversidade:
nos mais variados temas
setilhas, outros esquemas
provam versatilidade.
(Bastinha)
7
O cordel velho foi escrito
com talento e galhardia,
rima, métrica, oração,
como exige a poesia,
num brilhantismo perfeito
pois tudo isso era feito
sem quase tecnologia.
(Raul Poeta)
8 
Uma coisa neste mundo
ante a qual eu me comovo
são bons versos recitados
pelos poetas do povo,
uma rabeca tocando
o pobre cego cantando
“Cordel velho & Cordel novo”.
(Zealberto Costa)
9
Cordel é sempre cordel
de agora ou de antigamente
fuxica tudo o que quer
da bancada ao repente
no papel ou no gogo
bem feito fica decente
(Rosário Lustosa)
10
Da "Donzela Teodora"
Ao "Pavão Misterioso",
Do "Linguajar Cearense"
Ao conto maravilhoso,
Cordel velho e cordel novo
São expressões de um povo
Alegre e laborioso.

(Nezite Alencar)
11
"Cordel Velho" e "Cordel Novo"
Não consigo dividir
Pois o que agrada ao povo
É o modo de transmitir
Tendo rima e oração
Fiel metrificação
Dá gosto ler e ouvir
.
(Josenir Alves de Lacerda)
12
A Rima metrificada
Do nosso velho Cordel
Regula o cordel novo
Quando passa pro papel
Avançamos pro futuro
Sendo ao passado fiel
(William J. G. Pinto)
13
Para mim, Novo Cordel
Deve ser tradicional,
Mas ter bonito papel,
Capa com bom visual,
Que seja xilogravura
Ou qualquer outra figura
E, até em policromia.
Uma ilustração decente,
Trabalha e condizente
Com o que o cordelista cria.
(Moreira de Acopiara)
14
Cordel velho & Cordel novo
Vejam só que discussão
Se um pretende manter
Na forma, a mesma feição
O outro para ser eterno
Propõe um jeito moderno
Sem ferir a tradição
 (José Walter Pires)
15
O cordel é característico
Na cultura popular,
Seja ele velho ou novo
Tem sua escrita singular.
Sempre retratando uma história
De decepção ou glória
De maneira bem peculiar 
(Jadson Xavier (Jatão)
16
Chegando à modernidade,
O cordel virou “global”
Vem de muitos idos tempos,
Na TV é cabedal.
Está presente na tela:
Acompanhe a novela.
Lá tem papel virtual
(Rosário Pinto)

Fui buscar esta ciranda em:

Veja também :
http://rosarioecordel.blogspot.com
http://cantinhodadalinha.blogspot.com

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

História do Cordel


NOVO LIVRO DE MARCO HAURÉLIO

A editora Claridade lançará, ainda em agosto, Breve História da Literatura de Cordel (112p., R$ 17,00), que integra a coleção Saber de Tudo. Escrito por MARCO HAURÉLIO, o livro reúne informações históricas e ensaios úteis para os que se aventurarem pelo universo fascinante da poesia do povo, do qual o autor faz parte desde sempre.

Breve História da Literatura de Cordel refaz o percurso do mais conhecido ramo da poesia popular brasileira, desde o sertão da Paraíba, onde nasceu Leandro Gomes de Barros (1865-1918), maior expoente do gênero.

O livro traz, ainda, um capítulo sobre a presença do pícaro no romanceiro nordestino — reaproveitado na peça de Ariano Suassuna, Auto da Compadecida —, investiga a origem deste gênero literário, traça perfis de autores, editores e ilustradores e analisa as relações do Nordeste com o imaginário medieval.

A ilustração da capa é do mestre Jô Oliveira. Contribuíram, também, com leituras, sugestões e informações Aderaldo Luciano, Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana, Gregório Nicoló, Pedro Monteiro, José Honório, José Paulo Ribeiro e Varneci Nascimento.
 
Fonte: http://marcohaurelio.blogspot.com/2010/08/editora-claridade-lancara-ainda-em.html

terça-feira, 4 de março de 2008

Leandro Gomes de Barros



90 ANOS DE ENCANTAMENTO


Para não dizer que passou em brancas nuvens, resta a matéria do jornalista LORENZO ALDÉ, na REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL, e os posts colocados em fotologs sobre os 90 anos de morte da maior expressão da poesia popular no Brasil. Leandro foi considerado por Carlos Drummond de Andrade maior que OLAVO BILAC. Ele é tão importante para o CORDEL quanto MACHADO DE ASSIS é para Literatura Oficial Brasileira. O mestre de Pombal-PB ainda precisa ser melhor conhecido e respeitado pela gente desse país continental tão sem memória.


LEANDRO GOMES DE BARROS

* 19 de novembro de 1865

+ 04 de março de 1918


Ilustração: JÔ OLIVEIRA

Texto: Arievaldo Viana

Cordel e comunicação (Mundim do Vale)



A IMPORTÂNCIA DO CORDEL
Mundim do Vale

Meu caro leitor amigo
Veja um relato fiel,
Eu já rimei a viola
Que faz bem o seu papel.
Agora passo a rimar,
Na cultura popular
A importância do cordel.

No sertão antigamente
Não tinha televisão
O sertanejo vivia
Carente de informação.
O rádio lá não chegava,
E o cordel é quem levava
Notícias para o sertão.

Quando pego num folheto
Me vem a grande lembrança,
Da ligação com cordel
Desde o tempo de criança.
Só sabia soletrar.
Mas consegui decorar
Os Doze Pares de França.

O cordel tem seu valor
Por ser de fácil leitura.
Tem muita arte na capa
Feita em xilogravura.
A métrica faz a grandeza,
A rima gera beleza
Para elevar a cultura.

Foi o cordel que falou
Dos crimes de Lampião
Foi também um seguidor
Do santo Frei Damião.
Fez morada em Juazeiro,
E deu apoio ao romeiro
Do Padim Ciço Romão.

Alfabetizou o pobre
Que não tinha condição
De freqüentar a escola
Pra receber a lição.
Foi o grande mensageiro,
De Antônio Conselheiro
O profeta do sertão.

O cordel já fez campanha
Em tempos de eleição.
Na seca de trinta e dois
Falou da destruição.
Fez festa em dia de feira,
Para o povo da ribeira
Pendurado num cordão.

O cordel tem união
Também com o repentista
Um exemplo do que falo
É Lucas Evangelista.
E falando em qualidade,
Eu lembro a capacidade
Da trindade irmãos Batista.

Eu fico muito feliz
Vendo o cordel resgatado,
Sabendo que hoje é feito
Com o papel resgatado.
Eu acho muito importante,
Não deixar o cordel distante
Como um valor do passado.

O cordel noticiou
Para o povo nordestino,
O suicídio de Vargas
E a prisão de Antônio Silvino.
Deu notícia da chacina,
No Largo da Catarina
Quando morreu Virgulino.

Falou daquela promessa
Do carregador da cruz,
Escreveu nas suas páginas
Que logo chegava a luz.
Rimou com muito talento,
A história do jumento
E o menino Jesus.

Se o leitor duvidar
Não acreditando em mim,
Saiba que o cordel já foi
Leitura até de jardim.
No nordeste brasileiro,
O cordel foi o primeiro
A falar do meu Padim.

Hoje em dia essa cultura
Foge um pouco do normal,
Pois os novos cordelistas
Procuram tema atual.
Falam da gíria da rua,
De mulher andando nua
E de briga de casal.

Tem aí a jovem guarda
Que ainda tá resistindo,
Mas de vez em quando eu vejo
Alguns deles desistindo.
Mas como tem resistente,
Como o vate Zé Vicente
O folheto vai fluindo.

A Cícero Modesto Gomes
O cordel me apresentou,
Poeta do Maranhão
Que no Ceará ficou.
Já rimou o Ceará,
De Sobral a Quixadá,
Pacajus e Quixelou.

Numa banca eu conheci
Edson Neto e Elizeu,
J. B. Num terminal
E um cordel ele me deu.
O poeta Zé Maria,
Conheci em cantoria
Divulgando um mote meu.

Outro poeta famoso
Criado aqui no sertão,
É o bom Arievaldo
Que do Klevison é irmão.
Avançou como um corcel,
Quando implantou o cordel
No setor da educação.

O doutor Sávio Pinheiro
Bom poeta e gente fina,
Já rimou o pé da serra
E a bodega da esquina.
Agora com mais virtude,
Botou cordel na saúde
Para o bem da medicina.

No Rio Grande do Norte
Onde a rima é atração,
Tem o local do poeta
Fazer a divulgação.
Já usei aquele espaço,
E daqui mando um abraço
Pra Mairton e Anizão.

Mas foi lá na Paraíba
Que o cordel chegou primeiro,
Era a grande novidade
Chegada do estrangeiro.
Posso dizer sem engano,
No sertão paraibano
O cordel foi pioneiro.

Quem também foi cordelista
Foi o bom Rogaciano
Foi repórter em Fortaleza
Mas era pernambucano.
Fez muita falta a cultura,
Com a morte prematura
Foi rimar no outro plano.

No Ceará o melhor
Com ele tomei café,
Aguarde só um instante
Que digo já já quem é.
Cantou lá e cantou cá
O Pássaro do Ceará
Patativa do Assaré.

Chegando agora ao final
Já faltando inspiração,
Peço desculpa aos colegas
Se houve alguma omissão.
Fiz esse verso bebendo,
Todo tempo defendendo
O cordel como atração.

Mandei mensagem bregeira
Unida com a poesia,
Negando ter intenção
De fazer apologia.
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Mundo Cordel avalia.