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quinta-feira, 15 de maio de 2008

Cordel e Amazônia (Marcus Lucenna)


LITERATURA DE CORDEL EM DEFESA DA AMAZÔNIA

Recebi esta semana o Jornal Nação Nordeste. Nele a poesia “A Amazônia é nossa”, de Marcus Lucenna, poeta e cantador; Diretor Cultural da ABLC - Academia Brasileira de Litaratura de Cordel - www.ablc.com.br. Não há como não trazer para MundoCordel esse brado em defesa de tesouro tão valioso. Eis a poesia, na íntegra:

A AMAZÔNIA É NOSSA

Vou falar da Amazônia
A terra da promissão
Que hoje o mundo cobiça
Pela sua imensidão
A biodiversidade
E a riqueza do seu chão.

A sua maior porção
Pertence a nós brasileiros
Porém, Peru e Colômbia
Tem ela nos seus terreiros
Venezuela e Bolívia
Dela também são parceiros.

Lá também vivem os primeiros
Donos deste novo mundo
Os índios a quem devemos
O respeito mais profundo
E o brasileiro cabôclo
Povo mestiço e fecundo.

Precisamos ir bem fundo
Ao tratar dessa questão
Que mexe com nossa vida
Com a nossa imaginação
Com a história e o futuro
Da nossa grande nação.

Amazônia é equação
Que temos que resolver
Se será fácil ou difícil
O tempo é quem vai dizer
É nosso dever de casa
E vamos ter que fazer.

Nós precisamos dizer
Ao mundo com galhardia
Que os povos da Amazônia
Da sua rica bacia
São os seus únicos donos
Têm dela a soberania.

Dia e noite, noite e dia
Precisamos combater
Com idéias, com ações
Senão é fácil prever
Toda essa nossa riqueza
Haveremos de perder.

Todos precisam saber
Dessa grande orquestração
Que os poderosos do mundo
Vêm movendo desde então
Pra tomarem a Amazônia
Movidos pela ambição.

Debaixo daquele chão
Tem prata,tem gipsita
Tem diamantes, titânio
Ferro, ágata, malaquita
Citrinos, molibidênio
Tem tungstênio e bauxita.

Veios de ouro e pepitas
Urânio, gás, manganês
Tem petróleo, alumínio
Potássio e digo a vocês
Onde tem tanta riqueza
O gringo nunca é cortês.

Gringo não quer ser freguês
E também não quer ser sócio
Quer meter a mão em tudo
Ser o dono do negócio
Acham que somos otários
Que o nosso povo é beócio.

Mas o sol em equinócio
Na linha do equador
Ilumina o nosso povo
Com tanta luz e esplendor
Que um povo com esse brilho
Não pode ser perdedor.

Precisamos dar valor
As forças que a gente tem
Novo colonizador
Aqui não vai se dar bem
Nós não queremos ser mais
Escravos de mais ninguém.

Na Amazônia ainda tem
Tântalo, topázio e linhito
Fluor, zinco, tório, cromo
Um território bonito
Nióbio, ítrio e as águas
Do Amazonas bendito.

Porém tem muitos conflitos
Com grileiro, com posseiro
Tem também falsos pastores
À serviço do estrangeiro
Queimadas pra criar gado
Fazendeiro e madeireiro.

Mas cabe a nós brasileiros
Puxar o mote, o refrão
Chamar os nossos vizinhos
Com bom senso e união
Pra defender nossas pátrias
Patrimônio e rico chão.

Hoje com a concentração
Das furtunas pela terra
Com a riqueza em poucas mãos
Ou a gente grita e berra
Ou pra ter a Amazônia
Teremos que entrar em guerra.

O ronco da motoserra
Fumaça e poluição
As pastagens para o gado
Matando a vegetação
Mostra que estamos errando
Na forma de ocupação.

Damos ao gringo a visão
que não sabemos cuidar
Do que eles chamam pulmão
Do mundo a fábrica de ar
É com essa conversa mole
Que eles querem nos lezar.

Precisamos implantar
A auto-sustentação
Respeitando a natureza
Porém com convicção
Que a Amazônia é nossa
E gringo não põe a mão.

No futuro a geração
Que virá depois de nós
Vai poder se orgulhar
E dizer: nossos avós
Fizeram um grande país
Não nos deixaram a sós.

Então solto minha voz
Nesse momento presente
Em nome desse futuro
Onde estará nossa gente
Se a gente fortalecer
Os elos dessa corrente.

Do peão ao presidente
Chico, Mané e Antônia
Do Oiapoque ao Chuí
De Mossoró à Rondônia
Precisamos nos unir
Pra salvar a Amazônia.

Mas se o gringo é nossa insônia
Agiremos dando duro
Rumando na caminhada
Com ninguém deixando furo
Unidos pela Amazônia
Senão, adeus bom futuro.

Lutemos até no escuro
Unidos em harmonia
Com garra, força e coragem
Enfrentando a vilania
Não daremos o que é nosso
Não queiram o que não é vosso
A nossa soberania.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Cordel e livro (Costa Senna)



COSTA SENNA ACÚSTICO EM: “ECOS LÓGICOS”
- Do Repente ao REP -
(Texto enviado pelo poeta Rouxinol do Rinaré. Para acessar fotos e outros textos, pesquisar Costa Senna no Google)

Em noventa minutos, Costa Senna faz um mergulho nas suas raízes de cultura sertaneja e oferece ao público um panorama feito de sons, ritmos e poesia das suas andanças pelos quatro cantos do mundo e, feito um refugiado ambiental, deixa sua mensagem de fé e esperança nos homens, nas mulheres e nas crianças, chamando a atenção de todos para o cuidado com os ambientes nos quais vivem todas as espécies de vida e onde se produzem as múltiplas possibilidades de expressões culturais.


Onde? Teatro do Centro Dragão do Mar, Fortaleza-CE.
Quando? Quarta-Feira, dia 16 de Abril de 2008, às 20h
Inteira: R$ 10,00, Meia R$ 5,00

Produção: Ednaldo Vieira
Direção Musical: Rafael de Sousa



“DEGLUTINDO COSTA SENNA”
Por Assis Ângelo*

A Receita é simples, carece de complicação, não. Quer ver? Dê garra duma boa viola e a ela junte um violão com cordas de nylon bem afinadas; acrescente um ganzá, um triângulo, um pandeiro, um cavaco, um bandolim e algumas pitadas de sensibilidade e talento.
Em algum lugar enfie uma bateria sem muita zoada, uma sanfona ora gemendo ora chorando de satisfação na unha dum bom Zé; um surdo e uma timba pra marcar ponto, mais um baixo, uma castanhola das terras de Pablo Diego José Francisco de Paulo Juan Nepomuceno Maria de los Remédios Crispin Crispiniano Santíssima Trindad Ruiz y Picasso, o assobio do pássaro preto, o canto afinadíssimo do bicudo flauta campeão e a flautinha mágica e simples de Daniela Pacheco pra fazer a gente lembrar que fora do rádio e da televisão de hoje há vida inteligente, sim senhor! e carrada de boa música pra ouvir a qualquer hora do dia ou da noite.
Pra enfeitar, ponha um reco-reco. Pra ficar natural, faça improvisação com um vaso que esteja por perto; toque de leve uns sininhos, mexa num carrilhão, balance com jeito um pau-de-chuva e não esqueça de tirar som dum caxixizinho, dum arozinho de caixa de madeira e dumas torinhas de pau. Pra ficar melhor, misture aqui e ali as vozes de Cristina Araújo, Sandra Salgueiro e das meninas Ornela, Gabriela, Mariana, Joice, Isabele e Beatriz.
Pronto! Agora junte tudo na medida certa, agite bem e dê uns pulinhos de alegria; abra um sorriso bem bonito e com ele ilumine o ambiente, estale os dedos e chame a moçada pra forroriar sob a batuta do brincante cearense Costa Cenna. É folia pra ir madrugada adentro. Confira o que digo pondo logo em prática esta receita, homem de Deis;e aumento o som, viu?
Uma coisinha só: de tão bom, o resultado daí extraído pode ser degrutido do começo pro fim, do fim pro começo, do meio pra trás, de trás pro meio, aos poucos, aos pedaços, aos arrancos e solavancos, de todo jeito; é delícia, é manjar, é poeira do coração das estrelas tomando forma no corpo e na alma de quem nasceu pra ser livre.
Experimente a faixa ao mestre de Assaré e a que nos mostra o Brasil caboclo de mãe Preta e pai João; faça-se criança e viaje pelo abecedário brasileiro; nessa viagem, saborei sem presa a cantilena à Fortaleza, a ode à beleza da mulher, o trava-língua do cacá-caqui, a embolada dos doidos e a cantiga de umbigada. Tudo aqui é muito bom e você há de concordar: a grandeza musical de Costa Senha é do tamanho do nome do genial pintor espanhol citado lá em cima, não é não?

(*Assis Ângelo, Jornalista e escritor paraibando, radicado em São Paulo.É autor dos livros: “Eu vou contar pra vocês”, Biografia de Luiz Gonzaga e do álbum “Patativa do Assaré, o Poeta do Povo”, Biografia de Antonio Gonçalves da Silva, O Patativa do Assaré)