segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Cordel de Marcos Mairton



Zé Brasileiro Furtado e a Fazenda Tropicana
Marcos Mairton

Conheço um agroempresario
Que ficou acabrunhado
Porque seu agronegócio
Só prejuízo tem dado.
O nome desse empresário
Que anda assim, deficitário:
Zé Brasileiro Furtado.

Zé Brasileiro é o dono
Da fazenda Tropicana,
Onde a água é muito farta,
A terra é boa e é plana.
Lugar bom para criar
Gado de leite e plantar
Feijão, café e banana.

Por isso que Brasileiro
Variou a produção,
Querendo extrair da terra
Cenoura, milho e feijão.
Criar boi, criar ovelha,
Galinha branca e vermelha
E colher muito algodão.

E para cada cultura
Nomeou logo um gerente,
Depois disse a cada um:
"Seja esperto e diligente,
Faça o negócio render
Que depois vou escolher
Quem foi mais eficiente".

E cada um prometeu
Com empenho dedicar
A força do seu trabalho
Em bem administrar,
Para que Zé Brasileiro
Ganhasse tanto dinheiro
Que nem pudesse contar.

Mas, passados alguns meses,
Brasileiro foi notando
Que os negócios da fazenda
Não estavam prosperando.
Plantação nunca vingava
E, dos bichos que criava,
Tinha sempre algum faltando.

Galinha botava os ovos,
Mas os pintos não nasciam,
E, quando tinha ninhada,
Muitos desapareciam.
No rebanho de bovinos
E na criação de ovinos
Muitos animais morriam.

A plantação de cenoura
Até se desenvolveu,
Mas, já perto da colheita,
O prejuízo ocorreu:
Deu uma chuva pesada
E a produção esperada
Quase toda se perdeu.

Perdeu-se também o milho
Já perto de ser colhido.
E teve ainda um besouro
Grande, do nariz comprido,
Que atacou o algodão
E, naquela plantação,
Quase tudo foi perdido.

Zé Brasileiro Furtado,
Vendo isso acontecer,
Decidiu que precisava
Alguma coisa fazer.
Chamou todos os gerentes
Porque medidas urgentes
Teria que proceder.

Na sala de reunião,
Fez seu pronunciamento:
Pediu que cada gestor
Desse o seu depoimento
Para ser esclarecido
O que tinha acontecido
Em cada departamento.

E cada um dos gerentes
Foi dando uma explicação,
Começando pelo Chefe
Do cultivo do algodão,
No caso, Mário Bicudo,
Que depressa explicou tudo
Que houve com a plantação.

Disse que cuidou da terra
E as sementes semeou.
Pra não depender de chuva,
A área toda irrigou,
Mas um besouro comia
Cada flor que ali surgia
E o algodão não vingou.

Depois falou João Raposo,
Que seguiu na mesma linha,
Embora contando tudo
Como melhor lhe convinha.
Raposo estava empregado
No setor encarregado
Da criação de galinha.

Sobre a morte das ovelhas,
disse o administrador:
"Foi coisa de lobisomem
Ou de disco voador.
E não pensem que sou bobo,
Sou Antonio Carlos Lobo,
O chefe deste setor".

Ao ouvir essas palavras,
Alguém, levantando a mão,
Disse: "Com o gado bovino
É a mesma situação.
Do setor sou o gerente,
Permitam que eu me apresente:
Doutor Manoel Leão".

"Investiguei tudo a fundo,
Mas não sei o que acontece
Que, quase todos os dias,
Uma rês desaparece.
O problema é muito sério,
Por causa desse mistério
O rebanho nunca cresce".

Depois disso que foi dito
Por Doutor Manoel Leão,
Chegou a vez de falar
Epaminondas Falcão,
Que expôs um triste lamento,
Pois em seu departamento
Foi grande a decepção.

Falcão era encarregado
De cuidar de um viveiro
Onde abrigava as codornas
Do nosso Zé Brasileiro,
Mas explicou que as bichinhas
Morriam todas novinhas
Lá dentro do cativeiro.

Nem a plantação de milho
Deu resultado também.
De mil pés que se plantou,
Colheu-se em menos de cem.
O pouco que foi colhido
Depois de seco e moído
Deu uma saca de xerém.

Quem deu notícia do milho
Foi um rapaz bem distinto
Que tinha sido o primeiro
A adentrar no recinto:
"Sou chefe do milharal,
O meu nome é Roberval
E o meu sobrenome é Pinto".

Zé Brasileiro pensou:
"A fazenda está acabada".
Mas ainda havia uma
Má notícia a lhe ser dada:
"Seu Zé, lamento informar,
Mas não pude evitar,
A fazenda foi multada".

"O IBAMA diz que houve
Aqui um desmatamento,
Que está fora dos conformes
De certo regulamento".
Assim falou João Machado,
Que tinha estado ocupado
Com o reflorestamento.

Ao ouvir tão má notícia
Nosso herói, Zé Brasileiro,
Chamou logo o responsável
Pela gestão do dinheiro.
Acenando com a mão,
Convocou Luiz Gastão,
O Diretor Financeiro.

Este, porém, disse logo:
"Não vai dar para pagar
Essa multa que o IBAMA
Resolveu nos aplicar.
Estamos sem numerário
E o nosso saldo bancário
Está prestes a zerar".

Então José Brasileiro
Viu que estava encrencado,
Suspendeu a reunião
E saiu bem chateado.
Trancou-se no escritório
Afrouxou o suspensório
E lá ficou isolado.

Só mais tarde entrou na sala
O Seu Mário, da limpeza,
E, enquanto passava um pano,
Em cima da sua mesa
Perguntou ao seu patrão:
"Posso dizer a razão
Do fracasso da empresa?"

Zé Brasileiro Furtado
Não quis nem acreditar
No que Mario, da limpeza,
Acabava de falar,
Pois não tinha cabimento
Que o homem do polimento
Soubesse administrar.

Mas, ficou bem curioso
De saber a opinião
Que Seu Mário, da limpeza,
Teria sobre a razão
De a fazenda andar tão mal
Na criação de animal
E também na plantação.

Então, José Brasileiro,
Em tom desafiador,
Falou: "Seu Mário, me diga,
Esclareça, por favor,
O que sabe, que eu não sei?
Aponte onde foi que errei
Como administrador?"

Seu Mário olhou para ele
Tranquilo, sem se abalar,
E postou-se em frente à mesa
Que ainda estava a limpar,
Pôs o pano ali dobrado
E, em martelo agalopado,
Começou a lhe falar.

Meu patrão, eu agora vou dizer
Porque essa fazenda vai tão mal,
Porque é que não gera capital
E o negócio insiste em não crescer.
É preciso cuidado ao escolher
As pessoas para administrar.
Se acontece de a gente entregar
O negócio para a pessoa errada,
A empresa então é condenada
A mais cedo ou mais tarde fracassar.

Seu José Brasileiro, essa fazenda,
Tem Raposo cuidando das galinhas,
Tem Falcão pastorando as codorninhas
E um Gastão é quem guarda sua renda.
O bom senso, eu bem sei, não recomenda
Um Bicudo cuidando de algodão,
Nem o gado entregue a um Leão
E o milho guardado por um Pinto
Desse jeito, lamento, mas eu sinto
A fazenda não vai pra frente, não.

Mesmo assim, dou a minha opinião,
Mostro o erro, sugiro, dou conselho,
Pois não sei como pode haver Coelho
Semeando cenouras nesse chão.
É assim também na preservação
Das florestas, do meio ambiente,
O Machado não pode ser gerente
Do setor que faz reflorestamento.
Outra vez eu lhe digo que lamento
Mas assim nada aqui irá pra frente.

Por eu ser simplesmente um zelador
O senhor talvez ache que sou bobo,
Mas eu não compreendo como um Lobo
É das suas ovelhas o pastor.
Eu não tenho diploma de doutor,
Mas, afirmo, sem medo de errar,
Se o senhor tem vontade de salvar
O que resta do empreendimento,
Mande embora esse povo lazarento
E assuma o comando do lugar.

Depois de ouvir tudo aquilo,
Brasileiro demitiu
Os gerentes da fazenda
E, em seguida, decidiu
Agir de outra maneira
Direta, firme e certeira,
E, assim pensando, agiu.

Para a empresa rural
Adotou um novo plano,
Sob a orientação
De um consultor peruano.
O nome do consultor,
Da fazenda o salvador:
Pablo Ramirez Urbano.

Segundo Zé Brasileiro,
Nesses negócios rurais,
Pablo Urbano é professor,
Sabe tudo e um pouco mais.
Com as mudanças que fará
A fazenda alcançará
Padrões internacionais.

Se as mudanças darão certo
Só o tempo irá dizer.
E se não derem, espero
Que algum dia possa ser
Que Zé Brasileiro aprenda
Um gestor para a fazenda
Corretamente escolher.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Soneto de Marcos Mairton


O intelectual
Marcos Mairton

Discreto, sério, culto e educado,
Segue em visita a uma livraria.
Relê um conto, lê uma poesia.
“São tantos livros!” - pensa emocionado.

Até lamenta não ter dedicado
A vida inteira simplesmente a lê-los.
Mas, eis que surge um par de tornozelos,
No pé esquerdo, um trevo tatuado.

As panturrilhas e cada joelho,
Coxas que somem sob o tom vermelho
De um vestido fino e sensual.

E, sem esforço, aquela criatura
Logo desvia da literatura
Toda a atenção do intelectual.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Poesia de Mary-Lucy



BICO DE LAMPARINA
Mary-Lucy

A vaca de mãe era bela
Mui mimosa e preferida
A Bico de lamparina
Passava a vida sumida
A venta era tinta preta
E nunca ficou parida

A vaca não dava cria
E pai dela não gostava
E a bichinha ela sabia
Que só mamãe a tolerava
Era igual a forrageira
A comida devorava!

E era sim terna e dengosa
E assim a  vida a levava
Vindo a “marvada” da seca
Mesmo assim ela luxava
A pobre de lamparina
Pras tiras fora levada!

Mãe ficou muito aperreada,
Tratou dela com ração
A bichinha já era velha
Deus tem dela compaixão!
Quero Lamparina morta,
A sofrer neste torrão!

E Bico de Lamparina,
À tarde bateu suas botas
E Mãe toda chorosa era
Lamentando a vaca morta
Mas disse, Deus obrigada,
E livrai-me de outra morta !

*

Mary-Lucy Soares Dias  mora no Cedro-Ce, é  aspirante a poetisa, Pedagoga, Professora na SEDUC-CE, Contabilista, membro da Associação Cearense de Escritores- ACE- e Diretora Adjunta de Literatura da Casa da Cultura de Cedro.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Quixadá: Aniversário da AQL



No ultimo sábado, 26, a Academia Quixadaense de Letras (AQL), em sua sede própria na estação ferroviária de Quixadá, os imortais se reuniram para comemorar o primeiro ano da academia, vestidos a caráter, 15 dos 20 membros acompanhados de familiares e convidados. Convidados especiais sentaram ao lado presidente João Eudes Costa, O radialista Amadeu Filho, A vereadora de Quixeramobim Liduina Leite, o vice prefeito Wellington Queiroz, o Presidente da Fundação Cultural Rachel de Queiroz Blasco Monte e a articuladora cultural Maria Prima.

A noite também foi marcada pela posse do primeiro Imortal nascido noutra cidade, o escritor cronista Bruno Paulino, nascido em Quixeramobim. Até então todos os demais membros da AQL, são naturais ou tem cidadania quixadaense. Foi distri buído aos presentes um exemplar do livro  "Memórias e Louvações em prosa e verso" da imortal Maria Zenaide Costa. Apesar das formalidades na solenidade, cerimoniada pelo radialista e jornalista Wanderley Barbosa, um dos idealizadores da AQL, a festa foi descontraída.              


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Cordel de Eduardo Macedo


Acaba de ser lançado o Cordel a "Gesta do touro Corta-Chão". Editado pela Tupynanquim e ilustrado com xilogravuras autorais, o poema traz a peleja do barbatão Corta-Chão com seus algozes cavaleiros, em especial, o inclemente João Vaqueiro. 
Impresso em formato grande (15 cm x 21 cm), o folheto conta com pouco mais de 200 estrofes, divididas em "Cantorias" (capítulos), e traz apresentação do poeta, ilustrador e pesquisador Arievaldo Viana. Veja mais e adquira a obra em:

Quantos touros fugiram, enrascados,
Pelas brenhas de matas espinhentas?
Quantas pegas não findaram sangrentas,
Fatais a acossadores e acossados?
Quantos vaqueiros, bois e seus reinados,
Esvaíram-se sem deixar memória
E seus feitos de bravura e de glória
Não sumiram com suas curtas vidas?
Incontáveis gestas foram perdidas
Por entre as cegas lacunas da história.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Cordel no site de Cultura do RJ


Muito além do sertão
A ocupação do Morro do Alemão, capoeira, Super Mario e até o Direito: autores usam a literatura de cordel para falar de temas urbanos

Na sua época de menino, era mergulhando nos versos de folhetos de cordel que o cearense Marcos Maírton da Silva passava seu tempo livre. “Apesar de não terem as figuras das revistas em quadrinhos, a forma rimada e metrificada dava à leitura um ritmo bem gostoso”, lembra o atual juiz federal. Mais velho, buscou as memórias do fascínio que aquela literatura lhe provocava para escrever seu primeiro cordel. Na história, Marcos provocou o encontro de duas das mais tradicionais figuras dessa literatura – o Padre Cícero e o diabo – com um personagem tipicamente urbano: um advogado.

A experiência de colocar no foco da narrativa de seu cordel uma figura aparentemente tão deslocada desse universo foi a inspiração para o autor escrever Uma Visita Inesperada, em que ele, tendo passado toda sua vida na cidade, se pergunta como conseguiria escrever um cordel verdadeiro. Tendo crescido lendo relatos de grandes poetas sobre “as coisas lá do sertão”, Marcos coloca a questão: “como é que eu vou fazer/ poesia de cordel/ sem sequer eu conhecer/ uma casa de farinha/ o ninho d’uma rolinha/ uma jumenta amojada/ uma cabaça, uma tramela/ água de pote, gamela/ uma galinha deitada?”.

Pois essa mesma pergunta veio, nos últimos tempos, sendo feita por uma série de outros autores. E a maioria chega à mesma conclusão: a literatura de cordel tem uma riqueza que pode ser adaptada aos mais variados assuntos. O que define o cordel, explica Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), não é o tema, mas a atenção criteriosa à métrica e à rima, sempre em função de estabelecer um ritmo que lembra as cantorias orais, berço dessa linguagem. “Se não tiver um desses fundamentos, pode ser um texto muito bonito, mas não será cordel”, diz. 

“Hoje, além dos temas tradicionais, falamos também de romances, contos, lendas, folclore, ciências, política, enfim, o cordel pode abranger todas as áreas de conhecimento”, continua o poeta. E, em seus séculos de história, o cordel nunca se manteve estático: basta pensar que, nos seus primórdios, quando se popularizou em Portugal e Espanha no século XVI, era usado como forma de galanteio. “Os poetas saíam pelas ruas estreitas de Barcelona, de Madri, de Lisboa, acompanhados de um rapaz com um violão. E, quando chegavam na janela da garota mais bonita, declamavam as estrofes do cordel para ela”, conta o presidente.

“Na verdade, o cordel no Brasil sempre abordou temas variados, sendo possível destacar três grandes grupos: as histórias do cangaço; os contos de inspiração medieval, com reis, rainhas e fadas; e os contos de mistério, incluindo lendas, assombrações e um personagem frequente: o diabo. Mas, talvez por ser uma manifestação cultural que cresceu muito no Nordeste, no começo do século XX, essa temática do cangaço e do sertão ganhou mais projeção, até porque foi também no mesmo período e na mesma região que o cangaço fez sua história”, conta Marcos Maírton, que hoje divulga o trabalho de outros “cordelistas urbanos” no blog Mundo Cordel, e tem uma série de livros publicados. Um deles, A História de Zé Luando – O Homem Que Virou Mulher, conta a saga de um menino diferente, que deixa o sertão do Ceará “em busca da liberdade/ de viver como mulher / sem ninguém pôr a colher/ na sua sexualidade”.

Para a poetisa Maria Rosário Pinto, usar o cordel para falar de um tema como homossexualidade não tem nada de surpreendente. “Porque o poeta de cordel é essencialmente um observador. Nada lhe passa despercebido”, diz a maranhense, que conheceu cordel por intermédio do pai, um leitor voraz de literaturas populares. Rosário mantém o blog Cordel de Saia, em parceria com Dalinha Catunda, nascida no interior do Ceará. As nordestinas, que atualmente moram no Rio, compartilham no site suas impressões sobre seu dia-a-dia – coisa que, conta Dalinha, na verdade não tem nada de novo. “Durante muito tempo, o cordel foi o jornal do interior do Nordeste, transmitindo as mais importantes notícias do país. Abordar através da literatura de cordel os temas urbanos e contemporâneos é antes de tudo registrar os acontecimentos e repassar o fato de forma mais leve”, conta.

E é delicadeza que Dalinha transferiu ao episódio da tomada do Complexo do Alemão pelas Forças Armadas, em 2010. O tenso marco da história carioca recente foi a inspiração para esperançosas e delicadas rimas no cordel A Invasão no Alemão. “Fiquei ligada na televisão acompanhando a invasão, completamente envolvida com as notícias da ocupação. Ali mesmo foram brotando os versos, e quando me dei conta já tinha feito minha cobertura em cordel”, lembra. Já Rosário, em um de seus trabalhos, brinca com o “sabe-tudo” Google, figura onipresente da vida moderna. Em Sr. Google, a autora propõe ao buscador um duelo de poemas, ao que ele só responde depois de vasculhar a web: “buscando na Wikipédia/conheceu outros poetas/nesta grande enciclopédia/ aprendeu a fazer rima”.

Foi também no mundo virtual que o alagoano Cárlisson Galdino buscou a inspiração para seu primeiro cordel. Um ávido defensor do compartilhamento de conhecimento sem restrições, o artista escolheu usar essa linguagem tradicional, que conheceu ainda menino, para divulgar suas ideias no Cordel do Software Livre. “Acredito que o artista tenha um importante papel social e que não deve se limitar a fazer entretenimento. Seu entretenimento tem que trazer um algo mais que possa, ao menos um pouco, transformar a sociedade. Isso foi o que me motivou a escrever meu primeiro cordel, Cordel do Software Livre, e outros como o Cordel Quilombola e Piratas e Reis”. Seus manifestos em forma de cordel, que podem ser encontrados replicados em vários sites na internet, acabaram servindo a um duplo propósito, avalia o autor. “Além de divulgar o conteúdo (sobre o movimento social do Software Livre), os livretos terminaram também levando o cordel a quem pouco (ou, em alguns casos, nada) conhecia dessa riqueza cultural nordestina”.

Hoje, Cárlisson divulga sua produção em seu blog, onde pode-se encontrar também o divertido A Saga de Um Encanador, cujo protagonista é um ícone do mundo dos jogos eletrônicos. “Como Mario muito provavelmente ainda é o personagem mais forte da história dos videogames, ainda liderando a lista de franquias mais vendidas (e de jogo melhor avaliado pela crítica, o caso do Mario Galaxy), concluí que merecia uma homenagem em forma de cordel. A Saga de um Encanador relata a aventura do Mario em seu primeiro jogo, Mario Bros, com estrofes relatando o progresso do personagem através das fases”, conta o autor.

Se os cordelistas urbanos citados até agora tiveram a chance de estar em contato com o cordel desde pequenos, esse não foi o caso de Victor Alvim, conhecido como Lobisomem. “Meu interesse pela literatura de cordel surgiu quando comecei a pesquisar sobre capoeira”, diz o carioca, que esbarrou nessa linguagem nos acervos sobretudo do Museu do Folclore. Em seus primeiros trabalhos, Victor misturava suas experiências com a capoeira aos personagens tradicionais da literatura de cordel, como Lampião, Luiz Gonzaga, Padre Cícero e tantos outros. 

“Com o tempo, foi inevitável que a cultura e personagens cariocas também me inspirassem e me influenciassem, já que sou nascido e criado no Rio de Janeiro. Então comecei a escrever também homenageando Jorge Benjor, Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Arlindo Cruz, o bloco Cacique de Ramos, Tim Maia...”, conta o poeta. Um de seus cordéis, por exemplo, narra por versos o encontro de Zeca Pagodinho e São Cosme e Damião, enquanto outro, recém-lançado, imagina como foi a recepção do síndico Tim Maia no céu.

A maioria dos poetas entrevistados acha que, mesmo se visto com desconfiança no início, esses cordéis urbanos são hoje plenamente aceitos, e que sempre haverá espaço tanto para o tradicional quanto para o moderno. Dalinha Catunda, que enxerga o gênero como um “leque que comporta uma variedade de temas”, resume por quê. “O cordel está no rádio, na televisão, na internet. Este cordel de hoje, globalizado, não pode nem deve descartar nenhum assunto”. Sorte dos leitores. 

Colaboração de Marianna Salles Falcão
Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/materias/muito-alem-do-sertao

domingo, 20 de outubro de 2013

Geraldo Amancio: 50 anos de poesia


De 17 a 20 deste outubro de 2013, aconteceu a 1ª Semana Cultural do Cedro-CE, que marcou a comemoração pelos Cinquenta Anos de Poesia de Geraldo Amancio.

   
Ali se apresentaram vários repentistas, declamadores, grupos de dança folclórica e outros artistas. Uma festa grande e bonita na cidade do Cedro, onde nasceu o grande poeta, repentista, cordelista e apresentador de televisão.


A convite do poeta, estive por lá e ainda arrumei um lugarzinho no palco pra cantar alguma coisa de minha autoria também.


Em breve será publicada parceria nossa em duas obras em cordel, uma falando de Ecologia e outra sobre Gramática. Nesta tem estrofes como essas...

De uns tempos para cá
Convém ficar bem atento:
Verbos com vogal dobrada
Têm novo regulamento
PERDOO, LEEM, ENJOO,
CREEM, VEEM, DEEM, VOO,
Hoje não têm mais acento.

Mas, o acento persiste
No plural de VIR e TER.
“Ele VEM” e “ele TEM”,
Sem acento devem ser.
Já no plural, ELES TÊM,
Do mesmo jeito, ELES VÊM,
É o certo a escrever.