quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Cordéis em livro
terça-feira, 4 de novembro de 2008
O cordel e os clássicos da literatura

quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Rainha Ester em Cordel (Arievaldo Viana)

(Raízes - Edição n°. 2 - Março 2a. quinzena - 2008 - Adar Beit – 5768)
Quem poderia imaginar a história de Purim contada em prosa e verso na literatura de cordel do nordeste brasileiro? Essa realmente me pegou de surpresa. Mas o que é em realidade a literatura de cordel. O velho Aurélio diz o seguinte: Romanceiro popular nordestino, em grande parte contido em folhetos pobremente impressos e expostos à venda pendurados em cordel, nas feiras e mercados. (Dicionário Aurélio Buarque de Holanda).
Trazida pelos portugueses que aportavam por volta de 1850 em terras tropicais, com o passar dos anos, essa literatura foi aos poucos se afirmando especialmente pelo seu baixo custo e hoje é encontrada praticamente em estados do nordeste como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia. Muitas vezes repleto de um belo tom humorístico e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região, a literatura dos livretos pendurados em cordas tipo barbante, daí o nome Literatura de Cordel, contagia a população nordestina e principalmente os turistas que por ali andam. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades, etc.
Pensando melhor, se formos parar pra pensar realmente, a história da Rainha Esther é sem dúvida um belo tema para um bom poeta da literatura de cordel desenvolver. Ela foi uma heroína do povo judeu, com coragem e muita determinação enfrentou a possível morte ao apresentar-se diante do Rei sem ter sido autorizada com o único intuito de salvar o seu povo do decreto perverso do ministro Haman.
Acrescentaria ainda um outro ponto importante. Talvez por sua conotação de salvação e pela facilidade de identificação com os exilados que viviam na antiga Pérsia, Purim e sobretudo o jejum de Esther, foram enormemente populares entre os Bnei Anussim. Não há dúvida que os conversos ibéricos viram Esther como a salvadora do povo judeu. Vale lembrar que a rainha Esther conseguiu ajudar seu povo justamente quando este se encontrava na clasdestinidade, ocultando sua própria identidade judaica. O que em outros contextos poderia apresentar um desafio à normatividade judaica, exatamente o fato de sua clandestinidade é que despertou nos Bnei Anussim, um alto grau de identificação com esta Festa.
No Ha-Lapid número 109 de 1942, o jornal organizado e elaborado para os então descobertos criptojudeus nas montanhas do norte de Portugal pelo idealizador da Obra do Resgate, Capitão Arthur Carlos de Barros Basto, encontramos um artigo de autoria de José A. Pereira Gabriel no qual ele escreve: “Sejamos como Mordechai; não tenhamos receio de nos dizermos judeus, pois a nossa lei, o nosso ideal, é de todos o mais perfeito, e o que moralmente a todos se impõe. Não tenhamos receio de divulgar a nossa (melhor que todas as outras) crença religiosa... isto é admirável!”.
Exatamente por isso a Festa de Purim é sem dúvida uma das mais conhecidas e preservadas pelos Bnei Anussim durante séculos.
Mas o que faria uma poeta de literatura de cordel se interessar por essa história e como ele a conhecia?
O despertar dos Bnei Anussim pelo mundo é um fato consumado hoje em dia. No Brasil, e principalmente no nordeste, historiadores e pesquisadores afirmam que a presença de seus descentes é numerosa já que um percentual respeitável dos brancos portugueses que vieram para colonizar o país eram cristãos-novos que escondiam sua verdadeira fé, eram portanto, criptojudeus. Seus descendentes estão por aí e com certeza muitos deles enraizados como trovadores, compositores e poetas da literatura de cordel. Assim, já estou mais tranqüilo e na verdade não tão surpreso de encontrar a História da Rainha Esther em Literatura de Cordel.
E com vocês... a “História da Rainha Ester” do Poeta da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Arievaldo Viana Lima.
Supremo Ser Incriado
Santo Deus Onipotente
Manda teus raios de luz
Ilumina a minha mente
Para transformar em versos
Uma história comovente.
Falo da vida de Ester
Que na Bíblia está descrita
Era uma judia virtuosa
E extremamente bonita
Por obra e graça divina
Teve venturosa dita.
Foi durante o cativeiro
Do grande povo Judeu
Um rei chamado Assuero
Naqueles tempos viveu
E com o nome de Xerxes
Na História apareceu.
O rei Assuero tinha
Pelo costume pagão
Um harém com muitas musas
As mais belas da nação
Mas era a rainha Vasti
Dona do seu coração...
Os interessados na continuação por favor acessem:
http://www.ablc.com.br/popups/cordeldavez/cordeldavez008.htm
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Cordel e Clássicos da Literatura

Os dois livros da Coleção Clássicos em Cordel estarão à venda no Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no Rio de Janeiro. Os livros integram o estande da Editora Nova Alexandria.
Os Miseráveis, adaptação do cordelista e ilustrador Klévisson Viana do romance de Victor Hugo, narra as aventuras de Jean Valjean, um dos mais belos personagens da literatura universal.
O Corcunda de Notre-Dame, de João Gomes de Sá, também adaptado a partir de um romance do grande escritor francês, é a história de Quasimudo (Quasímodo no original), o corcunda da Catedral de Santana, pequena cidade do interior nordestino.
Os dois livros são magistralmente ilustrados pela dupla Murilo e Cíntia.
10º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens Local: MAM – Museu de Arte Moderna Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 Parque do Flamengo RJ • Tel: (21) 2240-4944 Data: De 21 de maio a 1º de junho de 2008 Horário: Segunda a sexta, das 8h30 às 18h; sábados, domingos e feriado, das 10h às 20h. Ingresso: R$ 3,00 (gratuidade para maiores de 65 anos, portadores de deficiência e professores da Rede Municipal de Ensino) FNLIJ • Tel.: (21) 2262-9130 /
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Cordel e Clássicos da Literatura (Arievaldo e Jô)

terça-feira, 29 de abril de 2008
Machado de Assis em Cordel

Quem conhece um pouco de Literatura de Cordel sabe que é comum se fazer adaptações de grandes obras literárias para o cordel. O site Literatura Livre nos lembra que:
"Os Miseráveis", adaptação do cearense Klévisson Viana para o clássico homônimo de Victor Hugo, é um exemplo daquilo que o cordel é atualmente. O livro abre a coleção Clássicos em Cordel, da editora paulista Nova Alexandria, ao lado de outra adaptação do autor francês - "O corcunda de Notre-Dame", história pinçada do livro "Paris de Notre-Dame" e transposta para o sertão nordestino pelo poeta alagoano João Gomes de Sá. Dirigida pelo também cordelista Marco Haurélio, a coleção se propõe a transformar em prática sistemática a adaptação de grandes obras da literatura mundial para a linguagem do cordel, observada aqui e acolá ao longo da trajetória do cordel.
Bem, já havia um tempo que eu pensava em fazer uma adaptação assim. Semana passada estive relendo o conto "A Cartomante", de Machado de Assis, e pensei: "Dá pra transformar em cordel!".
Foi assim. O resultado é o que mostro a seguir:
Antes de começar a narração
Peço toda a atenção dos meus leitores
Pra lembrar de um dos grandes escritores
Que elevam o nome da nossa nação.
O que eu faço é uma adaptação
De uma obra genial e intrigante.
Esse famoso conto “A Cartomante”
De um dos grandes escritores do país.
Sua benção, Machado de Assis,
Que em tudo que fez foi tão brilhante!
A CARTOMANTE
(Adaptação da obra de Machado de Assis para a Literatura de Cordel)
Marcos Mairton
A nossa história começa
Na hora em que dois amantes
Encontrando-se em segredo
Falavam em cartomantes.
Contava a moça ao amado
Que havia se consultado,
Com uma um dia antes.
O rapaz era Camilo,
O nome da moça: Rita.
Ela, então, dizia a ele
Que andava muito aflita
Pois temia que o rapaz
Já não lhe amasse mais
Nem lhe achasse mais bonita.
Que, por isso, tinha ido
Consultar-se com a vidente
Para ver se em suas cartas
Ficaria aparente
Se o amor permanecia
Ou se já esmaecia
Tornando-se decadente.
O rapaz ria daquilo.
Quase não acreditava
Nas coisas que a bela Rita
Nessa hora lhe contava.
E, segurando sua mão,
Acalmou seu coração,
Dizendo que lhe amava.
Dizia: “Rita, meu bem,
Não sofras dessa maneira.
Tu és o meu grande amor,
Minha paixão verdadeira.
O que mais quero na vida
É ter você, ó querida,
Pela minha vida inteira”.
Diante dessas palavras
A moça se acalmou
E disse para Camilo:
“A cartomante falou
Que eu gosto de alguém
Que gosta de mim também,
E vejo que ela acertou”.
Camilo riu outra vez:
“Acreditas realmente
Que essa mulher vê nas cartas
A vida de toda gente?
Que desvenda o seu passado
E o que está programado
Pra encontrar pela frente?”
Rita disse: “Eu acredito,
Mesmo vendo que não crês.
Pois sei que há muitos mistérios
Na terra e no céu que vês”.
Sem saber, dizia Rita
Uma frase que foi dita
Por um escritor inglês.
Naquele instante Camilo
Tinha ainda o que falar
Mas, logo ele achou que era
Mais sensato se calar,
Pensando com seus botões:
“São apenas ilusões,
Não vou me incomodar”.
Camilo foi educado
Por uma mãe dedicada
Que, por crer muito nos outros,
Terminou sendo enganada.
Talvez por esse passado,
Camilo, desconfiado,
Não acreditava em nada.
Camilo, então, beijou Rita,
E assim despediu-se dela.
Recomendou que, ao sair,
Ela tivesse cautela.
Precisavam ser espertos
Pra não serem descobertos
Por seu marido Vilela.
Vilela, Camilo e Rita.
Três nomes, uma só trama.
Passo agora a lhes contar
O começo desse drama
De amor e de amizade
Paixão e infidelidade,
De quem trai e de quem ama.
Atendendo recomendações editoriais, estou mantendo apenas parte do texto. Espero que em breve a obra esteja publicada.

