segunda-feira, 2 de maio de 2011
Poesia de Rosário Pinto
sexta-feira, 12 de março de 2010
Poesia de //Anizão
E no seu artigo quarto
O poeta viajando
Por algo que fez errado
T*todos por Silas escritos
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Poesia se aprende?

Respondendo o post "Sextilha anônima", o poeta //Anizão, frequentador assíduo deste MundoCordel fez o seu comentário em verso. Vale a pena conferir. Boa, //Anizão, seja sempre bem vindo!
Versos não sei ensinar
Como eu aprendi eu não sei
Mas sem querer ensinei
A muitos temas glosar
É como ensinar amar
Que não existe uma escola
E nas provas não tem cola
Mas o coração aprende
E o amor nos supreende
As vezes até extrapola.
//Anizio, 27/02/2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Sextilha Anônima
Achei essa imagem em http://ocantinhodaborboletaazul.blogspot.com/sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Negros, índios, portugueses e holandeses
Castro Alves
I
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço Brinca o luar — dourada borboleta; E as vagas após ele correm... cansam Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento Os astros saltam como espumas de ouro... O mar em troca acende as ardentias, — Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos Ali se estreitam num abraço insano, Azuis, dourados, plácidos, sublimes... Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas Ao quente arfar das virações marinhas, Veleiro brigue corre à flor dos mares, Como roçam na vaga as andorinhas...
Donde vem? onde vai? Das naus errantes Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço? Neste saara os corcéis o pó levantam, Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora Sentir deste painel a majestade! Embaixo — o mar em cima — o firmamento... E no mar e no céu — a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa! Que música suave ao longe soa! Meu Deus! como é sublime um canto ardente Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros, Tostados pelo sol dos quatro mundos! Crianças que a procela acalentara No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba Esta selvagem, livre poesia Orquestra — é o mar, que ruge pela proa, E o vento, que nas cordas assobia... ..........................................................
Por que foges assim, barco ligeiro? Por que foges do pávido poeta? Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira Que semelha no mar — doudo cometa!
Albatroz! Albatroz! águia do oceano, Tu que dormes das nuvens entre as gazas, Sacode as penas, Leviathan do espaço, Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.
II
Que importa do nauta o berço, Donde é filho, qual seu lar? Ama a cadência do verso Que lhe ensina o velho mar! Cantai! que a morte é divina! Resvala o brigue à bolina Como golfinho veloz. Presa ao mastro da mezena Saudosa bandeira acena As vagas que deixa após.
Do Espanhol as cantilenas Requebradas de langor, Lembram as moças morenas, As andaluzas em flor! Da Itália o filho indolente Canta Veneza dormente, — Terra de amor e traição, Ou do golfo no regaço Relembra os versos de Tasso, Junto às lavas do vulcão!
O Inglês — marinheiro frio, Que ao nascer no mar se achou, (Porque a Inglaterra é um navio, Que Deus na Mancha ancorou), Rijo entoa pátrias glórias, Lembrando, orgulhoso, histórias De Nelson e de Aboukir.. . O Francês — predestinado — Canta os louros do passado E os loureiros do porvir!
Os marinheiros Helenos, Que a vaga jônia criou, Belos piratas morenos Do mar que Ulisses cortou, Homens que Fídias talhara, Vão cantando em noite clara Versos que Homero gemeu ... Nautas de todas as plagas, Vós sabeis achar nas vagas As melodias do céu! ...
III
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano! Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano Como o teu mergulhar no brigue voador! Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras! É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ... Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!
IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho. Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente... E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais ... Se o velho arqueja, se no chão resvala, Ouvem-se gritos... o chicote estala. E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia, E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, Outro, que martírios embrutece, Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra, E após fitando o céu que se desdobra, Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros: "Vibrai rijo o chicote, marinheiros! Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . . E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais... Qual um sonho dantesco as sombras voam!... Gritos, ais, maldições, preces ressoam! E ri-se Satanás!...
V
Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus?! Ó mar, por que não apagas Co'a esponja de tuas vagas De teu manto este borrão?... Astros! noites! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados Que não encontram em vós Mais que o rir calmo da turba Que excita a fúria do algoz? Quem são? Se a estrela se cala, Se a vaga à pressa resvala Como um cúmplice fugaz, Perante a noite confusa... Dize-o tu, severa Musa, Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto, Onde a terra esposa a luz. Onde vive em campo aberto A tribo dos homens nus... São os guerreiros ousados Que com os tigres mosqueados Combatem na solidão. Ontem simples, fortes, bravos. Hoje míseros escravos, Sem luz, sem ar, sem razão. . .
São mulheres desgraçadas, Como Agar o foi também. Que sedentas, alquebradas, De longe... bem longe vêm... Trazendo com tíbios passos, Filhos e algemas nos braços, N'alma — lágrimas e fel... Como Agar sofrendo tanto, Que nem o leite de pranto Têm que dar para Ismael.
Lá nas areias infindas, Das palmeiras no país, Nasceram crianças lindas, Viveram moças gentis... Passa um dia a caravana, Quando a virgem na cabana Cisma da noite nos véus ... ... Adeus, ó choça do monte, ... Adeus, palmeiras da fonte!... ... Adeus, amores... adeus!...
Depois, o areal extenso... Depois, o oceano de pó. Depois no horizonte imenso Desertos... desertos só... E a fome, o cansaço, a sede... Ai! quanto infeliz que cede, E cai p'ra não mais s'erguer!... Vaga um lugar na cadeia, Mas o chacal sobre a areia Acha um corpo que roer.
Ontem a Serra Leoa, A guerra, a caça ao leão, O sono dormido à toa Sob as tendas d'amplidão! Hoje... o porão negro, fundo, Infecto, apertado, imundo, Tendo a peste por jaguar... E o sono sempre cortado Pelo arranco de um finado, E o baque de um corpo ao mar...
Ontem plena liberdade, A vontade por poder... Hoje... cúm'lo de maldade, Nem são livres p'ra morrer. . Prende-os a mesma corrente — Férrea, lúgubre serpente — Nas roscas da escravidão. E assim zombando da morte, Dança a lúgubre coorte Ao som do açoute... Irrisão!...
Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus, Se eu deliro... ou se é verdade Tanto horror perante os céus?!... Ó mar, por que não apagas Co'a esponja de tuas vagas Do teu manto este borrão? Astros! noites! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão! ...
VI
Existe um povo que a bandeira empresta P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia? Silêncio. Musa... chora, e chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra E as promessas divinas da esperança... Tu que, da liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!... Fatalidade atroz que a mente esmaga! Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu nas vagas, Como um íris no pélago profundo! Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! Andrada! arranca esse pendão dos ares! Colombo! fecha a porta dos teus mares!
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Cangaço

terça-feira, 22 de julho de 2008
Cordel depois da missa (Felipe Júnior)

Já escrevi aqui que uma das coisas que mais me alegra e anima a continuar editando Mundo Cordel é receber de meus amigos CDs, livros, folhetos e outras mídias usadas para a divulgação da Literatura de Cordel e a Poesia Popular. É muito bom saber das pessoas encontrando essa arte pelo mundo e lembrando que este é um ponto de convergência dela.
Mas, tem outra coisa que me alegra tanto quanto essa. É quando poetas enviam obras suas para enriquecer este espaço, este Mundo Cordel. Mundim do Vale sempre faz isso. Anizão e Carlos Silva também já estiveram por aqui, dentre outros.
Hoje, é a vez de Felipe Júnior, poeta cordelista e declamador vindo do Berço Imortal da Poesia, São josé do Egito-PE. Formado em Filosofia pela Universidade Católica de Pernambuco, reside em Recife-PE, é, atualmente, coordenador da União dos Cordelistas de Pernambuco - UNICORDEL e membro da União Brasileira dos Escritores - UBE/PE.
Quem quiser saber mais sobre o trabalho do poeta, é só visitar o seu blog:
Um grande abraço, Felipe! E muito obrigado pela colaboração!
Segue a poesia:
FIM DE MISSA
Poeta Felipe Júnior
(Do livro “Relicário” e CD “Na boléia da rima e do Riso”)
Fica no templo somente
O sacristão zelador
Endireitando o andor
Pra usá-lo novamente;
Fica um cego no batente
Tocando uma concertina,
Se uma moeda retina
Ele diz: Deus abençoe!
Mesmo sem saber quem foi
Depois que missa termina.
Uns dois ou três batizados;
As portas entre abertas;
Duas meninas espertas
Arrumando seus trocados.
O padre faz simulados
E com o sacristão combina,
Pra mostrar como se ensina
Pedir trocado em Igreja,
E o padre rindo, festeja
Depois que a missa termina.
O zelador atrasado
Limpa a Igreja ligeiro,
Deposita no lixeiro
Papel, chiclete mascado, ...
Depois põe tudo ensacado
Todo o lixo da faxina
Põe o saco na esquina
Pro carro depois levar
E só volta a arrumar
Depois que a missa termina.
Menino na escadaria
Sacristão correndo atrás;
Um candeeiro de gás
Que bem pouco alumia.
Com a Igreja vazia
O padre tira a batina.
Chega uma irmã vicentina
Querendo se confessar,
Vendo a porta se fechar
Depois que a missa termina.
A noite chega de vez
E envolve com sua sombra;
Um pinto novo se assombra
Com uma galinha pedrês;
Um casal de camponês;
Um cheiro se dissemina,
É a ceia nordestina
Saborosa com certeza,
Porém só é posta a mesa
Depois que a missa termina.
A dupla de cantadores
Canta num pé-de-parede;
Um velho arma uma rede,
Reclama de suas dores;
Um grupo de rezadores
Uma novena combina;
Alguém discerra a cortina
Da porta da sacristia,
Fica a igreja vazia
Depois que a missa termina.
O grupo de jovem sai
E casais em saudação;
O padre leva sermão
De um amigo do seu pai;
Uma velhinha que vai
Fazer sua reza divina,
Com o rosto e a pele fina
Quase revelando o osso,
Mas tira a nota do bolso
Depois que a missa termina.
O padre leva o dinheiro
Pra casa paroquial
E um coroinha mal
Pega uma moeda ligeiro.
Vai correndo pro oiteiro
Em direção da cantina
Compra rapadura fina
Pra comer com pão bem cedo,
E tudo fica em segredo
Depois que a missa termina.
Um homem bem elegante
Faz a sua doação,
O padre dá gratidão
Pelo seu gesto operante.
E ele todo falante
A uma pobre se destina,
Era a dona Severina
Que passou de sua hora
E bota a pobre pra fora
Depois que a missa termina.
E reina um silêncio orante
Na velha Igreja barroca;
Na porta uma velha moca
Quer confessar neste instante;
Alguém no auto-falante
Faz a prece vespertina;
Na calçada uma menina
Risca com caco de telha;
O sol apaga a centelha
Depois que a missa termina.
Um casal de namorados
Felizes e sorridentes,
Namorando nos batentes
Conversam de braços dados.
Dois homens embriagados
Falam alto na esquina;
Cai uma rala neblina
De uma nuvem passageira
Para apagar a poeira
Depois que a missa termina.
O sino não faz abalo
Como uma prece propondo
E um casal de maribondo
Pousa em cima do badalo;
O travão dá um estalo
Que estremece a campina;
Por trás da verde colina
O sol esconde seu rosto
E a lua assume seu posto
Depois que a missa termina.
O padre na sacristia
Recolhe seus paramentos;
No oitão quatro jumentos
Que servem de montaria;
Reza uma Ave-Maria
Uma velha bem franzina,
Depois de rezar se inclina
Fazendo o sinal da cruz
Beija o santo e apaga a luz
Depois que a missa termina.
Os morcegos esvoaçam
Fazendo belas manobras;
Entre as linhas duas cobras
No cio se entrelaçam;
Duas lagartixas passam
Por cima da ripa fina;
Debaixo da sarafina
Sai uma “briba” cinzenta,
Pois ela só se apresenta
Depois que a missa termina.
Num canto do santuário
Um presépio de natal;
Duas velhas falam mal
Da pregação do vigário.
Outra recita o rosário
Que aprendeu quando menina.
O sacristão diz: Firmina,
Deixe pra rezar depois!
Ficam discutindo os dois
Depois que a missa termina.
O padre soma a quantia
Da coleta do domingo;
Aquele velho mendigo
Recolhe sua bacia.
Um silêncio contagia
A cidade pequenina,
Reina uma paz divina
E uma santa solidão.
Isso se vê no sertão
Depois que a missa termina.
terça-feira, 10 de junho de 2008
A técnica de fazer cordel III
A maioria das visitas a Mundo Cordel chega por meio de ferramentas de busca, tendo como argumento a expressão “como fazer cordel”. Não é para menos. Quando se digita essas três palavras no Google, e se clica “pesquisar”, a primeira URL da lista de resultados é o post “A técnica de fazer cordel”, de 02/07/2007. A segunda URL é “A técnica de fazer cordel II”, continuação da primeira.
Acredito que esses textos venham ajudando muita gente a elaborar os seus próprios cordéis, mas admito que eles me parecem mais úteis para mostrar as possibilidades de criação que para ajudar a criar.
Quem nunca fez um cordel, pode tentar seguir esse caminho, e ver como se sai. À medida que for ganhando habilidade, pode ir adequando o método ao seu jeito próprio de fazer as coisas.
Para fazer os meus versos
Mesmo assim, é preciso estar seguro quanto ao ponto central da obra, até para saber o caminho que se pretende seguir. Ao decidir fazer um cordel sobre um assalto ao qual assistiu na rua, você deve saber se o seu cordel terá como foco narrar o assalto, ou falar da violência urbana. Certamente que uma opção não exclui a outra. Em uma narração, sempre dá para fazer reflexões, e vice-versa, mas há que se definir a predominância.
Por falar em predominância, identifico alguns tipos de cordel:
a) Cordéis Narrativos, que contam uma história, um caso, um fato pitoresco. Podem ser subdivididos em:
1) Ficção, quando narra um fato criado pela imaginação humana, ainda que baseado em fatos reais (p.ex. “A chegada de Lampião no Inferno”), podendo ser:
i) Original, quando o próprio autor dos versos é também autor do enredo; e
ii) Adaptação, quando o autor dos versos aproveita um enredo já existente. Muito usada em relação aos clássicos da literatura.
2) Não ficção, quando o autor se propõe a narrar fatos efetivamente ocorridos (p.ex: “O ataque de Lampião a Mossoró”);
b) Cordéis dissertativos, quando o autor comenta, analisa, opina sobre determinados fatos. Muito usado para tratar de temas políticos e econômicos de interesse da população (p.ex: Cordel sobre as prisões brasileiras);
c) Cordéis descritivos, quando o autor “desenha” um cenário com seus versos. Jessier Quirino faz isso com maestria em “Paisagens do Interior” e “Parafuso de Cabo de Serrote”;
d) Cordéis em homenagem a algo ou alguém. Uma cidade, um herói, um mito, conforme se vê em “O Vôo da Patativa”, de Dideus Sales, homenageando Patativa do Assaré.
Definidos o tema e o tipo, já se pode estabelecer a mensagem central a ser transmitida, a qual pode se constituir em um “mote”. Mote é o tema sobre o qual o poeta desenvolve os seus versos, exposto no último verso da estrofe ou nos dois últimos, quando é mote de duas linhas.
Feito isso, é hora de escolher a forma. Aqui, o leitor pode buscar qualquer uma das formas relacionadas nos posts “A técnica de fazer cordel", I e II, ou criar uma nova – o que só é aconselhável para quem tem muita prática no assunto.
É bom lembrar as seguintes dicas: a) versos e estrofes mais longas funcionam melhor para temas mais complexos; b) o cordel fica melhor de ler quando cada estrofe encerra uma idéia completa, formando um conjunto harmônico.
Outra dica importante: versos curtos são melhores para situações em que se pretende dar idéia de velocidade.
Pronto. Se você já sabe o que vai dizer, quantas sílabas pode usar em cada linha e quantas linhas em cada estrofe, está com quase tudo pronto. Faltam só as rimas. Se você não tem muita prática em rimar, comece com sextilhas, rimando os versos 2, 4 e 6, e deixando os ímpares livres. Escreva a segunda linha pensando nas palavras que usará para terminar os outros dois versos pares, e deixe as idéias irem fluindo. Já há dicionários de rimas na Internet (Dicionário de Rimas; Rimador - SONETOS.com.br), isso pode ajudar, especialmente quem está começando.
Às vezes a necessidade de rimar nos afasta um pouco do que queremos dizer imediatamente; isso é normal; é aí que você vai descobrir o prazer de dizer as coisas de um jeito diferente, inesperado, algumas vezes inserindo palavras que não seriam necessárias, para fechar a métrica, outras, usando de muito poder de síntese, para dizer muito em um só verso. Gosto mais da segunda opção.
Para finalizar, não custa lembrar a “Receita para Cordel”, de Mundim do Vale, postada neste blog, na qual o poeta dá verdadeira aula prática, mostrando, em versos, todos os caminhos que um bom cordelista deve seguir.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Poesia de Paulo Benz

Depois de um mês fora do ar, Mundo Cordel volta à ação, e o faz exatamente onde havia parado, ou seja, falando do poeta PAULO BENZ, co-autor da poesia apresentada no post anterior.
Pra quem ainda não sabe, PAULO BENZ foi um dos premiados no Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães, de 2004, o qual gerou o livro “Poetas do RN”, chegando em terceiro lugar na edição de 2006 do mesmo concurso.
Embora sua especialidade não seja o Cordel, é uma honra trazer hoje uma de suas poesias publicadas na obra citada acima:
NOITE DESSAS
Se ao menos causassem os olhares esse modo
Estulto que tenho de carregar as minhas frases na alma...
Mas nada, quanto menos, menos,
Se não sombreia a vontade, quem dirá a dor de mundo...
Nas mesas recurvadas de alguns desses lares noturnos
Os garçons não atendem só aos desesperados,
Quando as vagas lembranças são garrafas na vitrine
E massas de delicados lábios se encontram sem plano,
Se teu gosto... ah, esqueça,
Vinhos não são iguais, como poderíamos...
E as margens eternas do rio sem suas águas
Perenizam qualquer motivo.
Gestos, para quem deles depende,
E uma suave atenção ao suceder de esquinas
Quando o ponteiro da velocidade
Ultrapassa o razoável...
Mas amanhã estarei sentado em minha sala
Como mesmo se nada em mim houvesse
Além da fronte suada...
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Poesia de Marcos Ferreira

segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Literatura de cordel e educação
Terminou ontem a FEIRA DO LIVRO DE MOSSORÓ, versão 2007. Lá estive no sábado (27) à noite e gostei do movimento. Muita gente visitando as lojas e no Circo da Luz também.
Demorei especialmente no stand da Editora Queima Bucha, conversando com meu amigo Gustavo Luz sobre o mundo da literatura de cordel. Saí com uma sacola cheia de cordéis, desde clássicos, como A PELEJA DE RIACHÃO COM O DIABO e a HISTÓRIA DE JUVENAL E O DRAGÃO, de Leandro Gomes de Barros, a obras mais recentes, como PAULO, O FARISEU QUE VIROU CRISTÃO e A HISTÓRIA DO COMEÇO DO MUNDO – A TEORIA DO BIG BENG, de Fernando Paixão, aliás, ambos de ótima qualidade em rima, métrica e oração. Cabra bom esse Fernando Paixão!
Mas de tudo o que vi, chamou-me particularmente a atenção a edição de cordéis voltados para o público infantil, publicados pela Editora IMEPH, de Fortaleza. Com linguagem simples, métrica e rima perfeitas, e gramática correta, os livros ainda vêm com ilustrações muito bem trabalhadas. As obras que vi são as seguintes, e as capas estão na imagem acima:
A SEMENTE DA VERDADE: adaptação do conhecido conto de mesmo título, escrita por Fernando Paixão, com ilustrações de Arlene Holanda;
O PAVÃO MISTERIOSO: adaptação do romance de cordel de José Camelo, escrita por Arievaldo Viana, com ilustrações de Jô Oliveira.
UM CURUMIN, UM PAJÉ E A LENDA DO CEARÁ: de Rouxinol do Rinaré, com ilustrações de Rafael Limaverde.
É muito bom ver o cordel sendo utilizado na educação das crianças, sem falar que elas adoram e se divertem muito com a leitura.
Parabéns a todos que vêm apoiando essas iniciativas!
Segue um trecho de
UM CURUMIN, UM PAJÉ E A LENDA DO CEARÁ
Vento que sopra do mar
Enquanto a tarde desmaia
Vem contar-me a antiga lenda
Que corre da serra à praia
A Lenda do Ceará
“Terra onde canta a Jandaia”.
Dizem que há muito tempo
No mais distante passado
Onde hoje é o Ceará
O nosso querido Estado
Era um chão virgem, somente
Por nativos habitado.
Nossos índios eram livres,
Dos litorais às ribeiras,
Nos sertões e altas serras
Viviam tribos guerreiras
E as Jandaias cantavam
Pelas copas das palmeiras.
Até que um dia homens maus
Chegaram aqui pelo mar,
Vindos de outras nações
Para esta terra explorar
E pela força e astúcia
Puderam, enfim, dominar.
Nossos índios reagiram
Aos tais colonizadores,
Uns morreram, outros fizeram
Acordo com os invasores...
Pois os vencidos se tornam
Escravos dos vencedores!
Num tempo ainda distante,
Mas já próximo do presente,
Quando com a posse das terras
Ficou o branco somente,
No litoral tinha ainda
Uma tribo remanescente.
E nessa tribo um costume
Ainda era preservado
Sentava-se um Pajé velho
Por curumins rodeado
Junto à fogueira e contava
As histórias do passado.
E assim segue a história, contando a lenda que retrata a história daquela tribo.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Poesia popular e estrangeirismo

quarta-feira, 24 de outubro de 2007
O Poeta do Absurdo na Literatura de Cordel
Cheguei já pensando na tapioca recheada com queijo e ovo, mas, na entrada do estabelecimento, outro recheio completou o repasto: o cordel “A PELEJA DE ZÉ DO JATI COM ZÉ LIMEIRA”, de Anchieta Dantas, o “Zé do Jati”, conhecido personagem do Programa Garras da Patrulha, da TV Diário, de Fortaleza.


Já tive oportunidade de incluir Jati em meus versos, quando falei da chegada da Justiça Federal ao Cariri:
Pois a Vara Federal,
Instalada em Juazeiro,
Cidade de muita fé,
Que acolhe tanto romeiro,
Tem sua jurisdição
Começando no sertão
E subindo pelas serras,
Até chegar a um lugar
De onde dá pra olhar
Pernambuco e suas terras.
Começando seu alcance
Nas terras do centro-sul,
A partir de Acopiara,
Passando por Iguatu,
Se estende até Mauriti,
De Brejo Santo a Jati,
Alargando suas fronteiras
Baixio, Ipaumirim,
Farias Brito e Jardim,
Campos Sales e Porteiras.
Sobre o Zé do Jati, disse a jornalista Lea Queiroz, “é autor dos livros NÓS E A METRÓPOLE, O PASSAGEIRO DO TEMPO e RANCHO NOVA ESPERANÇA. Diz a JORNALISTA ISABEL PINHEIRO, que acompanha seus feitos literários há 20 anos, trata-se de uma obra literária que desperta a atenção e mexe com as emoções mais escondidas”.
Para saber mais sobre Zé Limeira, visite http://www.revista.agulha.nom.br/otejo.html .
Segue um trecho da “peleja”:
ZÉ LIMEIRA
Getúlio Vargas morreu
Foi com saudade da esposa
Lampião inda tá vivo
Morando perto de Sousa
Por detrás do Sete-Estrelo
Tem um casal de raposa.
ZÉ DO JATI
Foram amigos e compadres
Julio César de Lampião
E sócios em uma fábrica
De chocolate e sabão
E um dia de madrugada
Ficaram sem fazer nada
Numa noite de São João.
ZÉ LIMEIRA
Santo Antonio foi pescar
Mussú no rio Jordão
Quando jogou o anzol
Arrastou um camião
Deu-lhe uma caimbra no pé
Nisso passou São José
Com três abrroba de pão.
ZÉ DO JATI
Nelson Piquet comprovou
Que é um grande vaqueiro
São Tomé já fez promessa
Pra pagar no Juazeiro
E São José numa vã
Faz lotação de manhã
De Cabrobó a Salgueiro.
ZÉ LIMEIRA
Jesus ia rezar missa
Na capela de Belém
Chegou Judas Carioca
Que viajava de trem
Trazia trinta macaco
Botou tudo num buraco
Não tinham nenhum vintém.
ZÉ DO JATI
Jesus nasceu em Belém
Pertinho de Cabrobó
Quando passou Jati
Já era “quage” de maió
Passou dirigindo um jipe
Com febre e com muita gripe
Em busca de Mossoró.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Navegando no cordel
Antes de retomar os estudos sobre a técnica de se fazer um cordel, mais um momento daqueles em que a gente faz um cordel meio de improviso, pra registrar um momento importante, agradável ou os dois.
Era fevereiro de 2006, e eu e minha esposa, Natália, estávamos viajando pelo litoral do Nordeste Brasileiro, no navio Pacific. Toda noite acontecia um show no salão principal do navio. Na última noite, o show era “O Turista é o Artista”, e era feito, obviamente, pelos próprios passageiros.
Quando soube disso, logo pela manhã, fiz imediatamente um cordel, registrando os principais pontos da viagem. À tarde, ensaiei com a banda, pois o mote seria apresentado como um refrãozinho cantado, e à noite apresentei a peça. O pessoal se divertiu um bocado.
Para minha maior alegria, Natália registrou tudo com nossa câmera digital. O clipe está aí em cima; o texto, abaixo:
NAVEGANDO
Por Marcos Mairton
Quando olhei para o navio
Atracado ali no cais
Eu pensei como seria
Muito bom, até demais,
Conhecer os litorais
As praias do meu Brasil
Aquelas que Cabral viu
Quando aqui foi chegando
Navegando, navegando,
No oceano a deslizar
E o Pacific me levando
Sobre as ondas do mar.
Embarquei todo animado
Na maior felicidade
Mais feliz fiquei ainda
Quando vi minha cidade
Já olhando, com saudade,
Para o barco que partia
Dentro dele, eu lhe dizia:
– Logo estaremos voltando
Navegando, navegando,
No oceano a deslizar
E o Pacific me levando
Sobre as ondas do mar.
Daquele dia até hoje
Navegamos um bocado
Do balanço do navio
Nunca fiquei enjoado
Fiquei foi maravilhado
De encontrar tanta beleza
Que Deus ou a Natureza
Por aqui foi espalhando
Navegando, navegando,
No oceano a deslizar
E o Pacific me levando
Sobre as ondas do mar.
Foram tantas belas praias
Que daqui pudemos ver
Que na memória gravamos
Pra nunca mais esquecer
Que nem tento descrever
Com palavras o que vimos
Desde o dia em que partimos
Neste navio embarcando
Navegando, navegando,
No oceano a deslizar
E o Pacific me levando
Sobre as ondas do mar.
Mas como nada acontece
Do jeito que a gente sonha
Não pude desembarcar
Em Fernando de Noronha
Moça, não fique tristonha,
Foi pra nossa segurança
Tenho muita esperança
De voltar, só não sei quando
Navegando, navegando,
No oceano a deslizar
E o Pacific me levando
Sobre as ondas do mar.
Aqui do lado de dentro
Desta bela embarcação
Recebemos o carinho
De toda tripulação
Vou dizer: - Ó capitão!
Comandante Antonio Pata
A vossa equipe me trata
Como um rei, tá me mimando
Navegando, navegando,
No oceano a deslizar
E o Pacific me levando
Sobre as ondas do mar.
É hora da despedida
Já começo a ter saudade
Do navio, das pessoas,
De cada nova amizade
Volto pra minha cidade
No próximo amanhecer
Mas nunca vou esquecer
Deste Salão Carousel
Do Lennon e do Iel,
Nem da Banda Salvatagem
De, durante a viagem,
Andar no Deck Riviera,
Aloha, Lido, quem dera,
Voltar aqui, novamente,
E encontrar toda essa gente
Que estou encontrando
Navegando, navegando,
No oceano a deslizar
E o Pacific me levando
Sobre as ondas do mar.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Cordel e repente II
DE JUAZEIRO DO NORTE A BRASÍLIA, CORDEL E REPENTE SEMPRE ENCONTRAM SEU ESPAÇO, QUALQUER QUE SEJA A TECNOLOGIA
Volto ao tema “Cordel e Repente” para dizer que o que, dentre os aspectos comuns dos do cordel e do repente, observa-se é que cordelistas e repentistas utilizam-se das mesmas formas, ou seja, decassílabos, sextilhas, sétimas e outras formas (O site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel - ABLC - relaciona as principais).
Além disso, assim como as cantorias, o cordel tem uma grande tradição oral, pois, em uma época na qual poucos tinham a habilidade da leitura, muitos decoravam os versos e repassavam declamando ou cantando, como testemunha o poeta Arievaldo Viana ao contar que a avó Alzira de Souza Lima costumava ler os folhetos em voz alta "para deleite de crianças e adultos" (Acorda Cordel, Editoras Tupinanquim e Queima Bucha, 2006, p. 15).
Leonardo Mota, em sua obra “Cantadores”, define estes como “poetas populares que perambulam pelos sertões, cantando versos próprios ou alheios; mormente os que não desdenham ou temem o desafio, peleja intelectual em que, perante o auditório ordinariamente numeroso, são postos em evidência os dotes de improvisação de dois ou mais vates matutos” (Cantadores, ABC Editora, 2002, 7ª Edição, p. 3).
De fato, o que se observa é que, mesmo os cantadores versados na arte da improvisação, costumam cantar versos “decorados”, ou seja, guardados na memória. Na medida em que esses versos são vertidos para o papel, nos já comentados folhetos, transformam-se em Literatura de Cordel.
Há quem diga, porém, que todo cordelista tem um pouco de repentista. O poeta Napoleão Maia Filho me disse isso certa vez, e não duvido, pois conheço cordelistas, como o já aqui citado Valdir Fernandes Soares, que, mesmo sem se declarar repentista, faz versos dos mais variados temas, em poucos minutos.
Eu mesmo, já tive algumas experiências bem interessantes, principalmente em abertura e encerramento de eventos, como na solenidade de Revitalização da Lira Nordestina, quando, ao receber a palavra, que me foi passada pelo amigo André Herzog, Reitor da Universidade Regional do Crato, me expressei assim:
É grande a alegria
Que me invade nesta hora,
Quando já se foi o dia
E a noite não fez demora.
Pois não fosse a poesia,
O que mais é que faria
Estarmos aqui, agora?
Porque os versos são mais
Que tinta sobre papel.
São emoções que abrandam
Todo esse mundo cruel.
Brilhando em nossa cultura,
Quem mais que a literatura,
Do nosso lindo cordel?
Por isso, caros amigos,
Aqui me faço presente,
Pra falar da emoção
Que todo poeta sente
Quando vê autoridades
Unirem suas vontades
Em favor da nossa gente.
Outra oportunidade interessante ocorreu em março de 2006, quando estive em Brasília, para participar de um programa de televisão. Chegando ao hotel onde iria ser gravada a entrevista, lá estava o ator cearense José Wilker, que estava na Capital Federal gravando a minissérie “JK”, na qual ele interpretava Presidente Juscelino. Ao vê-lo, a repórter Rafaela Vivas Cardoso, que me entrevistaria, perguntou se eu faria versos tendo o presidente como tema. Perguntei: “O presidente ou o ator?”; e ela respondeu: “Os dois”. Menos de uma hora depois que a entrevista terminou, estavam prontos os versos abaixo, os quais pus em um envelope e pedi ao rapaz de recepção que entregasse a José Wilker:
Eu estava em Brasília, outro dia,
Divulgando a poesia de cordel,
Quando, na recepção de um grande hotel,
Percebi que um artista ali havia,
Cuja arte não é bem a poesia,
Mas nos toca igualmente a emoção.
No teatro ou na televisão,
Era um grande ator que ali estava,
Sendo que, pelo seu jeito, aguardava
A equipe que faria a gravação.
Mas o fato que fez a situação
Se tornar ainda mais interessante
Foi sentir que, naquele mesmo instante,
Ocorreu-me a seguinte impressão:
Que, olhando para aquele cidadão,
Ao invés de ver apenas o artista,
Era como se eu pousasse a minha vista
Na pessoa desse grande personagem
Que o ator representa na filmagem
Para que, na TV, a gente assista.
De quem falo, já foi capa de revista,
Só novela já fez bem umas cinqüenta.
Hoje, numa minissérie, representa
Um mineiro que foi grande estadista;
Que na sua trajetória progressista
Nos mostrou como um homem competente
Fez o nosso Brasil andar pra frente,
Dirigiu o país com muito amor.
Olhei para José Wilker, o ator,
E enxerguei JK, o presidente.
Alguém tinha me falado, antigamente,
Que um grande ator é desse jeito.
Atuando de um modo assim perfeito,
Faz confusa dessa forma nossa mente.
Mesmo quando o ator, fisicamente,
Não parece tanto assim com o personagem,
Ele adota a postura e a linguagem
E mergulha na história com fervor.
Foi assim que José Wilker, o ator,
Se tornou de Juscelino a imagem.
Para ir finalizando essa homenagem
A Zé Wilker e também a Juscelino,
Eu aplaudo o sorriso de menino,
O sucesso, o trabalho e a coragem.
Quando eu iniciei essa viagem
Não pensei que estaria reservado
Um encontro assim, tão inusitado
Entre eu, o ator e o presidente.
José Wilker, parabéns pelo presente.
Juscelino, parabéns pelo passado.
Versos assim são feitos realmente em alta velocidade, mas nada que se compare aos repentes de Ivanildo Vilanova, Zé Luís (de Mossoró), ou dos Nonatos, que já fizeram repente até com o mote “O planeta movido à Internet/ É escravo da tecnologia”, criando maravilhas como:
O visor como tela de TV,
O teclado acessível como book
Pra maiúsculo ou minúsculo é Caps "Look" (Lock)
Pra mandar imprimir é Control P
Com o micro'' Sansung e LG
e os programas que a Apple financia
A indústria da datilografia
nunca mais vai fazer máquina Olivetti
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Quem se pluga em milésimo de segundo
E se conecta ao portal e seus asseclas
Basta apenas tocar numa das teclas
que o visor nos transporta a outros mundos
Desde a terra dos solos mais fecundos
Ao espaço onde o vácuo se inicia
Quem formata depois cola, copia
e prende o mundo na grade de um disquete
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
A indústria se auto-destruindo
Descartou o compacto e LP
Veio o surto da febre do CD
e DVD mal chegou e já está saindo
MD não há mais ninguém pedindo
Nu''a DAT gravar ninguém confia
Fita BASF tem pouca serventia
e ninguém quer mais nem ver videocassete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Brasil SAT é mais uma criação
que nos nossos vizinhos deu insônia
O Sivam espiona a Amazônia
evitando que haja outro espião
É por via satélite a transmissão
que não tem transmissão por outra via
Uma antena seqüestra a sintonia
pra DirecTV, Sky e Net
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Transatlânticos no mar fazem cruzeiros
E pelos micros das multinacionais
Hoje tem conferências virtuais
com os executivos estrangeiros
O email é correio sem carteiros,
tanto guarda mensagem como envia
Os robôs usam chip e bateria
e videogame é brinquedo de pivete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Cibernética na prática e no papel
deixa os seres online e ganham IBOPE
Com Word tem Palm e laptop
e ainda mais PowerPoint e Excel
É possível quem mora em Israel
pelo Messenger teclar com a Bahia
Se os autômatos ganharem rebeldia
tenho medo que a máquina nos delete
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Pra prever terremotos e tufões
os sismógrafos têm números numa escala
E o trem-bala é veloz como uma bala
numa linha arrastando dez vagões
No Japão e na China as construções
já suportam tremor e ventania
Torre, ponte, edifício, rodovia
são perfeitos do jeito da maquete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Nosso pouso na lua foi suave,
um robô foi a Marte e se deu bem
Estão querendo ir ao Sol, mas o Sol tem
de calor um problema muito grave
Mas a NASA não tem espaçonave
que suporte essa carga de energia,
Se for feita de fibra, se desfia,
e de alumínio o monstrengo se derrete
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Motorola trocou técnica e conselho,
Nokia e Siemens galgaram patamares
Já estão fora de moda os celulares
que têm câmera e visor infravermelho
Reduzindo o tamanho de aparelho,
a Pantech fez mais do que devia
Que a memória de um chip não podia
ser mais grossa que a lâmina de um Gillete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
Hoje a Bombardier não fere as leis
e a Embraer mãe de Sênecas e Tucanos
Invísivel aos radares há dois anos,
já existe avião que a Sukhoi fez
É da Nasa o XA-43
que voando tem mais autonomia
Um piloto automático opera e guia
o Airbus e o 747
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia
